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Dentes antigos mostram que nativos americanos migraram da Ásia em onda única

Por| Editado por Luciana Zaramela | 03 de Janeiro de 2024 às 07h45

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PxHere/CC0/Domínio Público
PxHere/CC0/Domínio Público

Um estudo acerca das variações dentárias humanas revelou que os nativos americanos migraram a partir do leste asiático em uma onda populacional única, que se assentou primeiro na Beríngia e teve influências genéticas de povos do Ártico. As análises usaram tecnologia forense, o que gerou resultados condizentes com estudos que usam outros métodos, como os genéticos e arqueológicos.

O trabalho, que estuda a migração humana ocorrida há cerca de 16.000 anos, é do Grupo de Antropologia Dental do Centro Nacional de Investigação sobre a Evolução Humana (CENIEH). O time fica baseado na Espanha e é liderado por Leslea Hlusko, que se juntou ao pesquisador Richard Scott, da Universidade de Nevada, para publicar um artigo sobre as descobertas no periódico científico American Journal of Biological Anthropology.

Como dentes revelam migrações

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O software utilizado na pesquisa foi desenvolvido, inicialmente, para análises forenses, mostrando a ancestralidade de vítimas humanas não identificadas — em outras palavras, para determinar de qual população uma pessoa descende. Isso foi aplicado em fósseis de 1418 antigos habitantes de seis regiões diferentes entre Ásia e Américas, com milhares de anos de idade.

Os resultados mostraram que os povos originários das Américas têm um grau de afinidade maior com o leste asiático, caindo nessa classificação entre 10% e 15% das vezes. Isso sugere que as populações americanas descendem de populações do leste da Ásia que viveram na mesma época, o que é reforçado por pesquisas independentes, baseadas em outros dados.

As análises dentárias também reforçam a crença de que, durante a migração pelo Estreito de Bering, os povos acabaram se assentando na região por 5-10 mil anos antes de se deslocar de vez para as Américas. A Beríngia foi uma região composta pela ponte terrestre que está submersa no mar, no atual Estreito de Bering, sendo um verdadeiro “continente perdido”, mas bastante recente em relação a outras formações continentais do passado.

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Enquanto viveram no local, os humanos migrantes passaram pela última Era do Gelo, sendo submetidos a uma seleção ambiental intensa, ou seja, se adaptando melhor ao frio e às dificuldades da Beríngia.

Os dentes primitivos também mostraram que os nativos americanos possuem parentesco com populações do Ártico, mas, quanto mais longe da região essas populações estavam, menor é a sua afinidade com os americanos. Isso indica que os povos do Ártico migraram para a região mais tarde, e a similaridade entre seus formatos de dente são resultado da miscigenação entre os povos, que diminui à medida que a distância geográfica aumenta.

Fonte: American Journal of Biological Anthropology