Review Galaxy M62 | Quando a potência encontra a energia

Review Galaxy M62 | Quando a potência encontra a energia

Por Felipe Junqueira | Editado por Léo Müller | 12 de Agosto de 2021 às 16h22
Ivo/Canaltech

A Samsung gostou de lançar celular com capacidade monstruosa de bateria e repetiu, em 2021, o que já havia feito com o Galaxy M51. Desta vez, ela trouxe um Galaxy M62 que não apenas tem 7.000 mAh de carga, mas também traz capacidade de processamento quase de topo de linha.

É que o celular intermediário tem em seu interior a mesma plataforma da série Galaxy Note 10, mais precisamente o Exynos 9825, que é considerado equivalente ao Snapdragon 855+. Mas chega de falar em números e especificações confusas e vamos ao que interessa: o celular da Samsung vale a pena ou não, afinal de contas?

No papel, é um aparelho muito interessante, com ótima ficha técnica em todos os campos: tela, hardware, bateria e câmera. E, apesar de alguns poucos poréns, o resultado final cumpre a promessa. Veja o que eu achei do Galaxy M62 em alguns dias de teste.

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Prós

  • Bom desempenho bruto;
  • Boa duração de bateria;
  • Tela com ótima qualidade;
  • Câmeras poderosas;

Contras

  • Sistema de som mono;
  • Tela com 60 Hz.

Confira o preço atual do Galaxy M62

Design e Construção

O visual do celular da Samsung é um híbrido de Xiaomi com Motorola, já que a traseira tem um acabamento em degradê — de azul para prata, no modelo que testei — e as câmeras ficam em um módulo quadrado muito parecido com alguns Moto G. Claro que estou falando apenas de aparência, já que as especificações do Galaxy M62 não têm nada a ver com as dos concorrentes.

A tampa traseira tem um efeito com linhas verticais em cor mais clara que a do acabamento, além do degradê de baixo para cima. O modelo veio para o Brasil em duas opções de cor: preto e azul, ambos em plástico brilhante tanto atrás como nas laterais.

Detalhe da traseira com conjunto quádruplo de câmeras e riscos verticais na tampa (Imagem: Ivo/Canaltech)

Como ele é uma espécie de atualização do Galaxy M51 — apesar de fazer parte de uma categoria, teoricamente, acima — dá para esperar dimensões parecidas, certo? E vai além: são exatamente as mesmas medidas, e o peso aumenta em cerca de 5 gramas, apenas.

  • Dimensões (A x L x P): 163,9 x 76,3 x 9,5 mm
  • Peso: 218 g

O Galaxy M62 tem leitor de impressão digital lateral, junto ao botão de energia. Na frente, a tela tem bordas mínimas e um furo centralizado na parte superior para abrigar a câmera de selfies. São aproximadamente 86,7% de aproveitamento do display em relação à parte frontal.

Tela

Display tem taxa de atualização de 60 Hz e furo na tela para a câmera frontal (Imagem: Ivo/Canaltech)

A tela tem brilho alto e cores bastante vívidas, com visualização muito boa para ambientes externos e equilibrada para o uso mais comum, em ambientes internos. A resolução é Full HD, com densidade de pixels próxima dos 400 ppp, e só o que o Galaxy M62 fica devendo em relação a modelos recentes de sua faixa de preço é uma taxa de atualização incrementada.

Assim como o Galaxy M51, o novo aparelho também tem tela de 60 Hz, que é o padrão da indústria já há alguns anos. Porém, começamos a ver cada vez mais celulares com 90 Hz ou até 120 Hz de taxa de atualização para mostrar tudo de forma mais suave e lisa na tela.

Mesmo assim, dá para assistir a filmes e séries sem nenhum problema no smartphone da Samsung, até porque esse tipo de conteúdo não é afetado pelo recurso. O display tem 6,7 polegadas e usa um painel Super AMOLED Plus, que garante, além do brilho alto, cores vívidas e bem destacadas.

A proporção da tela é 20:9, bem próxima do cinema, que deve reduzir bem as bordas pretas ao reproduzir filmes. No caso de você ter interesse em números mais exatos, a resolução é de 1080 x 2400 pixels e a densidade da tela é de 393 pixels por polegada.

Configuração e Desempenho

Como já mencionei, o Galaxy M62 tem a mesma plataforma que o Galaxy Note 10. Isso significa que repete processador, GPU e outros componentes importantes, então vai oferecer uma experiência em processamento gráfico e de dados bastante parecida com a do topo de linha da Samsung lançado em 2019.

