Para Google, banimento da Huawei pode criar novo risco de segurança aos usuários

Por Felipe Demartini | 07 de Junho de 2019 às 11h41
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O banimento à Huawei, imposto pelo governo dos EUA sob uma preocupação com a segurança nacional, pode acabar criando novos riscos para usuários e empresas. Essa seria a visão da Google, de acordo com reportagem publicada pelo Financial Times, em que a gigante aparece criticando a criação de uma nova versão do sistema operacional Android que deve ser, invariavelmente, menos segura.

De acordo com a gigante, as sanções impostas à Huawei levarão a uma fragmentação do mercado, com dois formatos do Android: o chamado pela Google de genuíno e o “híbrido”, uma vez que a empresa não pode mais fazer negócios com a chinesa por conta das regras impostas por Donald Trump. Para circundar essa integração, a fabricante asiática teria que realizar uma série de trabalhos adicionais que resultariam em bugs e portas abertas para hackers não apenas inimigos dos americanos, mas todo tipo de criminoso interessado nas informações dos usuários.

Esse seria o argumento usado por executivos da Google em conversas com o governo do país, pedindo uma extensão do prazo para a realização de negócios com a Huawei ou, então, uma exceção completa em prol da segurança. Após o banimento, a empresa chinesa recebeu um prazo de três meses, que se encerra em agosto, para abandonar os negócios com companhias dos Estados Unidos ou adaptar serviços de infraestrutura para que funcionem sem sua interferência.

A ideia da Huawei é criar uma versão própria do Android, a partir do código aberto do sistema operacional, para que seus celulares funcionem sem a necessidade de participação da Google. Para quem já possui os celulares da marca, o banimento também implica no não recebimento de atualizações, algo que também deve ser responsável por colocar a segurança dos usuários em risco.

Os relatos publicados pelo Financial Times não foram confirmados, mas fazem parte do lobby que empresas de tecnologia têm feito junto ao governo dos EUA por conta da disrupção causada pelo banimento da Huawei. Companhias como Qualcomm, Broadcom e Intel também estariam argumentando com a administração Trump sobre o assunto.

Em comunicado oficial, a gigante não negou nem confirmou as tentativas de negociação, afirmando apenas que, como outras empresas americanas, dialoga com o Departamento de Comércio americano de forma a garantir o encaixe nas novas regras. Seu foco, afirma, é a segurança dos usuários de seus serviços e também dos milhões de donos de aparelhos da Huawei que rodam um sistema fornecido pela companhia.

Já o Departamento de Comércio afirmou que as conversas com companhias são comuns e sempre voltadas para questões regulatórias, principalmente no que toca a importação e exportação de componentes. De acordo com o órgão, esse tipo de troca não é novidade nem começou a acontecer após o banimento da Huawei, com o governo mantendo como sua prioridade máxima a proteção da segurança nacional.

A Huawei não se pronunciou sobre as declarações publicadas na imprensa americana. Para a empresa, o relógio está correndo para a criação de um novo sistema operacional baseado em Android que possa garantir a continuidade de seus trabalhos no setor mobile. De acordo com os rumores, a plataforma se chamaria Ark OS, mas ainda não teria data para ser lançada.

Fonte: Financial Times

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