Na GameXP, Oi mostra velocidade 5G e teste de “chamada holográfica”

Por Rafael Arbulu | 28 de Julho de 2019 às 17h00
(Foto: Rafael Arbulu)
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A velocidade 5G já existe em caráter comercial em outros países, como a Coreia do Sul. O mesmo vale para o Uruguai. No Brasil, a nova conexão ainda não tem data para chegar, mas isso não impede que as operadoras já comecem a conceitualizar aplicações que tirem uso do recurso.

Uma delas é a carioca Oi. A convite da empresa durante a Game XP 2019, o Canaltech teve a oportunidade de conhecer algumas novidades da operadora, bem como aferir algumas informações de mercado e a expectativa da companhia para o 5G em território nacional.

“Achamos que o 5G deve chegar ao Brasil em meados de 2021”, antecipa Mauro Fukuda, diretor de tecnologias de rede e plataformas da Oi. Ele confirma 5G já vem sendo estudado pela empresa desde o início do ano. Em março de 2019, a operadora executou um teste de experiência na cidade de Búzios, Rio de Janeiro, dentro da faixa de 3,5 GHz de frequência. Uma conexão similar foi implementada dentro de um estande dedicado da companhia na Game XP, que ocorre entre os dias 25 e 28 de julho, no Parque Olímpico da capital fluminense.

Mauro Fukuda, diretor de tecnologias de rede e plataformas da Oi, mostrando a conexão 5G da operadora (Foto: Rafael Arbulu)

A experiência 5G na Game XP reutiliza equipamentos que a Oi já havia implementado para as ofertas do chamado “4,5G” da empresa. Nas duas ocasiões — Búzios e agora —, a empresa expandiu a capacidade dos equipamentos atuais, além de contar com parcerias comerciais de fornecedores de peças para os testes. Na ocasião da Game XP, o smartphone em teste era um modelo da Huawei, mas a empresa esclarece que a gigante chinesa é apenas uma de diversas outras companhias com quem atua.

Vale lembrar: a Huawei tem situação estremecida com os Estados Unidos, onde a ordem executiva emitida pelo presidente Donald Trump a impediu de realizar negócios com companhias americanas. Tal ordem foi revogada após o encontro dos países que compõem o G20, no Japão, mas o tratamento que a empresa vem recebendo do mercado ainda é frio.

Isso não deve impactar a Oi, haja vista que a operadora conta com diversos parceiros comerciais, além de o 5G não estar no Brasil comercialmente: “Haverá o leilão da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações] no ano que vem, mas esse é um leilão de uso de frequência. Não temos que abrir fornecedores ao órgão e vamos ver isso mais próximo à época”, contou Mauro.

A fim de assegurar a estabilidade da conexão 5G, Mauro contou que a Oi emprega diversos mecanismos para garantir, em suas palavras, “que a conexão não caia”. “A primeira coisa é aplicar o contingenciamento de rede. Implementamos boas rotas de tráfego na entrada e na saída para o fluxo de dados. Nós já vínhamos preparando a nossa estrutura de rede para o 5G, com a Oi realizando diversas ações, como a expansão da rede de fibra, otimizando a rede de transporte de dados para reduzir a latência, promovendo o que o mercado chama de ‘colapsação de camadas’, ou seja, diminuindo o número de camadas de rede, rotas de roteamento, tudo para reduzir a latência. Outro ponto é na gestão: estamos trabalhando com toda uma preparação de sistemas, suporte e otimização de negócios da empresa para garantir a melhor prestação de serviços para o usuário do 5G”.

A grande vantagem do 5G, explica o diretor, é a de que a conexão já nasce sob o conceito de virtualização. Isso é um ponto importante, haja vista que a ampliação de estrutura física, embora necessária para receber a conexão, não será tão intensa, o que ajuda na redução de custos para a empresa. “Isso é uma tendência de mercado: não apenas o 5G, mas todas as operadoras estão implementando a virtualização em equipamentos, pontos de acesso e conexão”.

“O que falta é o ecossistema”, ele conta. “Para termos o 5G da mesma forma que tínhamos o 3G e temos hoje o 4G, não é só a disponibilidade da conexão que é necessária: terminais e pontos de acesso, smartphones que tenham suporte à tecnologia, tudo isso conta na hora de ativar uma conexão. Mas tudo começa com o leilão de uso da frequência intermediária de 3,5 GHz, programado pela Anatel para março de 2020”.

O executivo explicou ao Canaltech que está de olho nas avaliações da velocidade nos países onde ela se encontra disponível para o público: “Nós fomos a primeira operadora brasileira a testar o 5G no país, com o nosso piloto em Búzios, em março. Isso, e a observação do mercado global, nos dá o know how de implementar configurações e buscar resultados com base em nossas experiências e na de outros países também”.