Isso não significa que você vai ter um topo de linha para os padrão de 2021 em mãos, mas chega perto. E isso fica claro com os resultados do aparelho nos testes de benchmark, com pontuação muito mais próxima do que obtivemos no Moto G100 pelo 3D Mark do que no Moto G60 — para usar uma comparação entre um Snapdragon 870 e um Snapdragon 732G. Foram 3.504 pontos no Wild Life Extreme (versão Unlimited), cerca de 1.000 pontos a menos que o top da linha Moto G e quase 2.500 pontos à frente do intermediário.

De modo geral, o Galaxy M62 aguenta até com folga as tarefas mais pesadas de hoje em dia. Porém, é bom ficar de olho no superaquecimento, que pode causar instabilidade nos quadros por segundo durante os jogos ou até o fechamento forçado de câmera ou aplicativos. Durante nossos testes, o celular só aqueceu um pouco na gravação de vídeo, mas os jogos foram rodados em dias bastante frios de São Paulo, e a temperatura externa ajuda a manter a interna um pouco mais controlada.

"Então o smartphone não serve para tarefas pesadas? Não necessariamente. Tudo vai depender do seu tipo de uso: se alternar um período de mais exigência com um bom descanso para o dispositivo, dificilmente haverá problema."

As especificações completas de hardware ainda incluem 8 GB de memória RAM e 128 GB de armazenamento interno, com espaço para cartão micro SD de até 1 TB. A plataforma Exynos 9825, da Samsung, tem processador de oito núcleos divididos em dois Mongoose de 2,73 GHz, dois Cortex-A75 de 2,4 GHz e mais quatro Cortex-A55 de 1,8 GHz. O SoC tem litografia de 7 nanômetros e traz a GPU Mali--G76 MP12.

Interface e conectividade

O Android de fábrica já é a versão 11, e a Samsung deve atualizar o Galaxy M62, ao menos, por duas versões, além de três anos de updates de segurança. O dispositivo roda a interface One UI 3.1 Core, versão ligeiramente simplificada da interface da gigante sul-coreana comum na linha Galaxy M.

Infelizmente, não há suporte ao modo Dex, presente nos celulares mais poderosos da marca. Ou seja, não dá para ligar o Galaxy M62 em uma tela maior para usar como se fosse um computador.

Em conectividade, você poderá contar com Bluetooth 5.0, NFC, Wi-Fi dual-band (com suporte às frequências 2,4 GHz e 5 GHz), rádio FM e conector para fone de ouvido, além do USB-C para dados e energia.

Câmera

O conjunto fotográfico não tem sensor tão poderoso quanto o Galaxy Note 10, mas isso não significa que o aparelho seja ruim nesse sentido. O Galaxy M62 tem quatro câmeras na parte de trás, sendo uma principal de 64 MP, uma super grande-angular de 12 MP e mais duas com 5 MP, sendo uma macro e uma de profundidade. As selfies ficam a cargo de um sensor de 32 MP.

Além dos vários tipos de enquadramento diferentes, o dispositivo oferece modo manual, para você ajustar ISO, exposição e balanço de branco por conta própria. E tem também os modos panorâmica, comida e noturno, além dos modos de vídeo em retrato, vídeo profissional, super slow-motion, câmera lenta e timelapse. Outro diferencial que a Samsung começou a oferecer em intermediários é a possibilidade de fazer desenhos em realidade aumentada.

Sensor principal | 64 MP

Câmera principal consegue manter alto nível de detalhes mesmo com pouca luz (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Não espere fotos no nível de um topo de linha no Galaxy M62. Mas a qualidade geral é muito boa, com equilíbrio na exposição, cores bem destacadas e nível de detalhes muito bom. O celular se dá bem mesmo em ambientes com pouca luz, e o uso do modo noturno ajuda a clarear um pouco a imagem sem perder a nitidez.

O aplicativo de câmera tem um zoom digital de 2x para aplicar com o toque de um botão, mas aí dependendo da iluminação você vai perder alguns detalhes e pode até ver um pouco de ruídos (ou “sujeira”). Há cenários em que parece ter um embelezamento forçado mesmo sem um rosto na imagem, mas só notei isso em ambientes em que o aparelho precisa compensar um pouco a luz muito forte vindo só de um lado.

