O céu (não) é o limite | RIP Observatório de Arecibo, som do Perseverance e mais

Por Patrícia Gnipper | 24 de Novembro de 2020 às 21h00
UCF/NASA/

Aqui estamos, mais uma vez, resumindo as notícias científicas mais importantes que rolaram na última semana. Toda terça-feira, o Canaltech se dedica a preparar esse "resumão" a todos que gostam de se manter bem informados sobre assuntos espaciais, o universo e tudo o que nos cerca, mas que não têm o tempo que gostariam para fazer tanta leitura. Com a gente, você fica a par de tudo o que importa, em poucos minutos!

Vamos lá?

Adeus, Observatório de Arecibo

O prato refletor foi danificado na queda do primeiro cabo (Imagem: Reprodução/University of Central Florida)

Após ter dois cabos de sustentação rompidos nos últimos meses, o icônico Observatório de Arecibo terá suas atividades encerradas para evitar um desastre. Sua antena parabólica será desativada de uma vez por todas, pois engenheiros que inspecionavam as instalações concluíram que um eventual reparo seria arriscado demais para os funcionários envolvidos, bem como para equipamentos que ainda pudessem ser resgatados. Isso coloca um fim a quase 60 anos de história de um dos observatórios espaciais mais importantes do mundo.

Entenda melhor o que aconteceu com o observatório, clicando aqui.

Ouça os sons do rover Perseverance a caminho de Marte

Ilustração com destaque para o microfone EDL (Imagem: Reprodução/Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

O rover Perseverance, que viaja rumo ao Planeta Vermelho na missão Mars 2020, da NASA, está equipado com um microfone, que gravará sons marcianos a partir de fevereiro do ano que vem, quando o pouso vai acontecer. Mas, enquanto isso, já podemos ouvir os sons do veículo robótico no espaço interplanetário.

Ele é equipado, na verdade, com dois microfones: um é feito para ouvir as transmissões do instrumento SuperCam, que vai vaporizar rochas com disparos a laser, enquanto o outro irá capturar o que for possível da sequência entrada, descida e pouso (EDL) em Marte.

Quer ouvir os barulhinhos do Perseverance? Clique aqui!

Sonda New Horizons descobrindo se o universo é escuro, de fato

Conceito da New Horizons (Imagem: Reprodução/NASA)

Será que o espaço entre estrelas é realmente escuro, como parece? Faz sentido pensar que toda a luz vem de estrelas e galáxias, e que, sem esses objetos brilhantes, o universo seria completamente negro. Contudo, a sonda New Horizons, que já viaja para além de Plutão no Sistema Solar, pode trazer uma resposta diferente.

Atualmente, ela se encontra a quase 50 vezes a distância entre o Sol e a Terra, ou seja, bem longe dos raios solares, que atrapalhariam a detecção de qualquer pequena luminosidade que houver por lá. E pesquisadores analisaram fotos capturadas pela sonda nessa região, processando todas elas para remover qualquer fonte de luz visível, incluindo estrelas e a luz emitida pela própria Via Láctea, bem como a luz de galáxias próximas. E, por incrível que pareça, ainda havia alguma luz nas imagens escuras. Isso pode significar que o universo não é 100% escuro, mas podem haver outras explicações — e é isso o que os cientistas, agora, buscam responder.

Entenda melhor essa história clicando aqui.

Mapeando as semelhanças entre o cérebro humano e o universo

À esquerda, uma imagem de secção do cerebelo obtida como microscopia eletrônica; à direita, uma secção de uma simulação cosmológica (Imagem: Reprodução/University of Bologne)

Um novo estudo bastante interessante deu o que falar: pesquisadores decidiram mapear as similaridades entre a rede de células neurais do cérebro humano com a rede cósmica de galáxias no universo — e o resultado trouxe semelhanças surpreendentes. A equipe por trás do estudo explica que, enquanto os processos físicos que guiam a estrutura do universo e a estrutura do cérebro humano são extremamente diferentes, eles podem levar a níveis de complexidade e auto-organização similares.

O cérebro humano funciona graças a uma rede composta por cerca de 69 bilhões de neurônios, enquanto o universo observável tem uma rede cósmica de pelo menos 100 bilhões de galáxias. Estes dois sistemas são organizados em redes bem definidas, com nódulos conectados por filamentos — no cérebro, os nódulos são os neurônios e, no universo, são as galáxias. Em ambos os sistemas, apenas 30% da massa é composto por galáxias e neurônios. Finalmente, os dois sistemas têm composição parecida: cerca de 77% do cérebro é composto por água, enquanto 72% do universo é energia escura.

Clicando aqui, você encontra mais detalhes sobre esse estudo curioso.

Essa estrela pode ser a fonte do lendário Sinal Wow!

(Imagem: Reprodução/ Big Ear Radio Observatory/North American Astrophysical Observatory)

Em 15 de agosto de 1977, o Big Ear Radio Telescope detectou um sinal forte vindo do espaço, com duração de 72 segundos, que nunca mais se repetiu. Esse sinal ficou conhecido como Sinal Wow!, e muita especulação ao redor de sua origem já foi feita — como, por exemplo, que ele teria vindo de uma civilização alienígena tecnologicamente evoluída. Porém, um astrônomo amador usou dados da missão europeia Gaia para buscar possíveis origens do sinal, e identificou como forte candidata a 2MASS 19281982-2640123, localizada na constelação de Sagitário, a uma distância de 1.800 anos-luz.

Clique aqui para descobrir como ele chegou a essa conclusão.

Vazamento de ar na ISS foi selado mais uma vez

O módulo russo Zvezda (Imagem: Reprodução/NASA)

Há cerca de um ano, a Estação Espacial Internacional vem sofrendo um vazamento de ar que, apesar de não representar risco aos astronautas, é preocupante. Depois de várias tentativas de interromper o vazamento, parece que, agora, os cosmonautas a bordo finalmente obtiveram sucesso.

O vazamento acontece por meio de uma rachadura no módulo russo Zvezda, com o conserto temporário interrompendo a saída excessiva de ar. O cosmonauta Sergey Ryzhikov cobriu a rachadura de 4 cm de extensão com um remendo feito de borracha e alumínio. Entretanto, essa não é uma solução definitiva: há planos para enviar suprimentos adicionais de oxigênio à ISS, além de ferramentas para que o reparo seja feito de maneira definitiva.

Saiba mais sobre isso; clique aqui.

China envia missão para coletar amostras da Lua

Arte mostra os diferentes aparatos que fazem parte da missão Chang'e 5 (Imagem: Reprodução/All About Space//Future)

O país asiático segue fazendo história, desta vez enviando a missão Chang'e 5 com destino à Lua, com o objetivo de coletar amostras do solo lunar e trazê-las à Terra no final deste ano. A humanidade não traz amostras do nosso satélite natural desde 1976, quando a missão soviética Luna 24 trouxe cerca de 170 gramas de regolito.

A Chang'e 5 tem como alvo a região do monte Mons Rümker, no Oceanus Procellarum. Essa é a mesma região onde a Apollo 12 pousou em 1969, por sinal. A alunissagem (nome dado a pousos lunares) deve acontecer na sexta-feira (27), assim que o próximo dia lunar começar — cada dia e cada noite na Lua duram cerca de duas semanas terrestres.

Assista à reprise do lançamento e saiba mais sobre a Chang'e 5 clicando aqui.

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