[Exclusivo] CEO da Asus fala sobre Zenfone e mercado de smartphones

Por Wellington Arruda | 24 de Agosto de 2018 às 17h40

A Asus nasceu em Taipei, Taiwan, em 1989, com uma empresa (diríamos startup?) fabricante de placas-mãe, que depois passou a atuar em vários segmentos da tecnologia até chegar aos smartphones. No Brasil, a companhia ganhou notoriedade em 2014 quando lançou um smartphone para concorrer de frente com o Moto G.

Com a premissa de ser um smartphone de baixo custo, porém com boa experiência de uso e hardware potente, o Zenfone 5 chegou ao Brasil com preço entre R$ 499 e R$ 599. Essa mesma premissa vem sendo buscada pela companhia entre os seus lançamentos, tanto que o Zenfone 5, desta vez o novo, oferece opções de configuração que “ajustam” o seu valor.

Na semana de lançamento dos novos smartphones da linha Zenfone 5 no Brasil, o Canaltech teve a oportunidade de bater um papo com Jerry Shen, CEO Global da Asus. Jerry é o chefe de operações da empresa desde 2008 e sempre marca presença nos palcos das apresentações e conferências da Asus pelo mundo.

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E mesmo com essa diversidade de produtos, a empresa sempre destaca dois pontos da sua filosofia como guia das suas criações: design e inovação.

#backto5

A campanha #backto5, que faz referência ao reuso do nome ‘Zenfone 5‘, trata diretamente sobre esse assunto. Afinal, na época, o título foi utilizado porque o primeiro smartphone tinha uma tela de 5 polegadas, enquanto a maioria dos celulares não passava das 4 polegadas.

Neste novo Zenfone 5, a empresa aposta no segmento premium. “Eu acho que nossa estrutura evolucional mudou. Finalmente, depois de quatro anos, estamos vendo um cenário de crescimento. E as mudanças são grandes, especialmente no design [dos produtos]”, cita o CEO quando perguntado sobre o que havia mudado internamente na companhia nesse período entre o primeiro lançamento e o atual.

O segundo ponto, além do design, é a performance. Na verdade, a performance vem melhorando a cada ano, algo como 30% melhor ou até mesmo o dobro [em relação a geração anterior] [...] Em terceiro, as câmeras. Agora, saímos de uma “smart câmera” para uma “câmera inteligente”, com recursos únicos de inteligência artificial. Nosso quarto ponto foi a vida útil de bateria. Esta é uma combinação de processamento e também da capacidade da bateria. Toda a série 600 da Qualcomm acrescenta essa boa experiência de vida útil. Ah, e o último ponto é o áudio! Em um ‘teste cego’, colocamos um ‘muro’ entre o smartphone e o público, e então tocamos a mesma música no Zenfone 5 e no Galaxy S9, e alternamos entre eles. Você não consegue distinguir qual é qual.

O lineup de smartphones da Asus em 2018 ficou da seguinte maneira:

Assim como já fez anteriormente, a companhia oferece configurações internas diferentes (de RAM e armazenamento) para dar opções ao consumidor. Todos, porém, contam com câmeras duplas.

Em particular, a Asus acredita que o Zenfone 5z será uma espécie de divisor de barreiras para brigar com o Galaxy S9, LG G7, iPhone X e outros celulares de ponta. “Bem, nós chamamos ele de vez em quando… amanhã (16/08) nós vamos revelar o preço do Zenfone 5Z, e ele será um flagship killer.

Jerry faz questão de destacar que o pensamento da companhia é oferecer produtos de qualidade, mas sem pesar tanto no bolso do consumidor:

Quando nós tentamos entregar um novo dispositivo, um novo Zenfone, entendemos que um smartphone premium não precisa, necessariamente, ser caro. Como os da Apple, como o iPhone [X, dez]. Na mesma medida, um smartphone barato não precisa ser feio. É nisso que acreditamos.

