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5 coisas que já descobrimos com a múmia de Tutancâmon, o jovem faraó do Egito

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Novembro de 2022 às 13h51

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Tarekheikal/CC-BY-4.0
Tarekheikal/CC-BY-4.0

Nenhuma múmia é tão famosa quanto a de Tutancâmon, faraó egípcio cujo nascimento é estimado em 1305 a.C. e que liderou seu reino por apenas 10 anos. Há 100 anos, em 4 de novembro de 1922, sua tumba foi encontrada, no Vale dos Reis, mudando para sempre a história da arqueologia e nossa compreensão do antigo império africano do Nilo.

As múmias são cobertas de superstição, mistério e curiosidades: desde maldições e crenças de que os corpos preservados levantarão de seus sarcófagos a absurdas crenças de que ingerir o pó dos restos mortais conferiria efeitos afrodisíacos, o mais importante, na verdade, são os conhecimentos científicos que conseguimos desvendar com os corpos embalsamados.

No mês de aniversário do achado da tumba mais importante do Vale dos Reis, que tal lembrar de 5 coisas que já sabemos pelo estudo do local de descanso final do jovem monarca — e de sua própria múmia?

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CSI Egito

A primeira pergunta de qualquer cientista será, certamente, acerca da morte de uma múmia encontrada em seu sarcófago. Embora a expectativa de vida do Egito antigo não fosse muito alta em comparação com os padrões atuais, Tutancâmon viveu pouco, mesmo para sua época — ele teria morrido com apenas 19 anos.

Com tomografias computadorizadas, exames de raios-X e de DNA, descobrimos que o jovem faraó tinha malária, lábio leporino e muitas outras condições de saúde. Além disso, ele teria quebrado uma das pernas pouco antes de morrer. Temos um bom panorama do estado de saúde do rei antes de sua morte, mas não sabemos como ele morreu: tudo que podemos concluir é que ele não foi assassinado, ou seja, não há sinais de envenenamento ou golpes fatais de qualquer natureza.

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Tanatopraxia antiga

O procedimento para embalsamar uma pessoa era padronizado no Egito antigo. Começando com a remoção do cérebro e dos órgãos internos, o corpo era então mergulhado em natrão, um espécie de sal que secava todos os restos mortais, gerando uma múmia que ficaria preservada por milhares de anos — embora ficasse com uma aparência seca e encolhida.

Os egípcios antigos acreditavam que a alma (que chamavam de Ka) precisava retornar ao corpo para existir no pós-vida, mas também que ela deveria conseguir reconhecer o corpo para que essa volta funcionasse. Para garantir que o rosto continuasse reconhecível, então, substâncias como a resina, ou breu, eram colocadas por baixo da face, destacando-a dos ossos. Foi o caso de Tutancâmon.

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Até pouco tempo, pensava-se que o jovem faraó havia sido embalsamado de forma rápida e grosseira, dado que sua morte foi súbita. Tomografias computadorizadas recentes, no entanto, mostraram que isso não é verdade: realizar o procedimento de preservação da face teria levado muito tempo e habilidade.

Flores milenares

Ao encontrar o corpo de Tutancâmon, em 1922, os arqueólogos notaram que ele vestia um colar feito de flores, que estavam em boas condições por terem sido lacradas no interior do sarcófago, junto ao monarca. Flores como essas já foram encontradas em outras múmias, mas esse foi o único caso em que o ornamento foi encontrado exatamente como os enlutados antigos o deixaram.

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As flores eram importantes para os egípcios, que pintavam as paredes dos túmulos com representações dessas plantas, especialmente as de jardim. Elas eram admiradas pela sua beleza, perfume e simbologia. Ao estudar o colar de Tutancâmon, descobrimos que as flores e frutas utilizadas eram de meados de março ao final de abril, com o enterro tendo acontecido neste período. Como a preparação do corpo teria levado 70 dias, o faraó muito provavelmente morreu durante o inverno.

Companhia no pós-vida

Apesar da imagem mental que temos de uma múmia isolada em seu sarcófago e tumba, descansando sozinha pela eternidade, o túmulo de Tutancâmon refuta essa imagem: ele foi sepultado em companhia de dois pequenos caixões, miniaturas dentro de uma caixa de madeira contendo dois fetos femininos. Em 2011, um estudo revelou o sexo e a idade das múmias, que tinham, em um dos casos, de 5 a 6 meses de gestação na hora da morte, e 9 meses, no outro, tendo morrido no nascimento ou logo antes dele.

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O mais provável é que tenham sido filhas de Tutancâmon com sua esposa, Anquesenamom, e tenham morrido antes do pai. Fetos mumificados são muito raros, embora os antigos egípcios mumificavam algumas crianças, mas mesmo essas múmias eram incomuns. Ter perdido as filhas foi um acontecimento importante para o antigo faraó, a ponto de querê-las próximas a ele no além-vida.

Ossos do ofício

A fama nem sempre é positiva. Tutancâmon nos trouxe muita informação sobre o Egito antigo e sua vida, mas nem todos são cuidadosos ao lidar com os restos mumificados. Sendo a múmia mais estudada do mundo — talvez competindo com Otzi, o Homem do Gelo —, o jovem faraó começou a ser estudado em 1925. Ávidos, os anatomistas o arrancaram do sarcófago à força, onde estava grudado com resina. Os membros e a cabeça acabaram sendo separados do torso no processo.

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Tomografias computadorizadas recentes mostraram que o corpo não está intacto e nem sequer completo: sendo a única múmia real conhecida a estar em sua tumba, no Egito, Tutancâmon teve a tumba invadida por alguém desconhecido, provavelmente durante a Segunda Guerra Mundial. Algumas de suas costelas foram cortadas e removidas na procura de amuletos ou joias.

Fonte: The Conversation