CEO do WhatsApp renuncia ao cargo no Facebook após desavenças sobre privacidade

Por Jessica Pinheiro | 01 de Maio de 2018 às 10h46
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Ao final desta segunda-feira (30), o co-fundador, CEO e membro do conselho do Facebook, Jan Koum, escreveu uma publicação na rede social, anunciando que sairia da empresa de Mark Zuckerberg devido a desentendimentos com a administração por conta da privacidade dos dados do usuário do WhatsApp e uma suposta criptografia enfraquecida. Em nota, Koum ainda ressalta a necessidade de seguir com sua vida, tirando uma espécie de folga da tecnologia, e alega que continuará torcendo pelo sucesso do WhatsApp, mas de longe.

Em resposta ao comunicado, o CEO do Facebook comentou a publicação em sua rede social, afirmando que sentirá falta de trabalhar com Koum. “Sou grato por tudo que você fez para ajudar a conectar o mundo e por tudo o que você me ensinou, incluindo sobre criptografia e sua capacidade de obter energia de sistemas centralizados e colocá-los de volta nas mãos das pessoas. Esses ensinamentos estarão sempre no coração do WhastApp”, acrescentou Zuckerberg em resposta ao post.

A saída de Koum ocorre três anos e meio após a aquisição do WhatsApp pelo Facebook, e especula-se que ele possa ter investido grande parte de suas ações neste ato. Quanto ao que acontecerá com o conselho na rede social, ainda não está claro o que se sucederá com sua saída, tampouco se sabe quem assumirá o seu posto como CEO do WhatsApp – muito embora existam apostas de que Neeraj Arora, executivo de negócios da plataforma de bate-papo, seja um forte candidato para o cargo.

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Abaixo, você confere a polida e completa publicação de Koum, onde ele anuncia sua saída do Facebook e, por tabela, do WhatsApp:

Interesses desalinhados

A trajetória do WhatsApp juntamente ao Facebook não ocorreu da maneira que Koum imaginava. Apesar da compra ter sido firmada sobre o valor de US$ 19 bilhões, a contagem de usuários ter triplicado para 1,5 bilhão depois da aquisição em 2014. Na época, Koum e o co-fundador Brian Acton achavam que não seria necessário veicular anúncios ou mesclar seus dados com os do Facebook, mesmo em países em que o aplicativo é bastante popular.

Depois de um ano e meio, porém, o WhatsApp foi obrigado a mudar seus termos de serviço e fornecer os números de telefone dos usuários ao Facebook, com o intuito de segmentar melhor os usuários e indicar uma publicidade mais precisa. Com esta ação em prática, a rede social acabou sendo multada em US$ 122 milhões pela União Europeia em 2017.

Com a descoberta desta invasão à privacidade do usuário por meio do WhatsApp, Koum começou a se distanciar da empresa controladora, e uma fonte não identificada até mesmo afirma que ele estava pensando em se afastar por um ano. Acton por sua vez, deixou o Facebook em setembro do ano passado e apoiou publicamente o movimento #DeleteFacebook.

O ápice da história, de acordo como Washington Post, aconteceu quando Koum se irritou com os executivos do Facebook, que estavam pressionando-o a enfraquecer a criptografia de ponta a ponta do WhatsApp, facilitando o acesso das empresas e assim angariando lucros para a rede social por meio de publicidade centralizada.

Para Koum, a publicidade em aplicativos “é deprimente”, conforme ele disse à Forbes. Segundo o executivo do WhatsApp, não há sentido em aprimorar os anúncios para que a vida de qualquer pessoa melhore também. Sua crítica se estende às propagandas visuais que foram lançadas na tela de entrada do Messenger no último ano, e ao desejo do Facebook em expandir esse tipo de publicidade para o seu aplicativo de bate-papo também. Tudo isso, ainda antes do escândalo envolvendo a Cambridge Analytica, que colocou o rede social em uma posição bastante delicada nos últimos tempos.

Fonte: Washington Post, Tech Crunch

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