Mercado brasileiro e fabricação local

Apesar do gosto pela tecnologia, o público brasileiro não é tão semelhante ao asiático. Tanto que a Asus prometeu atualizações para toda a linha por aqui, já que o software de câmera dos modelos está adaptado ao padrão deles.

Do mesmo modo, o público brasileiro tende sempre a optar por produtos de ponta: “As pessoas aqui no Brasil gostam de produtos premium. E, felizmente, eles vão gostar dos novos Zenfones. Partindo do design e inovação.

Outra coisa legal: Jerry esteve aqui no Brasil em todos os lançamentos dos Zenfones. “O Brasil sempre foi muito próximo do meu coração”, diz ele, acrescentando que faz questão de vir aqui para expressar sua gratidão.

E, já que estamos falando de Brasil, aqui vão alguns destaques do cenário mobile nacional:

Como explica o executivo, atualmente o Brasil é um dos países mais importantes para a Asus. Ele começa explicando que eles usam o termo “os quatro quatros”, onde o Brasil está relacionado por ser o quarto país da lista dos que mais consomem dispositivos móveis. ”Para a Asus o Brasil é, de fato, o quarto maior país. Está muito próximo de países como Índia, Indonésia e Taiwan.

A Asus já havia explicado que prefere esperar mais um pouco para lançar toda a linha de produtos em uma região, no lugar de simplesmente “chegar com alguma coisa”. Isso é bom, pois permitiu a produção local de todos os modelos da nova linha de celulares no país.

Os benefícios, claro, ficam para o valor final do produto. Mas, aqui vai uma notícia não muito legal: o ROG Phone, aquele smartphone gamer com cara de bravo, não deve chegar por aqui nem com a produção local: “O preço é muito alto, seria mais caro do que uma moto.

O notch e a ZenUI

Shen também comentou um pouco sobre o design do aparelho em comparação a outros, mas diz que no próximo ano sua companhia seguirá buscando novos modelos inovativos, assim como a indústria como um todo.

Os novos Zenfone 5 e 5Z são constantemente comparados ao iPhone X, da Apple, por causa do formato do notch no display e pela aparência geral; mas, na mesma medida, dezenas de outros smartphones seguiram o mesmo caminho.

O nosso design premium, assim nossos esforços e melhorias, precisa ser mais rápido do que o da evolução na indústria”, diz ele sobre a corrida das fabricantes para encontrar um bom balanço entre um design premium e a diferenciação de mercado.

Sobre o notch: nós queríamos uma relação de mais de 90% de tela em relação ao corpo. No Zenfone 4, por exemplo, é algo próximo de 72%”, cita, enquanto tira um Zenfone 4 (de uso pessoal, aparentemente) para comparar o tamanho dos celulares: 6,2” do Zenfone 5 contra 5,5” do antecessor.

A Asus também vem adaptando a ZenUI para o gosto dos consumidores, mas dessa vez aposta em um smartphone com experiência de Android Puro. O Zenfone Max Pro (M1) é o primeiro da empresa sem tantas modificações no software, o que coloca em questão, novamente, a retórica do Android Puro: afinal, ele existe ou não existe?

Este aqui [Max Pro], por exemplo, não tem a ZenUI dentro dele. Mas nós continuamos com a interface dentro dos outros modelos. No futuro, queremos que os usuários sintam a experiência do Android original, mas com algumas características da ZenUI, como a câmera inteligente.

Ainda sobre o software, Jerry destaca que a Asus oferece 18 meses de atualizações de patches de segurança e correções para seus produtos.

“Eu prefiro usar o leitor de impressão digital”

Outras boas adições ao Zenfone 5 estão no suporte da inteligência artificial, presente no software e no chipset da Qualcomm. Isso adiciona novas características à câmera, bateria, performance, som, tela e mais, o que também pode melhorar a utilização do reconhecimento e desbloqueio facial.

Nós categorizamos a Inteligência Artificial em duas partes”, explica Jerry. “A primeira delas é sobre como podemos melhorar a vida humana com coisas simples, como o AI Charging, ou AI Ringtone ou AI Boost. Já a segunda parte fica nas mãos do processador da Qualcomm, que ajuda no AI Câmera e na detecção de cenas.