Games, LGPD e onde mais couber o 5G

Nós aproveitamos a ocasião para perguntar à Oi sobre as possíveis aplicações que se beneficiariam do 5G, além da sua qualidade legal com a iminente chegada da Lei Gera de Proteção de Dados (LGPD):

"A Neutralidade de rede no Brasil foi estabelecida pelo Decreto do Marco Civil da Internet assinado em 2014 e garante o tratamento isonômico para qualquer pacote de dados, sem distinção de conteúdo, aplicação, serviço, origem/destino ou terminal. Desde lá muita coisa evoluiu, a Internet passou efetivamente a ser uma plataforma de serviços/aplicações e a Internet das Coisas iniciou uma nova era de serviços", comentou a Oi, via assessoria, com exclusividade ao Canaltech após o teste.

"A tecnologia utilizada nas redes 5G permitirá desenvolver uma infinidade de novos serviços e modelos de negócios, porém a questão da neutralidade limitaria significativamente o aproveitamento de todos os recursos trazidos pela tecnologia, especialmente para o tratamento de serviços que precisem eventualmente de uma priorização ou gestão de tráfego diferenciada como aplicações de missão crítica e de baixíssimo delay".

Sobre priorização, imaginamos que isso se refira a aplicações que exijam de maior volume de banda e estabilidade de conexão. A julgar pelas recentes movimentações de mercado, é seguro dizer que isso impacta os setores de streaming, como Netflix e Amazon Prime; além de oferecer insight sobre ferramentas que estão chegando, como o Stadia, da Google.

O Stadia, projeto de cloud gaming da Google, promete fazer amplo uso de redes de internet para streaming de jogos: a Oi indica que a sua estrutura já está preparada para receber produtos desse tipo

"Estas soluções de cloud gaming necessitam de requisitos superiores de velocidade e de latência para seu funcionamento e, da mesma forma que a Oi vem preparando sua infraestrutura de rede para suportar as futuras redes 5G, esta já está adequada para suportar esta nova modalidade de games por streaming", assegura a empresa. "Nesse sentido, a Oi vem expandindo continuamente a sua rede para suportar o crescimento dos serviços de dados e Internet tanto para os acessos fixos como móveis, especialmente através da ampliação do acesso via fibra (FTTH), modernização da rede móvel para o 4,5G e preparação para o 5G".

"A robustez e a capacidade da nossa rede de transporte, através da contínua expansão do nosso backbone OTN 100G, e das nossas redes core e de acesso IP (Single Edge), associada a nossa grande capilaridade da rede de fibra tanto no backbone quanto nas redes metropolitanas, são essenciais para essas novas tecnologias de games que necessitarem de altas velocidades e uma baixa latência na rede".

A Oi indica que algumas nações já estão revisando as suas regulamentações osbre a neutralidade da rede, priorizando uma readequação legal às novas aplicações. Alguns países, segundo a companhia, já até revogaram esse tipo de legislação, embora a Oi não dê nomes específicos. "Com relação a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, o tratamento e gestão das informações exige das operadoras providências e atenções especiais, que já estão em curso e são fundamentais para a garantia de proteção de dados e privacidade dos usuários e, que também serão observadas nas redes 5G".

Chamada holográfica

No mesmo estande, a Oi disponibilizou uma demonstração de tecnologia de “ligação holográfica”. Por meio de dois headsets de Realidade Virtual (VR), a empresa exibiu em funcionamento uma ligação via IP, com processos bastante similares ao que se vê hoje com o Facetime ou chamadas de vídeo via WhatsApp ou Facebook Messenger. Só que em VR.

Pela demonstração, o headset exibe um teclado numérico igual ao telefone na tela do seu celular. Você seleciona o contato e a chamada é realizada. A aparelhagem por trás disso parece ser mais complicada: no local haviam duas câmeras (especificamente, dois Kinect) filmando uma pessoa presente na chamada. A transmissão de uma câmera à outra e sua interoperabilidade com os headsets é que conduzia a ligação em si.

Foi uma demonstração interessante, e não tivemos qualquer latência, gargalo ou dificuldade. Considerando que a tecnologia nos foi mostrada por meio da conexão 5G da Oi no mesmo estande (ou seja, uma conexão móvel de smartphone), o resultado foi bem satisfatório.

Claro, a Oi não sabe se ou quando tal novidade estaria implementada no mercado. Para todos os efeitos, o que vimos foi apenas um teste de conceito da conexão em si. Mas que seria legal ter isso em casa, isso seria.

*Rafael Arbulu viajou ao Rio de Janeiro a convite da Oi.

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