SAIU O RESULTADO DO SORTEIO DO PRÊMIO CANALTECH!CONFERIR
Publicidade

Cientistas querem ressuscitar o dodô, pássaro extinto desde o século 17

Por| Editado por Luciana Zaramela | 01 de Fevereiro de 2023 às 18h08

Link copiado!

BazzaDaRambler/CC-BY-2.0
BazzaDaRambler/CC-BY-2.0

Se você tem alguma familiaridade com as espécies de animal já extintas do planeta Terra, então já conhece o pássaro de aparência curiosa que não voava e habitou as ilhas Maurício, no Oceano Índico, até o final do século XVII, quando foi exterminado pelo ser humano — o dodô (Raphus cucullatus). A chegada de marinheiros ao arquipélago trouxe espécies invasoras, como ratos e gatos, e práticas de caça que condenaram o animal à morte, especialmente porque ele não temia a presença de humanos.

Com técnicas de sequenciamento de DNA, edição genética e biologia sintética, cientistas buscam reviver a espécie, em um esforço que não apenas mira na proeza da manipulação genômica, mas também objetiva alcançar novas técnicas para conservação de pássaros ainda existentes em perigo de extinção. Especialistas indicam estarmos em uma crise de extinção atualmente, aumentando a importância da pesquisa.

Continua após a publicidade

Desafios genéticos do projeto

O empreendimento é encabeçado pela empresa de biotecnologia e engenharia genética Colossal Biosciences, da paleogeneticista Beth Shapiro, do empreendedor Ben Lamm e do geneticista George Church. Também há esforços da startup para devolver à vida os mamutes-lanosos (Mammuthus primigenius) e o tilacino, ou lobo-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus).

O primeiro passo da empreitada, segundo os cientistas, já foi feito, que é sequenciar totalmente o genoma dos dodôs com base em DNA antigo. Isso foi possível pela coleta de material dos restos preservados do animal, guardados na Dinamarca. Depois, a equipe comparou esses genes com os parentes mais próximos do extinto pássaro, o pombo-de-nicobar (Caloenas nicobarica), espécie ainda viva, e o solitário-de-rodrigues (Pezophaps solitaria), tipo de pombo gigante já extinto.

A parte que virá a seguir, no entanto, é bem mais difícil do que as anteriores, e consiste na programação de células de um parente vivo do dodô utilizando o DNA do extinto pássaro. A ideia é adaptar uma técnica já existente, que usa células germinativas (precursoras do óvulo e espermatozoide), já usada para criar uma galinha a partir de um pai pato.

Continua após a publicidade

Isso é feito ao retirar as células germinativas de um ovo, cultivá-las em laboratório, editando para chegar aos traços genéticos pretendidos e as devolvendo ao ovo na mesma fase de desenvolvimento. Caso se obtenha sucesso no processo, não teremos, na verdade, um dodô perfeitamente exato ao pássaro extinto, mas um animal híbrido, alterado.

O processo já é utilizado em galinhas para fazer "barriga de aluguel" (ou ovo de aluguel, neste caso) para dar à luz a espécies raras de galinha. Para chegar aos pombos, no entanto, o salto tecnológico terá de ser grande, já que estamos falando de uma espécie bem diferente. Um sucesso nesse quesito seria como o pouso na lua da biologia sintética, segundo especialistas.

Benefícios e controvérsias

Continua após a publicidade

As notícias também seriam boas para outras espécies avianas. Genes de pássaros que sofrem com uma doença específica poderiam ser modificados para lhes conferir imunidade, ou mudar a tolerância a temperaturas mais extremas, no caso de um aquecimento excessivo do clima.

Como qualquer processo de revitalização de uma espécie, o empreendimento traz consigo algumas controvérsias. Paleontólogos apontam que o investimento de centenas de milhões de dólares já levantado pela empresa poderiam ser usados para ajudar os pássaros vivos atualmente e em perigo de extinção. Apenas nesse clado, há 400 espécies em risco, para não falar em outros animais e plantas ameaçados.

Talvez exista, também, alguma culpa por parte dos humanos em relação ao dodô. Foi ele que introduziu o conceito de extinção à ciência: antes disso, se acreditava que todos os animais eram criações de Deus, e, por isso, estariam por aí para sempre. Nos anos 1600, antes mesmo de sabermos dos dinossauros, isso poderia até fazer sentido, mas poucas décadas de convívio entre humanos e dodôs os eliminou da face da Terra. Se trazê-los de volta aplacará a amarga conta, só o tempo dirá.

Continua após a publicidade

Fonte: CNN