Review Xiaomi Mi 11X | Tudo o que o Poco F3 faz, com outro nome

Review Xiaomi Mi 11X | Tudo o que o Poco F3 faz, com outro nome

Por Diego Sousa | Editado por Léo Müller | 02 de Agosto de 2021 às 15h15
Ellen Monike/Canaltech

Quando nos referimos à Xiaomi como uma das marcas de celulares mais confusas do mundo, não é exagero. O exemplo mais recente dessa bagunça é o Mi 11X, topo de linha lançado em abril deste ano também conhecido como Poco F3 em alguns mercados — como o brasileiro —, e Redmi K40, para o comércio chinês.

Assim como o Poco F3, já analisado aqui no Canaltech, que entrega uma ótima relação custo-benefício ao segmento topo de linha, o Mi 11X tem tudo para repetir a qualidade geral do irmão gêmeo, já que traz o mesmo chipset Snapdragon 870, a tela Super AMOLED de 120 Hz, câmera principal de 48 MP e preço abaixo da média em relação a outros smartphones premium da concorrência.

Nos últimos dias, tive a oportunidade de testar o mais novo topo de linha da Xiaomi e compartilho, nos próximos parágrafos, todas as minhas impressões sobre ele. Se gostar do aparelho, deixaremos um link de compra confiável para você adquiri-lo sem dores de cabeça!

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Prós

  • Visual robusto e elegante;
  • Tela Super AMOLED de qualidade;
  • Potência de sobra;
  • Câmeras competentes.

Contras

  • Bateria é abaixo da média dos topo de linha;
  • Só vende no mercado asiático.

Confira o preço atual do Poco F3 (Mi 11X)

Construção e design

Visualmente, o Mi 11X é idêntico ao Poco F3. Na tampa traseira, temos vidro como material predominante, revestido pela tecnologia Gorilla Glass 5. O modelo que testamos mistura tons mais escuros e um acabamento reflexivo, como se fosse um espelho. Apesar de muito bonito, essa opção de design é um "ímã para marcas de dedos".

O Mi 11X é visualmente idêntico ao Poco F3, ou seja, uma peça bem bonita e robusta (Imagem: Ivo/Canaltech)

O módulo de câmeras, por sua vez, segue o projeto da Xiaomi em seus aparelhos deste ano: a peça é bem robusta e tem dois níveis, um mais alto que o outro, assim como vimos no Mi 11. Considerando isso, eu tomaria cuidado com os sensores, pois eles ficam desprotegidos — felizmente, a chinesa envia uma capinha de silicone na caixa.

Se, até agora, o Mi 11X parece um legítimo smartphone premium, as bordas de plástico e a ausência de uma proteção contra água e poeira “equilibram” as coisas, justamente para ajudar a diminuir o seu preço final. Os cantos também são menos curvos quando comparado com o Mi 11, por exemplo, embora a pegada continue muito confortável e ergonômica.

  • Dimensões: 163.7 x 76.4 x 7.8 mm;
  • Peso: 196 gramas.

Todos os botões do Mi 11X ficam na lateral direita. O botão de energia, por exemplo, também serve para desbloquear o aparelho através das digitais. Durante os testes, o sensor falhou pouquíssimas vezes, mas a peça me pareceu mais dura que o normal, sendo necessário pressioná-la com mais força.

O Mi 11X não foge da proposta de outros modelos da fabricante, como os Redmi K40, Redmi Note 10 e Mi 11. Por isso, temos uma construção bem elegante e robusta, mesmo sem aumentar o preço final.

Conexões e slots

O conjunto de conexões do Mi 11X segue alguns dos principais smartphones da atualidade. A porta para carregamento e transferência de dados é USB-C 3.1, a mais atual presente num celular. Temos também Wi-Fi ax (Wi-Fi 6) e 5G.

O celular ainda traz Bluetooth 5.1, que não é a tecnologia mais recente disponível no mercado, mas já garante uma conexão rápida e estável para uso de diversos dispositivos. NFC para pagamentos por aproximação também está presente, além do já conhecido sensor infravermelho, que permite controlar TVs e outros aparelhos compatíveis pelo smartphone.

Na lateral inferior do Mi 11X há um slot de chips de operadora. Ele suporta apenas dois chips, ou seja, não é possível expandir ganhar mais armazenamento com um cartão de memória.

