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Manaus e todo o Amazonas sofrem com pior seca do Rio Negro da história

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Outubro de 2023 às 14h37

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Dikaseva/Unsplash
Dikaseva/Unsplash

A seca no Amazonas levou quase todas as suas cidades ao estado de emergência, exceto apenas duas — com mais de 600 mil pessoas afetadas, a catástrofe climática é resultado de um El Niño mais severo em 2023, que piorou bastante a estação seca na região. Na capital, Manaus, o Rio Negro chegou ao menor nível desde que se iniciou sua medição, há 121 anos, com 13,59 metros registrados neste mês de outubro.

Uma das consequências da seca são os incêndios florestais, que têm piorado a qualidade do ar das cidades — em Manaus, foram registrados 387 microgramas de poluição por metro cúbico, contra 122 em São Paulo. Isso colocou a capital como tendo a segunda pior qualidade do ar do mundo, perdendo apenas para um centro industrial na Tailândia. No estado, já foram vistos mais de 2.770 incêndios nessa estação seca, recorde para a região amazônica.

Fechamento de portos e escolas

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A severidade da estiagem isolou comunidades e impediu a navegação, principal meio de transporte de algumas populações e de bens de consumo. Isso também impacta no escoamento da produção pelo Polo Industrial da capital, afetando economicamente a região. Em Manaus, a Praia da Ponta Negra, principal balneário da cidade, teve de ser fechada, com a instalação de uma cerca para impedir o acesso de banhistas.

A capital do estado decretou situação de emergência ainda no final de setembro, valendo por 90 dias, e desde então busca aliviar a situação nas zonas rural e ribeirinha da cidade. Entre as medidas, estão a abertura de 30 poços artesianos e distribuição de cestas básicas. Alguns lobistas industriais pedem por uma nova rodovia na região, a BR 319, que ligaria Manaus a Porto Velho, mas ambientalistas apontam que isso derrubaria ainda mais seções da floresta amazônica e pioraria a condição climática da região.

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O ano letivo das escolas municipais na região ribeirinha também foi encerrado mais cedo, em 4 de outubro ao invés do dia 17, como ocorre normalmente. Uma das cidades afetadas, São Gabriel da Cachoeira, a 850 km de Manaus, entrou em racionamento de energia por conta da seca. No sítio arqueológico de Lajes, na margem do Rio Negro, a seca revelou entalhes rupestres de 2.000 anos atrás, descobertos na última grande estiagem, em 2010.

Apesar da severidade já impactante, o Serviço Geológico do Brasil emitiu, ainda em setembro, um relatório afirmando que o ápice da seca só chegaria na segunda quinzena de outubro, com o cenário normalizando apenas em novembro ou mesmo dezembro. Apesar da seca no Rio Negro, o Rio Solimões (nome dado ao trecho superior do Rio Amazonas) está em repiquete, fenômeno onde a água sobe e desce no mesmo período.

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No dia 9 de outubro, por exemplo, o Solimões estava a -71 cm, mas, no dia 11, chegou a -61 cm (ou seja, subindo 10 cm), voltando a baixar para -67 cm no dia 13. A situação também ocorre em outros países — em Iquitos, no Peru, o Rio Amazonas media 76,58 m no último dia 5 de outubro, subindo para 76,84 m no dia 8 e descendo para 76,61 m no dia 13.

Causas da seca

Além do El Niño, a distribuição de calor do oceano Atlântico Norte também está influenciando a seca amazônica. Em secas anteriores de 2009 e 2010, as mais severas antes da atual, a mesma soma de eventos ocorreu. O El Niño aumenta a temperatura das águas do Pacífico Equatorial, mudando padrões dos ventos, temperatura, umidade e chuvas, diminuindo as precipitações e trazendo calor ao Norte e Nordeste do Brasil.

Já no oceano Atlântico, sua parte norte, acima da linha do Equador, o aquecimento impede a formação de nuvens, o que diminui as chuvas amazônicas por si só. Com ambos os oceanos aquecidos, correntes ascendentes levam o ar quente à atmosfera, sendo levado, em seguida, para a Amazônia através de correntes descendentes, onde diminui a quantidade de chuvas. Enquanto o Atlântico Norte faz esse processo de norte para sul, o El Niño afeta a região de leste para oeste.

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Fonte: BNC Amazonas, Rede Amazônica via G1 1, 2, Agência Brasil, The Guardian