Crítica B.O | Comédia de Hassum faz rir, mas peca na originalidade
Por Diandra Guedes • Editado por Jones Oliveira |

Protagonizada por Leandro Hassum, a série B.O chegou à Netflix com a promessa de ser um pastelão divertido que satiriza a rotina policial da 8ª Delegacia de Polícia do Rio de Janeiro, na Tijuca, mas acabou se firmando como uma versão de Brooklyn Nine-Nine brasileira e caricata.
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A princípio, a premissa era boa. A trama acompanha Suzano (Hassum), um delegado amoroso e gentil que é transferido de uma cidade do interior para uma delegacia do Rio, e que tem a missão de prender uma gangue de caça-níqueis. O problema é que sua ingenuidade e seu jeito atrapalhado não passam credibilidade para seus colegas, que o tratam com desdém e fazem até uma aposta para saber quantos dias ele ficará na DP.
A partir de então, ele tem que se esforçar para mostrar que é capaz, mas acaba se metendo nas maiores confusões possíveis. Criada com o intuito de ser uma série leve, boba e até meio ridícula, B.O é aquele tipo de produção para assistir quando se está triste ou quando se quer maratonar alguma coisa aleatória no streaming. E realmente é isso que o enredo entrega: um texto sem profundidade.
Até então, não há problemas, mas os erros começam quando a obra decide não aprofundar em nada os personagens, desperdiçando alguns talentos como o de Digão Ribeiro, que vive o Rabecão, e de Cauê Ramos, que vive o Wi-Fi. Além disso, ao se aproximar demais do que já foi apresentado na famosa Brooklyn Nine-Nine, o enredo parece um tanto caricato.
Tudo bem beber da mesma fonte e até fazer uma sátira, mas a série caiu um pouco no ridículo, tentando imitar alguns aspectos. Um exemplo disso é que Guerra (da brilhante Babu Carreira) se assemelha à Gina (Chelsa Perretti), as reuniões bagunçadas na delegacia se parecem muito com o que já foi visto na produção dos Estados Unidos, sem contar que B.O ainda replica a cena dos suspeitos cantando I Want It That Way, só que dessa vez em uma espécie de cover de Sandy & Junior.
Talvez se tivesse focado mais em elementos próprios, a série seria melhor aproveitada. Outro ponto que deixa a desejar é a construção do triângulo amoroso entre Suzano, a inspetora Mantovani e o delegado bonitão. Quando parece que vai engatar, o foco muda e a história fica incompleta.
Elenco brilha e Luciana Paes se destaca
Ainda que tenha erros, o que chama atenção em B.O é o elenco brilhante. Babu Carreira já fazia sucesso como comediante stand-up e não fez feio na ficção assim como seus colegas. Mas o grande destaque realmente ficou para Luciana Paes, que ao contrário de toda galhofa, manteve uma pose séria para emplacar uma inspetora durona.
Esse contraste fez bem à série, dando um bom ritmo à produção e serviu para reforçar o talento da atriz que já tinha brilhado em papéis cômicos e em outros bem mais densos, como Sara no terror O Animal Cordial, e Mônica na série Me Chama de Bruna.
Outras duas boas adições foram os veteranos Taumaturgo Ferreira como um inspetor que se recusa a envelhecer e a divertida Louise Cardoso como a mãe de Suzano. E, por falar nele, Hassum entrega o que já lhe era esperado e o que ele mostra em quase todos os filmes que estrela: uma atuação consistente e comum. Fazendo uma comparação simples, pode-se dizer que ele é o nosso Adam Sandler: bom na comédia, agrada no drama, e entrega personagens bobões e divertidos.
Por fim, B.O não é de todo ruim, e se firma como um besteirol gostoso de ver. No começo dá vergonha, mas se o espectador se deixar levar pela trama conseguirá dar algumas boas risadas. Ainda assim, não dá para negar que a série pecou na originalidade e poderia ter sido melhor desenvolvida. Tomara que uma possível segunda temporada consiga consertar as falhas.
Lembrando que quem quiser dar uma chance à série, encontra os oito episódios completos na Netflix.