Rover Curiosity registra nuvens brilhantes no céu do anoitecer em Marte

Por Wyllian Torres | Editado por Patrícia Gnipper | 31 de Maio de 2021 às 22h40
NASA/JPL-Caltech/MSSS

No planeta Marte, os dias de céu nublado são raros em sua fina e seca atmosfera. Normalmente, as nuvens são encontradas nas regiões do equador durante a época mais fria do ano, quando, durante sua órbita oval de dois anos, o Planeta Vermelho está mais distante do Sol. No entanto, a chegada precoce dessas nuvens foi registrada pelas câmeras do rover Cursioty, da NASA, e chamou a atenção dos cientistas, pois, além de chegarem mais cedo, se formam em altitudes maiores do que o normal.

As nuvens precoces foram observadas pela primeira vez no final de janeiro deste ano. As imagens do Curiosity revelam pequenas nuvens cheias de cristais de gelo que espalham a luz do Sol poente, com algumas brilhando em cores. Apesar disso, mais do que uma bela paisagem marciana, os cientistas esperam entender mais da dinâmica dessas nuvens, inclusive o motivo de essas recentes serem diferentes.

Nuvens acima do Monte Sharp, na Cratera Gale, na qual o Curiosity se encontra (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

A equipe do Curiosity foi além: descobriu que as nuvens que chegam mais cedo também estão em altitudes mais altas do que o habitual. Normalmente, as nuvens de Marte são compostas por gelo de água e ficam a 60 km de altitude, mas os novos registros revelam que elas estão bem mais altas. Com isso, os cientistas acreditam que sejam formadas de gelo dióxido de carbono ou gelo seco; contudo, os pesquisadores precisam procurar por pistas sutis para entender quais são as de gelo de água ou de gelo seco.

Imagens obtidas pelas câmeras de navegação do Curiosity em 28 de março deste ano (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech)

Através das câmeras de navegação do rover, em preto e branco, é possível observar as estruturas finas e onduladas dessas nuvens, enquanto as imagens obtidas pela câmera colorida do Curiosity, a MastCam, revela o brilho dessas estruturas. Isso porque, logo após o Sol se pôr no horizonte marciano, os cristais de gelo suspensos nessas nuvens captam a luz fraca restante, fazendo com que pareçam brilhar em contraste ao céu escuro. Conhecidas como nuvens “noctilucentes”, elas se tornam mais brilhantes à medida que a quantidade de cristais de gelo aumenta, e escurecem logo que acaba qualquer luz do Sol.

Em 5 de março deste ano, a MastCam do Curiosity registrou uma visão panorâmica das nuvens iridescentes (Imagem: Reprodução/NASA/JPL-Caltech/MSSS)

O que mais chama a atenção são as nuvens iridescentes, ou madrepérola, cujas cores são as do arco-íris. O cientista atmosférico Mark Lemmon, do Instituto de Ciência Espacial em Boulder, no Colorado, explica que, quando uma nuvem com um conjunto de cores pastéis cintilantes é avistada, é porque suas partículas de gelo são quase idênticas em tamanho. “Isso geralmente acontece logo depois que as nuvens se formam e todas crescem na mesma velocidade”, disse.

As nuvens iridescentes são as estruturas mais coloridas que podem ser vistas no Planeta Vermelho, acrescenta Lemmon. Se um observador estivesse ao lado do Curiosity, ele “poderia ver as cores a olho nu, embora fossem desbotadas”.

Fonte: NASA

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