Signal vs Telegram: qual app de mensagens é mais seguro?

Por Rubens Eishima | 16 de Janeiro de 2021 às 16h00
Rubens Eishima/Canaltech

Em meio à confusão causada pelas novas regras de privacidade do WhatsApp, apps rivais, como o Telegram e Signal, viram sua popularidade disparar ao redor do mundo, inclusive no Brasil. Mas qual aplicativo respeita mais as suas informações e qual é o mais seguro para usar? Vamos tentar responder estas e outras perguntas a seguir.

Recursos

Tanto o Signal quanto o Telegram oferecem os mesmos recursos básicos do WhatsApp, com direito a grupos, acesso pelo PC, envio de mensagens que somem automaticamente, anexos de fotos, vídeos, áudios, documentos, GIFs e figurinhas (stickers).

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A principal vantagem do WhatsApp em relação aos concorrentes é o recurso de chamadas em grupo, para voz e vídeo, ainda em desenvolvimento no Signal e no Telegram.

Fora isso, os rivais se destacam pela opção de acesso em tablets e a opção de personalizar o visual com temas personalizados. Para quem se importa, ambos possuem o código-fonte aberto, sob a licença GPL.

Além disso, o Telegram tem a vantagem de oferecer canais, que funcionam como grandes comunidades com milhares de participantes. O aplicativo dá ainda maior liberdade para apagar mensagens e envios — opção que fica indisponível no WhatsApp após uma hora e no Signal, após três horas. Outro destaque do Telegram são os chats secretos, opção que bloqueia o encaminhamento e tenta alertar o usuário caso o destinatário tente capturar a tela.

Apps oferecem recursos parecidos (Imagem: Rubens Eishima/Canaltech)

O funcionamento do Telegram, que permite acessar a conta em diferentes dispositivos de maneira independente, complica a implementação do recurso de criptografia de ponta-a-ponta. A proteção contra curiosos está disponível apenas nos chats secretos e chamadas de áudio e vídeo, não valendo para mensagens comuns nem para canais.

Privacidade

Neste quesito — ponto chave na adoção dos apps alternativos — o WhatsApp perde de goleada, não à toa o Facebook protestou quando a Apple tornou obrigatório o sistema de selos na App Store para identificar a coleta de dados.

O novo sistema de informações da loja da Apple revela quais dados o aplicativo coleta sobre o usuário, com uma lista bem maior no WhatsApp do que nos rivais. O “Zap” justificou parte da enorme lista graças à integração de seus recursos a outros serviços do Facebook, mas mesmo assim a lista é capaz de intimidar qualquer usuário.

O Telegram por sua vez coleta apenas o nome e número de telefone, a lista de contatos (para buscar conhecidos para a lista de conversas) e um identificador do usuário. No caso do Signal, nem isso, já que o número de telefone é utilizado, mas não para associar o usuário a um identificador único:

Dados coletados pelo WhatsApp impressionam (Imagem: Reprodução/Apple)

Segurança

Neste ponto, o Signal justifica porque é o aplicativo recomendado pelo ativista Edward Snowden e pelo empresário Elon Musk: além da criptografia de ponta-a-ponta, o serviço permite criptografar todos os dados armazenados no celular. O recurso aproveita o bloqueio por senha do app, ferramenta disponível nos três aplicativos.

Além disso, o Signal criptografa todos os metadados do usuário, incluindo a foto de perfil, grupos nos quais participa e outras informações pessoais, impedindo o acesso não apenas por parte de curiosos, como dos próprios responsáveis pelo Signal.

O Telegram e WhatsApp oferecem, por sua vez, a opção de proteção da conta com autenticação em duas etapas (2FA), recurso não oferecido pelo Signal. Com a 2FA ativada, é preciso confirmar a identidade do usuário ao tentar ativar a conta em outro aparelho, dificultando a vida de curiosos mesmo em caso de clonagem do chip da operadora.

Número de usuários

O melhor serviço de mensagens não serve para muita coisa caso não tenha usuários. Nesse ponto, o WhatsApp ainda é líder absoluto, com mais de dois bilhões de utilizadores ao redor do mundo. Recentemente, o Telegram comemorou a marca de 500 milhões de usuários, em meio ao pânico causado pelas novas regras do “Zap”. Em contato com a reportagem, o Signal afirmou que não compartilha números públicamente, mas garante estar "quebrando todos os recordes que já estabelecemos”.

No Brasil, o WhatsApp está presente em praticamente 100% dos celulares, enquanto o Telegram registrava presença em 35%, segundo números da pesquisa Panorama Mobile Time de agosto. A edição de dezembro da mesma pesquisa identificou que o líder do segmento está presente na tela inicial dos celulares de 56% dos brasileiros, contra 7% do Telegram. Em ambas as edições do estudo, o Signal não foi suficientemente mencionado.

No final das contas, a principal barreira para a maior difusão do Signal e do Telegram é mesmo a popularidade do WhatsApp e a dificuldade de "converter" uma grande base de usuários. Mesmo assim, já vimos isso acontecer com serviços como ICQ, MSN Messenger ou ainda o Orkut.

Será que o WhatsApp tem chance de perder o lugar como o app queridinho dos brasileiros? Deixe sua opinião no campo de comentários abaixo.

Fonte: Panorama Mobile Time

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