O novo Zenfone carrega consigo um recurso chamado Face Unlock, presente nativamente em dispositivos Android, mas nem sempre utilizado como padrão. A companhia não utiliza nenhum hardware extra para leitura e mapeamento 3D, o que torna a solução menos segura do que o Face ID, do iPhone X.

Considerando a minha experiência de usuário, eu prefiro usar o leitor de impressões digitais”, disse ele quando perguntado sobre o recurso. Pessoalmente, concordo tranquilo com essa afirmação. De modo geral, pensando na segurança do smartphone, concordo pela segunda vez:

Eu acredito que no futuro nós teremos tecnologias melhores de leitura 3D. Porque sem ele, algumas vezes, se você usar uma foto [impressa] do seu rosto, o celular pode reconhecer como seu rosto verdadeiro”.

Mas, ainda há esperança. O executivo disse rapidamente “que, no futuro, a tecnologia de reconhecimento facial 3D será muito melhor”, mas decidiu não continuar tocando no assunto porque, né, vai que alguma coisa escapa. Estaria a Asus trabalhando em um sistema de reconhecimento facial 3D?

Já é hora de falar sobre o próximo Zenfone?

Sim, nossa conversa também chegou no Zenfone 6. Mas, ainda sobre isso: assim como o primeiro Zenfone 5, também já existe um Zenfone 6. Sabemos que não falta criatividade na Asus, mas será que a próxima campanha será #backto… 6?

Por mais que as pessoas estejam conhecendo agora a nova linha Zenfone no Brasil, é claro que a fabricante precisa pensar no futuro e no sucessor. Já vemos no mercado produtos como o Oppo Find X e o Vivo NEX com telas que ocupam praticamente toda a frontal, e estamos ansiosos pelo futuro.

Sobre isso, explica o CEO: “Posso te dizer duas coisas que estamos preparando: inovação e design, estes são meus pontos-chave. Como nesta geração, apostamos num display maior em toda a linha, com um notch e tudo mais, Acredito que a inovação aqui parta do design, das câmeras, performance, bateria e som, novamente.

A questão ou relação do design com inovação está intrínseca. Vemos essa mudança de perto, com displays que fogem da proporção 16:9 (18:9, 18,5:9, 19:9 e por aí vai) e recursos como reconhecimento facial e chips com suporte a inteligência artificial. Mas, ainda sobre inovações, Jerry comenta a corrida da Asus pelo 5G.

A fabricante taiwanesa de smartphones destaca a importância do processo inovativo no design, performance e mais. Mas, como dito durante a entrevista: “no próximo ano eu acredito que uma das coisas mais importantes para um smartphone será o 5G”.

Sabemos que o 5G é uma das tecnologias mais discutidas atualmente, já que nos próximos meses devemos conhecer os primeiros aparelhos com suporte à nova tecnologia. Para a Asus, aparentemente, este será um grande passo rumo ao topo:

Eu acredito que, no futuro, o 5G será um dos itens principais para a Asus, como oportunidade, para se tornar uma líder de mercado.

O que devemos esperar da nova linha


Os novos Zenfone já estão disponíveis no Brasil e atingem diversos segmentos do mercado. A companhia, confiante de que pode conseguir uma fatia dos consumidores de fabricantes como Motorola e Samsung, aposta no visual premium, em preços mais baixos e também em recursos de AI.

Nós queremos criar uma indústria empoderada, para que todos possam aproveitar”, explica o CEO, enquanto fala sobre o Zenfone 5 e 5Z como smartphones mais acessíveis, porém premium.

Nossa análise completa do Zenfone 5 já está disponível, e também estamos ansiosos para conferir de perto os próximos lançamentos da companhia.

Parceira da Qualcomm, é esperado que a Asus seja uma das fabricantes a receber a próxima plataforma 5G da companhia no início de 2019.

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