“Dá para tirar fotos realmente incríveis com o Galaxy M62, mas não dá para esperar nível equivalente ao de um topo de linha atual. Aliás, o aparelho fica um pouco abaixo até mesmo da linha Galaxy Note 10, mas na maior parte dos cenários consegue superar boa parte dos intermediários modernos”.

Super grande-angular | 12 MP

Campo de visão ampliado tem correção razoável de distorções nos cantos (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A câmera ultra wide segue a tendência nos smartphones atuais: qualidade próxima da principal em nível de detalhes e cores, mas a abertura menor na lente resulta em imagens mais escuras em ambientes com menos iluminação. Ao menos a Samsung libera o modo noturno no sensor super grande-angular do Galaxy M62, então dá para tentar aproveitar um pouco mais do campo de visão ampliado à noite.

Macro | 5 MP

Macro também consegue registrar muitos detalhes, apesar da baixa resolução (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

Não são muitos celulares com boa qualidade nas fotos macro, e o Galaxy M62 entra na lista do que conseguem entregar resultados bacanas em boa parte das vezes. Claro que ambientes pouco iluminados são um desafio maior, mas não há necessidade de luz ideal para a foto ficar minimamente aproveitável.

O nível de detalhes é muito bom, e as cores são bem equilibradas. Com criatividade, você consegue tirar fotos incríveis com este modo, e não sofre tanto para acertar o foco como acontece em modelos mais baratos.

Modo retrato e outros recursos

O grande diferencial do modo retrato nos celulares da Samsung é a possibilidade de alterar a intensidade do desfoque do fundo posteriormente. A empresa chama de “foco dinâmico”, justamente por isso, já que o usuário pode escolher o nível do efeito na hora de tirar a foto ou até meses depois do registro. O recorte é bem razoável e está em linha com aparelhos da categoria do Galaxy M62.

Infelizmente, o aparelho não tem uma quantidade de recursos tão grande. Ele usa inteligência artificial para reconhecer cenários e otimizar a imagem conforme o objeto a ser fotografado, e pode sugerir a troca do modo para comida ou macro em alguns casos.

Selfies | 32 MP

Modo retrato em selfies deixa a foto com aparência profissional (Imagem: Felipe Junqueira/Canaltech)

A Samsung ficou marcada como uma empresa que força demais o embelezamento nas selfies, com resultados que, muitas vezes, lembram um boneco de cera em vez de um ser humano no quadro. Felizmente, não é o caso deste modelo, que respeita satisfatoriamente as imperfeições do nosso rosto e entrega resultados bem legais independente da iluminação.

Claro que com pouca luz já fica mais difícil manter a estabilização, e se você não tiver calma, a imagem vai ficar tremida. Dá para usar o modo noturno para as selfies, também, mas dependendo da quantidade de luz no ambiente, pode demorar alguns segundos para o registro ser feito corretamente.

Vídeos

Assim como no Galaxy Note 10, este intermediário de 2021 faz gravações em vídeo com a resolução 4K tanto no conjunto principal quanto nas selfies. A qualidade de cores e nível de detalhes são semelhantes ao que vimos nas fotos, e o dispositivo tem foco rápido e consegue se adaptar às mudanças de luz com suavidade.

Sistema de Som

Talvez o maior ponto negativo do Galaxy M62 seja o sistema de áudio, que é mono. É verdade que intermediários com som estéreo são algo raro, mas seria legal que um aparelho que tem como uma das principais propostas entregar boa experiência multimídia tivesse esta característica.

Uma opção é aproveitar o conector P2 para usar um bom par de fones de ouvido, ou o Bluetooth para usar um fone sem fio estéreo.

Bateria e Carregamento

O grande destaque — entre várias ótimas características — é a bateria de 7.000 mAh. É claro que muita capacidade de carga não significa muita coisa, e não é raro ver um modelo com menos entregar tempo de uso estimado maior do que outro com tanque gigantesco. Felizmente, não é o caso aqui: a duração é incrível, e supera até mesmo o Galaxy M51.

A Samsung não divulga uma autonomia estimada, limitando-se a dizer apenas que a capacidade de carga é alta e a recarga é rápida (são 25 W, apesar de o adaptador que vem na caixa ser de 33 W). Eu realizei alguns testes para fazer uma estimativa de autonomia, e o resultado está dentro do esperado.

