O céu (não) é o limite | Nuvens de Marte, aglomerado estelar, furo na ISS e mais

Por Daniele Cavalcante | Editado por Patrícia Gnipper | 05 de Junho de 2021 às 20h00
NASA/JPL-Caltech/SMM/IAC/CSA

Mais uma semana se foi e entramos no mês de junho, já na metade de 2021. Bastante coisa aconteceu no mundo inteiro — e com a astronomia e a ciência espacial não foi diferente. Essa semana também foi agitada, com notícias de nuvens em Marte chegando mais cedo do que deveriam, um novo aglomerado estelar descoberto e um pequeno incidente com o braço robótico da ISS.

Confira essas e outras notícias e fique por dentro do que rolou nos últimos dias no noticiário espacial.

Nuvens precoces no anoitecer marciano

(Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Normalmente, as nuvens em Marte aparecem durante a época mais fria do ano, mas elas chegaram mais cedo dessa vez. Além disso, elas se formaram em altitudes maiores do que o normal. Tudo foi registrado pelas câmeras do rover Cursioty, da NASA, que capturou algumas formações bem peculiares através de suas câmeras de navegação e da MastCam.

Enquanto as imagens em preto e branco mostram as estruturas finas e onduladas, as imagens coloridas do Curiosity revelam o brilho delas, criado pela refração da luz solar nos cristais de gelo suspensos nessas nuvens. Também chama a atenção as nuvens iridescentes, cujas cores são as do arco-íris, o que acontece quando as partículas de gelo são quase idênticas em tamanho.

Veja mais fotos das nuvens de Marte aqui.

Aglomerado estelar a sete mil anos-luz da Terra

(Imagem: Reprodução/SMM/IAC)

Astrônomos descobriram um novo aglomerado estelar massivo, que recebeu o nome de Valparaíso 1. Trata-se de um agrupamento de pelo menos 15 mil estrelas de idades intermediárias, todas nascidas juntinhas e assim permanecem, unidas pela gravidade. Ela está localizada a cerca de sete mil anos-luz de distância da Terra.

Na maioria dos casos, os aglomerados estelares são muito jovens ou muito antigos, mas este é um caso especial de aglomerado formado por estrelas de idade intermediária. Por isso, os astrônomos consideram essa uma boa oportunidade para aprender mais sobre esse tipo de objeto cósmico.

Saiba mais sobre o aglomerado Valparaíso 1 aqui.

Braço robótico da ISS parcialmente danificado

(Imagem: Reprodução/NASA/Canadian Space Agency)

Um pedaço de lixo espacial atingiu o braço robótico Canadarm 2, da ISS, que ficou parcialmente danificado em sua cobertura térmica e na sua estrutura interior. Ainda não se sabe exatamente quando a colisão aconteceu, mas a NASA e a Agência Espacial Canadense estão analisando a situação. Felizmente, o braço robótico continua operacional, de acordo com as duas agências.

O problema com o lixo espacial, no entanto, ainda está longe de ter alguma solução. A própria ISS já teve que realizar manobras de emergência para se desviar dos detritos. Dependendo da velocidade com que eles voam pela órbita terrestre, um estrago maior pode eventualmente acontecer.

Veja aqui mais sobre a colisão da ISS com o lixo espacial.

Estudo propõe que buraco negro supermassivo seja, na verdade, matéria escura

(Imagem: Reprodução/Salvatore Orlando)

Um estudo sugeriu que o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, o Sagitário A*, seja, na verdade, matéria escura. Não é a primeira vez que alguém propõe esse tipo de hipótese e ela já foi descartada, mas dessa vez há um motivo que nos faz pensar. É que em 2014, uma nuvem de gás chamada G2 passou bem pertinho do objeto e sobreviveu para contar história.

Se a "coisa" enorme e invisível que existe no centro da nossa galáxia fosse um buraco negro supermassivo, sua gravidade seria forte o suficiente para engolir uma pobre nuvem de gás, considerando a distância com que ela se aproximou do Sagitário A*. Então, como a G2 sobreviveu? Talvez não haja buraco negro algum! Ainda não é possível comprovar essa ideia "maluca", mas os cientistas em geral estão certos que há, sim, um buraco negro supermassivo por lá. E agora? Só nos resta esperar até que alguém prove alguma coisa.

Entenda melhor essa "treta" aqui.

NASA seleciona duas missões para estudar Vênus

(Imagem: Reprodução/Bruno Albino/Pixabay)

A NASA selecionou duas missões que investigarão Vênus entre 2028 e 2030. A primeira delas é a missão DAVINCI+, que tem o objetivo de coletar medidas da composição atmosférica do planeta "infernal" para entender melhor seus processos de formação e evolução. Entre outras coisas, a missão vai tentar descobrir se nosso vizinho já teve um oceano em sua superfície.

Por sua vez, a missão VERITAS vai fazer um mapeamento da superfície venusiana para descobrir mais sobre o histórico geológico do planeta e buscará entender por quê houve um processo de desenvolvimento tão diferente por lá, em comparação ao que tivemos aqui na Terra. Ambos os mundos são muito semelhantes em vários aspectos, mas enquanto a vida aqui floresceu, Vênus se tornou inabitável e tóxico.

Veja o que mais essas missões farão em Vênus clicando aqui.

Três missões privadas da SpaceX serão enviadas à ISS 

A SpaceX e a Axiom Space fecharam um acordo para uma nova maratona de missões que ocorrerão a partir do ano que vem e seguirão até 2023. Ainda não há muitos detalhes sobre as missões, como datas exatas ou nomes dos tripulantes, e muitos detalhes terão que ser aprovados pela NASA. De qualquer forma, o acordo deixou o cronograma da SpaceX bem apertado.

Além da missão privada que levará o bilionário japonês Yusaku Maezawa à ISS, a SpaceX tem planos para uma missão na órbita lunar com o foguete Starship, também levando Maezawa consigo, além de outros convidados que ainda serão selecionados. Por isso a agenda da companhia de Elon Musk ficou bastante agitada.

Confira mais sobre as próximas missões da SpaceX aqui.

Tecnologia de propulsão a íons pode encurtar missões chinesas a Marte

(Imagem: Reprodução/CMS)

O módulo Tianhe da estação espacial chinesa Tiangong-3 foi lançado em abril, com quatro propulsores de íons, que são capazes de reduzir bastante o consumo de combustível em missões espaciais. De acordo com O South China Morning Post, o Tianhe pode ser a primeira nave a transportar humanos com essa tecnologia.

Essa propulsão já existe há décadas, mas ainda não foi amplamente porque talvez não seja tão vantajosa assim, além de oferecer riscos para os componentes dos motores e aos próprios astronautas a bordo das naves. Mas a China apostou pesado na tecnologia e seus cientistas estiveram trabalhando (bem quietinhos, diga-se de passagem) para aprimorar a técnica da propulsão de íons.

Conheça um pouco melhor essa tecnologia aqui.

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