Conheça a trajetória de Jan Koum, criador do WhatsApp

Por Stephanie Kohn | 18 de Maio de 2017 às 18h03

Aos 41 anos e com uma fortuna estimada em US$ 9.5 bilhões, Jan Koum nem imaginava que a criação de um app de troca de mensagens mudaria tanto a sua vida e a forma como o mundo se comunica. O ucraniano percorreu um longo caminho até sua plataforma, o WhatsApp, atingir 1,2 bilhão de pessoas.

“As coisas eram tão difíceis que o banheiro da minha escola não ficava dentro do prédio. Imagine no inverno ucraniano, a menos 10 graus, crianças tendo de passar por um estacionamento para usar o banheiro”, disse Koum em entrevista à Medium. "A Ucrânia em 1976 era um país muito fechado. Eu não tinha nem água corrente em casa. Você pode ter lido 1984, mas só quem vivia lá sabe do que estou falando", complementou.

Aos 16 anos, Koum e sua mãe se mudaram para os Estados Unidos, deixando para trás o comunismo frente a um pequeno apartamento em Mountain View, na Califórnia. Na América do Norte ele passou a estudar sobre computadores comprando manuais de uma loja local e retornando os textos após serem lidos.

Apesar de parecer um prodígio ele confessou ser problemático na escola e quase não se formou no colégio. Mas conseguiu o diploma e se matriculou na universidade de San Jose. Em 1997, começou a trabalhar na Ernst and Young como testador de segurança e pouco depois conheceu seu sócio Brian Acton. O amigo levou Koum para o Yahoo e lá ele ficou por nove anos, chegando a gerência de engenharia de infraestrutura.

A grande ideia

Em 2007, ele e Acton saíram da empresa e passaram algum tempo viajando pela América do Sul. Após a viagem, a dupla tentou entrar para o Facebook, mas, ironicamente foram rejeitados. O empreendedor, então, teve a ideia de desenvolver um aplicativo que revelasse o status das pessoas em seus celulares. Koum criou WhatsApp no seu aniversário, no dia 24 de fevereiro de 2009, mas pouco tempo depois ele e Acton decidiram transformá-lo em um app de mensagens.

O primeiro escritório do WhatsApp foi dentro de um armazém em que eles dividiam com o Evernote. Inspirados pela filosofia do Yahoo, não queriam incluir anúncios na plataforma e eram obcecados pela privacidade dos usuários. “Nós queríamos saber o mínimo possível sobre nossos usuários. Nós não éramos direcionados pela propaganda, então não precisávamos de dados pessoais”, disse em entrevista à Wired.

Rapidamente o app começou a crescer organicamente sem qualquer campanha de marketing ou divulgação, especialmente em países menos desenvolvidos que dependiam muito de SMS. Em 2012, Mark Zuckerberg chamou Koum para um café e, a partir daí, passaram a se encontrar em eventos.

Negócio fechado

Dois anos depois, em 2014, na noite anterior da venda do WhatsApp ao Facebook, Koum sofreu um acidente de carro. Ele ficou até tarde na empresa repassando alguns pontos e, na volta, um de seus pneus estourou. Mas, para a alegria de Zuckerberg, nada aconteceu. No dia seguinte, o empresário assinou as papeladas em frente ao primeiro escritório do app como um gesto simbólico e oficialmente colocou US$ 6.8 bilhões no bolso.

Koum se uniu ao board do Facebook e concordou com o salário inicial de US$ 1 junto das ações que valiam milhões. Ele continuaria a tocar o WhatsApp em um escritório longe do Facebook. Junto do co-fundador Brian Acton, Koum comemorou a venda do app e seu aniversário de 38 anos no Mobile World Congress, em Barcelona, na Espanha, com muito champagne e festa.

Meses após a venda, o empreendedor iniciou seus projetos filantrópicos e doou US$ 556 milhões à Fundação Silicon Valley Community e outro US$ 1 milhão para o sistema operacional open-source FreeBSD. Segundo ele, foi o sistema que o tirou da pobreza já que ele só conseguiu o emprego no Yahoo porque usava a plataforma.

Dia a dia

Apesar de uma poupança bastante recheada de dólares, Koum não exagera nos gastos e é bastante reservado. Ele garante que a venda do WhatsApp só mudou 10% de sua vida. Ele ainda mora na mesma casa e tem os mesmos amigos. Um dos únicos excessos cometidos com a fortuna são os Porsches. “Para mim, o Porsche sempre representou o auge do sucesso. O desejo de ter um carro como este serviu como um grande incentivador para que eu trabalhasse cada vez mais”, comentou em entrevista de 2016.

O WhatsApp passou de 450 milhões de usuários antes do Facebook para 1,2 bilhão de pessoas ativas mensalmente. Ainda que os números sejam exorbitantes, o objetivo de Koum continua sendo crescer a base de usuários do app e aprimorar a plataforma. “Eu não paro de pensar um segundo em como posso tornar este produto cada vez melhor”, finalizou.

Se quiser saber mais sobre WhatsApp, relembre a negociação com o Facebook e os motivos pelos quais Zuckerberg quis comprar o app de mensagens.

Com informações da Business Insider.