Na reprodução de vídeos na Netflix, o Galaxy M62 consumiu 11% da carga, o que dá mais de 27 horas para assistir a filmes e séries sem parar, isso com a tela em 50% de brilho. Vale a pena dizer que o aparelho tem brilho mais alto que os Moto G que tiveram esse mesmo resultado, ou seja, o display consumiu um pouco mais de carga. Dá para tirar mais tempo, até porque, ao menos a meu ver, a visualização ficou um pouco clara para ambientes internos.

Mantive as mesmas configurações de fábrica e a tela em 50% para usar o dispositivo por alguns dias. Um uso que fica entre o mediano e o mais pesado, com muita navegação na internet e redes sociais (incluindo Twitter, Instagram e TikTok), alguns jogos (Angry Birds 2, Pokemon Go, PUBG Mobile) e mensageiros instantâneos (Telegram e WhatsApp). Com 9,5 horas de uso e um total de 5,5 horas de tela, o Galaxy M62 ficou com 58% de carga restante.

Ou seja, dá para acreditar em dois dias de uso com folga. E se você reduzir o brilho da tela — lembrando que em 50% fica até claro para usar em ambientes internos —, a autonomia pode aumentar um pouco. E aí tudo depende de força do sinal da rede móvel e Wi-Fi, aplicativos em segundo plano e o que você precisa em um dia para, talvez, ficar mais tempo longe da tomada.

A recarga é bem rápida e você não vai precisar ficar muito tempo com o Galaxy M62 na tomada para poder voltar a usar o aparelho. Claro que de 0% até 100% vai dar um tempo considerável, mas em meia hora já dá para ter mais de 3 horas de uso tranquilo.

Concorrentes Diretos

Não é fácil encontrar concorrentes diretos para um modelo que tem bateria monstruosa e hardware de topo de linha como o Galaxy M62 — mesmo que seja uma plataforma de dois anos atrás. Mas há algumas opções interessantes no mercado que você pode ficar de olho se tiver interesse em algum aspecto específico deste modelo.

Por exemplo, se você quer a bateria de 7.000 mAh, tem o Galaxy M51, que ainda fica pouca coisa atrás em matéria de desempenho. E com a vantagem de já estar com preço quase na metade do que você vai achar o modelo novo hoje em dia. Os dois modelos da Samsung têm tela Super AMOLED, que é um bônus em relação a outros concorrentes.

Outra opção, que já rivaliza mais no quesito desempenho, é o Poco X3 Pro, que tem o Snapdragon 860, versão um pouco melhorada do Snapdragon 855+. A bateria é consideravelmente menor, com 5.160 mAh, mas fica de alternativa de outra marca ao Galaxy M62.

Por fim, para citar um Motorola, tem o Moto G100, que é mais poderoso, trazendo um Snapdragon 870. Porém, tem um pouco menos de carga de bateria, com 5.000 mAh. Mas tem duração para mais de dois dias de uso, também, então no fim das contas eles ficam próximos neste aspecto.

Conclusão

Uma espécie de cruzamento entre o Galaxy Note 10 com o Galaxy M51 e visual que mistura um pouco de Xiaomi e um pouco de Motorola, o Galaxy M62 é certamente um dos melhores intermediários lançados em 2021 até o momento. A carga de bateria é enorme e garante mais de dois dias longe da tomada, enquanto o processador é poderoso e dá conta do recado mesmo para jogos e tarefas pesadas.

Mas, como sempre, há alguns pontos negativos que é importante ter em mente antes de gastar o seu suado dinheiro neste modelo. Primeiro, a tela não tem taxa de atualização aumentada, fica limitada aos 60 Hz padrão da indústria. Segundo, o áudio é mono, e para ter uma experiência sonora mais bacana será necessário confiar em um fone de ouvido ou um alto-falante externo. Além disso, ele fica devendo alguns recursos mais avançados, como o modo Dex, por exemplo.

No geral, é um celular incrível, que chegou ao Brasil por R$ 3.500, mas logo no primeiro dia de venda já teve o valor reduzido em R$ 1.000. É verdade que você tem uma opção bastante parecida por preço bem menor atualmente no Galaxy M51, e dá para pegar o Galaxy S20 FE, que é mais poderoso, apesar de ter menos bateria, a preço próximo. Opção é o que não falta, e todos são muito bons. A questão é você saber qual é a sua prioridade e optar a partir daí.

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