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Crítica O Urso | Temporada 2 traz mais sabor e mais emoção

Por| Editado por Jones Oliveira | 22 de Agosto de 2023 às 20h05

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Reprodução/FX
Reprodução/FX

Quando a primeira temporada de O Urso foi lançada, apesar de ser uma série com momentos engraçados e divertidos, muito se falava do fato de ela ser um ataque de ansiedade em forma de série.

Por causa disso, e de sofrer desse mal da ansiedade, adiei muito o momento em que começaria a assistir aos seus episódios. Me arrependi amargamente, já que, apesar de realmente ser um soco por episódio, eles eram excelentes e colocavam O Urso entre as melhores produções da TV americana dos últimos anos.

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Qual não é a minha surpresa ao ver que a segunda temporada de O Urso, ainda que tenha seus momentos de puro caos, é muito mais fácil de se assistir por deixar para trás conflitos constantes, entregando uma trama que em alguns momentos beiram o otimismo, principalmente pelo desenvolvimento de todos os seus personagens.

O Urso agora é sobre todos

A primeira temporada de O Urso era centrada em Carmy, um chef de cozinha que assume o restaurante do irmão que cometeu suicídio e deixou tudo para ele. Desde o primeiro episódio, Carmy, interpretado por Jeremy Allan White (Shameless), parece estar sempre encarando uma luta perdida.

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Seja para ganhar o respeito dos funcionários, resolver os vários problemas do restaurante ou simplesmente conseguir compreender uma realidade em que seu irmão o deixou, Carmy vive sempre à beira de um ataque de nervos. Isso transformava a história em algo tenso, mas que conforme ela evoluía, essa tensão ia se dissipando pelo crescimento de Carmy e a presença do elenco de coadjuvantes.

Na segunda temporada, assim como o que aconteceu com Ted Lasso, a trama se expande para também mostrar mais desse elenco. Carmy ainda segue como o personagem principal, mas outras pessoas, como Sydney, interpretada pela excelente Ayo Edebiri (Tartarugas Ninja: Caos Mutante), e Richie, interpretado por Ebon Moss-Bacharach (Justiceiro), ganham destaque para mostrar mais porque são do jeito que são.

Esse foco no resto do elenco acaba tirando um pouco da tensão da primeira temporada, ainda que ela esteja bastante presente nos novos episódios. Porém, ver mais da vida dessas pessoas acaba tornando a série em algo mais otimista, fazendo com que o espectador torça cada vez mais para que eles se deem bem.

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O caos do ramo culinário

O final da primeira temporada de O Urso poderia muito bem ser o final da série, mostrando que Carmy pode finalmente ter encontrado aquilo que tanto queria, além de uma possível solução para os problemas do restaurante.

A segunda temporada pega exatamente daquele ponto para mostrar a criação de um novo estabelecimento, The Bear, e opera numa contagem regressiva bastante apertada para a inauguração do local. A tensão dos episódios está exatamente nessa corrida contra o relógio, com cada vez mais problemas logísticos e de organização do local do que propriamente culinários.

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Isso dá a brecha para que a relação entre os personagens, ponto alto da série, possa ser melhor trabalhada. Se a primeira temporada era boa nesse quesito, ela consegue ser ainda melhor na segunda.

Porém, O Urso ainda é uma série que gira em torno de Carmy e o restaurante que seu irmão deixou, e agora se transforma em algo que eles tanto sonhavam. Todo o drama e correria para conseguir deixar o lugar pronto para a sua grande estreia é o foco de boa parte do drama da temporada, dando um ritmo frenético, porém mais palatável para o público.

Lidando com a ansiedade

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Apesar de, à primeira vista, O Urso ser uma série que chega a ser engraçada pelo caos de tocar um restaurante em uma economia cada vez mais fragilizada, no fundo, ela acaba sendo sobre ansiedade e expectativas que nós criamos para nós mesmos.

Sobre lidar com o peso do passado e aprender a superá-lo para que não atrapalhe o seu futuro. Em dado momento da temporada, Carmy encontra uma velha conhecida da juventude a qual sempre teve interesse. Acompanhar ele tentar deixar seus traumas, sua autossabotagem, tentando encontrar a felicidade, é algo que chega a ser inspirador, ainda que ele tenha uma longa estrada para alcançar isso.

Ao mesmo tempo, acompanhar como Richie se vê perdido entre todas as mudanças que o cercam, fazendo com que ele chegue a questionar sua própria identidade e propósito na vida, é angustiante. O mesmo vale para Ebra, cozinheiro vivido por Edwin Lee Gibson (Fargo), que questiona suas habilidades frente aos desafios do futuro.

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No meio de todo o seu caos, O Urso acaba despertando ideias e sensações que apenas as melhores criações artísticas conseguem despertar. Existe a chance de você assistir às duas temporadas da série e ser ileso, mas também de acreditar, em meio a tantos problemas, existe meios de ser uma pessoa melhor e de ajudar as pessoas ao seu redor também conseguirem alcançar esse objetivo.

Porque no final das contas, é isso o que todos nós queremos. Nem que seja repetindo incessantemente "Sim, Chef!"

O Urso está disponível para assistir no Star+.