CES 2021 | Intel entra de vez na corrida pelos carros autônomos

CES 2021 | Intel entra de vez na corrida pelos carros autônomos

Por Felipe Ribeiro | 15 de Janeiro de 2021 às 18h15
Mobileye/ Intel Company

Os carros autônomos ainda não são uma realidade se considerarmos a produção em massa e a popularização desse que promete ser um divisor de águas no mercado automotivo global. Aqui no Canaltech já tivemos a oportunidade de avaliar inúmeros automóveis que contavam com tecnologias se segurança e condução que, de certo modo, se aproximam de um vislumbre do futuro, mas, entrar em um carro e deixar que ele guie por você ainda vai demorar.

A Intel, que recentemente adquiriu a Mobileye, aproveitou a CES 2021 para mostrar seus trabalhos em prol do desenvolvimento de tecnologias para carros autônomos. Como todos sabemos, a empresa não é uma montadora de automóveis, mas pode, muito bem, fornecer os recursos necessários para que as fabricantes façam seus próprios carros.

Nesta semana, aliás, a empresa fez duas apresentações sob o comando de Amon Shashua, presidente e CEO da Mobileye, que explicou como será a participação da companhia nessa corrida pelo desenvolvimento dos veículos autônomos (VAs) e de como tudo será conduzido.

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O Canaltech acompanhou tudo e trará os detalhes.

Agir em três frentes

Na última segunda-feira (11), Shashua deu uma rápida pincelada nos assuntos que seriam abordados em sua apresentação mais técnica, que aconteceria na terça-feira (12). O CEO da Mobileye, logo de cara, tratou de posicionar a imprensa e demais espectadores diante dos três pilares que serão seguidos para o desenvolvimento dos carros autônomos:

Assistência à direção — Chamado de ADAS (Advance Drive Assistant Systems), que pode ir de uma simples câmera frontal até 360º, com a configuração de várias câmeras com funções muito avançadas;

Coleta de dados por crowdsourcing — com base na tecnologia REM de mapeamento, será feita uma alimentação dos dados para a criação dos mapas nos sistemas dos carros;

Sistema autônomo full-stack — Com foco em serviços, esse pilar contempla a computação, algoritmos, percepção, política de direção, segurança e hardware.

Imagem: Intel

Segundo o executivo, essa abordagem resolve o desafio de escala tanto do ponto de vista tecnológico quanto de negócios. Ele explicou, também, que tornar os custos da tecnologia mais acessíveis e alinhados ao mercado para VAs do futuro é fundamental para tornar os planos de expansão global realidade.

Assistência completa na direção

Na apresentação técnica, Shashua explicou em detalhes como as tecnologias desenvolvidas pela Intel/ Mobileye funcionarão na prática. A primeira delas e que faz parte de um dos três pilares é a ADAS (Advance Drive Assistance Systems), que terá como base o sistema True Redundancy.

Imagem: Intel

Essa solução da Mobileye começa com uma câmera de baixo custo usada como sensor primário, combinada a um sistema de detecção secundário verdadeiramente redundante, permitindo um desempenho crítico de segurança pelo menos três vezes mais seguro do que os sistemas humanos. Com esse combo, a empresa é capaz de validar esse nível de desempenho em menos tempo e a um custo menor do que os sistemas tradicionais.

Construindo os mapas no sistema

O mapeamento colaborativo pensado pela Mobileye tem como base a tecnologia REM Mapping. Com esse sistema, a Mobileye já é capaz de mapear o mundo todo de forma automática e a uma taxa diária de aproximadamente oito milhões de quilômetros — até o momento, já foram identificados cerca de um bilhão. O processo de mapeamento se diferencia de outras abordagens na atenção a detalhes semânticos, fundamentais para que a capacidade do VA compreenda e contextualize o ambiente em que se encontra.

O processo de mapeamento automatizado da Mobileye usa tecnologia implantada em quase 1 milhão de veículos já equipados com a tecnologia avançada de assistência ao motorista da empresa. Para expandir esse funcionamento, já estão planejados envios de mais carros a cidades específicas, de modo a trabalhar melhor nessas captações. Os veículos estarão disponíveis para condução depois de realizados os treinamentos de segurança adequados. Essa mesma abordagem foi usada em 2020 para implantação dos VAs nas cidades de Munique e Detroit, feita em poucos dias.

Imagem: Intel

Ainda na apresentação, Shashua explicou que a empresa projeta um futuro com VAs equipados com sistemas de detecção e alcance baseados em ondas de luz e de rádio, aumentando ainda mais o nível de segurança nas estradas. As novidades apresentadas pela Mobileye e pela Intel irão fornecer esses recursos avançados de radar e LiDAR para VAs de forma inovadora, ao mesmo tempo otimizando a parte computacional e os custos das soluções.

Essa tecnologia de radar de imagem definida por software da Mobileye dispõe de 2304 canais, faixa dinâmica de 100 dB e nível de lóbulo lateral de 40 dBc que, juntos, permitem que o radar construa um estado de detecção bom o suficiente para a política de condução de apoio à condução autônoma.

Imagem: Intel

Com processamento de sinal de última geração e totalmente digital, diferentes modos de varredura, detecções brutas aprimoradas e rastreamento multiquadro, o radar de imagem definido por software da Mobileye representa uma mudança de paradigma na arquitetura, permitindo um salto de desempenho significativo.

Diante deste cenário, caso tudo corra dentro dos cronogramas esperados, o terceiro pilar também se contempla, o de uso dos carros autônomos como serviço.

Apesar de todas as inovações apresentadas, poucas montadoras trabalham, efetivamente, com o desenvolvimento de carros autônomos. A Ford, como dito pela Intel/Mobileye, é uma das interessadas e já participa de testes. Mas é possível quem com o passar dos anos, mais empresas possam se aproximar da tecnologia da Mobileye.

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