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Cientistas reconstroem rosto da primeira múmia grávida do mundo, com 2 mil anos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 11 de Novembro de 2022 às 13h30

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A. Leydo/Warsaw Mummy Project
A. Leydo/Warsaw Mummy Project

Quem acompanha o Canaltech já deve ter visto as notícias sobre a múmia grávida de 2.000 anos, que a ciência também descobriu ter morrido, muito provavelmente, de câncer. Agora, especialistas forenses utilizaram estatística, tecnologia e aproximações artísticas para reconstruir a aparência do corpo preservado da antiga mulher egípcia, gerando 2 hipóteses faciais.

A múmia foi escaneada via tomografia computadorizada e raios-x, gerando uma autópsia virtual que permitiu "ver" por baixo das bandagens e no interior do corpo preservado — mesma técnica que permitiu notar o possível feto em seu ventre, em pesquisas anteriores. Em ambas as reconstruções faciais, a mulher apresentou pele escura e jovem, com olhos castanhos e olhar perdido em pensamentos.

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Rostos antigos e a ciência forense

Chantal Milani, uma das cientistas forenses a participar do projeto, lembra que reconstruções do rosto de pessoas antigas não devem ser consideradas como retratos exatos da aparência de um indivíduo, mas uma sim uma aproximação artística. O crânio, assim como outras estruturas anatômicas, possui detalhes, proporções e formatos únicos para cada pessoa, se manifestando nos tecidos moles, o que personaliza a aparência.

Ela ainda comenta que a face cobrindo a estrutura óssea segue regras anatômicas diferentes, então alguns procedimentos padronizados podem ser aplicados na reconstrução, estabelecendo, por exemplo, o formato do nariz. O mais importante é a grossura dos tecidos moles em vários pontos dos ossos faciais: com dados estatísticos de várias populações pelo globo, é possível gerar uma boa aproximação de como a mulher antiga seria.

A múmia em questão já vinha desafiando as percepções dos arqueólogos há muito tempo: inicialmente, se acreditava ser um sacerdote masculino, mediante seu encontro, no século XIX. A Universidade de Varsóvia recebeu os restos mortais como um presente em 1826, sendo escaneados quase 2 séculos mais tarde. Como pouco se sabe acerca da múmia, ela recebeu o apelido de "Dama Misteriosa".

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Controvérsias da Dama Misteriosa

Ela tinha cerca de 20 anos quando veio a óbito, e pode ser a primeira múmia grávida do mundo, com o feto estimado em 28 semanas, preservado em seu ventre. Outros arqueólogos, no entanto, questionam esse achado, apontando que não há ossos esqueletais no suposto filho e nem um formato corporal definido — os restos seriam, então, materiais de embalsamamento embolados.

Wojciech Ejsmond, co-diretor do Projeto Múmia de Varsóvia, comentou ao Live Science que, para muitas pessoas, antigas múmias egípcias são apenas curiosidades de museu: o trabalho da equipe serviria, então, para re-humanizar os restos mortais que já foram, um dia, uma pessoa, com sentimentos e entes queridos, cujas mortes representaram uma tragédia.

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As reconstruções faciais da Dama Misteriosa, junto a uma representação holográfica da antiga egípcia, fazem parte de uma exibição do Museu da Silésia, na cidade de Katowice, na Polônia. Elas ficarão em exposição até o dia 5 de março de 2023, a todos os interessados em conferir pessoalmente o trabalho dos cientistas forenses e ter um vislumbre de uma humana de mais de 2.000 anos atrás.

Fonte: Museu da Silésia, Live Science