Tela

A tela do Mi 11X é outro grande destaque. São 6,67 polegadas com resolução Full HD estendida e tecnologia Super AMOLED que entrega cores extremamente vivas, contraste infinito e fidelidade de tons escuros. O brilho é bastante alto, atingindo 1.300 nits, segundo a própria Xiaomi, ideal para visualizar conteúdos mesmo sob luz do Sol.

Tela Super AMOLED do Mi 11X é uma das melhores que já testei (Imagem: Ivo/Canaltech)

Além disso, o topo de linha conta com 120 Hz de taxa de atualização e 360 Hz de amostragem de toque. Na prática, essa combinação deixa a navegação no sistema e em apps e jogos muito mais fluida e instantânea. O display do Mi 11X pode ser considerado um dos melhores do mercado, um pouco abaixo do Mi 11, mas batendo de frente com os Galaxy S21, Realme GT, Moto G100 e outros modelos.

Embora a Xiaomi não destaque nas configurações do aparelho, o Mi 11X tem taxa de atualização adaptativa, ou seja, a tela se adapta automaticamente ao conteúdo exibido para economizar energia. Durante os testes, utilizando o aplicativo Display FPS para medir em tempo real a velocidade que o visor se atualiza, somente percebi que o painel ficou em 60 Hz quando estava em standby.

A tela do Mi 11X é uma das melhores que já testei em um celular, trazendo cores excelentes, brilho intenso e navegação bastante fluida.

Alguns recursos do poderoso Mi 11 estão presentes por aqui, como o HDR10+, que aprimora a precisão de cores, brilho e contraste em conteúdos compatíveis; também temos o MEMC, tecnologia de inteligência artificial que adiciona quadros adicionais em vídeos de baixa qualidade para melhorar a reprodução das imagens; e o chamado “aprimoramento de HDR por IA”, este que processa vídeos usando efeitos de HDR.

A câmera frontal do Mi 11X fica posicionada num furo na região superior central da tela. O entalhe é bem pequeno e quase imperceptível, mas o aro é prateado, bastante semelhante ao dos modelos intermediários da linha Galaxy A, deixando-o mais visível.

Configuração e desempenho

Internamente, o Mi 11X também é idêntico ao Poço F3. O chipset é o Snapdragon 870, também presente no Moto G100, um dos mais potentes da atualidade. Não há nada que o smartphone não consiga rodar com perfeição, sejam jogos pesados, apps de realidade aumentada, editores de foto e vídeo ou mensageiros.

O modelo que testamos possui 8 GB de RAM e 128 GB de armazenamento interno, a configuração mais potente à venda, mas ele também pode ser encontrado com 6 GB de RAM e a mesma capacidade de memória. Não há expansão de armazenamento via cartão microSD, portanto seria interessante se o smartphone oferecesse mais opções de ROM.

Para quem gosta de números, o Mi 11X fez 964 pontos no teste do Geekbench de apenas um núcleo e 3.369 pontos no de múltiplos núcleos. O smartphone teve um resultado ligeiramente superior aos modelos Galaxy S21 Ultra 5G e S21 5G, ambos equipados com chipset Exynos 2100, teoricamente mais poderoso que o Snapdragon 870.

Sistema e interface

O Mi 11X já roda o Android 11 junto da interface MIUI 12.5, a mais recente da Xiaomi. Repito os elogios que fiz em outros aparelhos premium da chinesa: a navegação é bastante fluida e não parece tão pesada quanto há alguns anos. Além disso, os ícones são muito simpáticos, e a empresa ainda permite alterar o efeito de transição da tela inicial, algo incomum entre as modificações concorrentes.

Uma coisa que me agrada bastante na MIUI 12.5, e que poucas fabricantes fazem, é o agrupamento de aplicativos por categorias. Por exemplo, se você tiver muitos programas instalados, o próprio sistema os organiza entre comunicação, entretenimento, fotografia, ferramentas, notícias, etc.

Câmera

O conjunto fotográfico do Mi 11X é parecido com o do Poco F3 tanto em números quanto em qualidade. São três câmeras traseiras, sendo uma principal de 48 MP, uma ultrawide de 8 MP e uma macro, de 5 MP. Para selfies, o smartphone utiliza o mesmo sensor do Mi 11 tradicional, 20 MP.

O sensor principal de 48 MP do Mi 11X faz um bom trabalho no geral, porém bastante semelhante a de modelos intermediários da Xiaomi, como os Redmi Note 10. A definição é excelente, mas as cores não são tão vivas, principalmente em tons mais escuros e regiões de sombra. Com o HDR ativado, no entanto, as fotos saltam aos olhos.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

No modo retrato, o software de câmera faz um desfoque de fundo muito natural, algo comum entre os topo de linha da chinesa, mesmo em fotos de plantas. Com objetos, no entanto, percebi que as cores ficaram ligeiramente lavadas em relação ao modo normal, o que é incomum.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Quando a noite cai, o smartphone oferece um modo noturno bem competente, cortesia do chipset mais poderoso. O pós-processamento demora um pouco para aplicar as alterações, mas os resultados no geral apresentam brilho satisfatório e ruído controlado, mesmo perdendo um pouco de definição.

(Imagem: Diego Sousa/Canaltech)

Com relação à câmera ultrawide, os 8 MP não distorcem os cantos das imagens, o que é excelente, mas há perda de definição considerável em relação a outros aparelhos da categoria. Ainda assim, os resultados são ideais para publicar diretamente nas redes sociais.

Mantendo o bom desempenho dos celulares premium da Xiaomi em fotos macro, os 5 MP do sensor produz imagens acima da média, com definição aceitável, cores vivas e um desfoque de fundo feito por software que agrada bastante.

Em selfies, os 20 MP são os mesmos dos outros irmãos Mi 11, mas a qualidade não é semelhante. O sensor não lida muito bem com o balanço de branco, estourando as imagens no contraluz. Com o HDR ativado, os resultados são um pouco melhores, mas ainda ficam atrás dos irmãos Mi 11i e Mi 11.

Por fim, em vídeos o Mi 11X grava em 4K com apenas 30 quadros por segundo (fps), o que é ok, mas bem que poderia suportar 60 fps. A qualidade da gravação, no entanto, é muito boa, mantendo as cores vivas, definição excelente e uma estabilização competente, mesmo sem possuir um sistema de estabilização óptico (OIS).

Sistema de som

Quando o assunto é qualidade sonora, o Mi 11X tem dois alto-falantes, assim como o Poco F3, mas percebi que o som soava abafado em canções mais agitadas, como Birds, do Coldplay. O volume máximo também não é tão alto, mesma crítica que fiz ao Mi 11i.

Ainda assim, assistir a transmissões ao vivo e vídeos sem músicas no YouTube são experiências muito boas por aqui, já que o Mi 11X garante vozes bem definidas e volume agradável.

Bateria

Na bateria, os 4.520 mAh do Mi 11X não se destacam e ficam bem atrás do seu principal concorrente, o Moto G100. Reproduzindo um filme de três horas na Netflix, conectado apenas ao Wi-Fi e com brilho em 50%, o smartphone gastou 37%, enquanto o celular da Motorola, nas mesmas condições, utilizou apenas 14%.

(Imagem: Ivo/Canaltech)

No dia a dia, a autonomia do Mi 11X melhora um pouco. Após 30 minutos de transmissões ao vivo na Twitch, 30 minutos de vídeos no YouTube, 30 minutos de jogos e finalizando com 20 minutos de redes sociais, o aparelho foi de 100% a 75%, um número interessante.

Concorrentes diretos

O Mi 11X é exclusivo do mercado asiático e foi lançado por cerca de R$ 2,3 mil em conversão direta para a nossa moeda, sem considerar os impostos nacionais. Aqui no Brasil, você pode encontrar o smartphone, mas sob o nome Poco F3, já que eles são idênticos em todos os departamentos.

Seu principal concorrente aqui no Brasil é o Moto G100, topo de linha que também possui chipset Snapdragon 870, mas perde em tela, som e construção. Somente em bateria e câmera que o celular da Motorola leva ampla vantagem.

Conclusão

O Mi 11X é um topo de linha de respeito, trazendo tela, desempenho e construção dignas de um aparelho premium. A autonomia de bateria e as câmeras, por sua vez, não são os grandes destaques, sem contar com o sistema de som abaixo do Mi 11 padrão.

Se você curtiu o Mi 11X, no entanto, não é preciso ir muito longe para comprá-lo: o Poco F3 é praticamente o Mi 11X com outro nome e está disponível no Brasil por valores muito interessantes. Você vai ter tudo o que um genuíno topo de linha possui, com um preço muito bom considerando tudo o que proporciona.

E aí, curtiu o Mi 11X? O smartphone não está à venda no Brasil, mas você pode encontrar um conjunto idêntico por aqui com o Poco F3. Confira o link abaixo para comprá-lo!

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