Vacina chinesa contra a COVID-19 pode ser entregue em novembro, diz cientista

Por Fidel Forato | 17 de Setembro de 2020 às 16h30
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Na corrida por uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19, pesquisadores na China apostam que terão acesso a um imunizante ainda em novembro ou dezembro deste ano. Afinal, o país foi o primeiro a inciar testes de uma fórmula para imunizar humanos contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2), em abril. Agora, com os bons resultados dos estudos clínicos e a produção já em andamento, a previsão pode se oficializar, já que há tês vacinas na terceira e última fase de testes.  

É esta a opinião de um dos cientistas do Chinese Centre for Disease Control and Prevention, Wu Guizhen. Inclusive, o próprio pesquisador integrou um grupo experimental para os testes de uma das vacinas chinesas. “Tenho me sentido bem nos últimos meses, nada de anormal, o processo de inoculação não causou dor localizada”, afirmou o cientista na segunda-feira (14), durante um programa televisivo chinês.

Com três potenciais vacinas contra a COVID-19 na última etapa de testes, a China deve apresentar imunizante pronto em novembro (Imagem: Cottonbro/Pexels)

Quem, em parte, colabora com essa perspectiva otimista de uma potencial vacina chinesa é a Organização Mundial da Saúde (OMS). Isso porque, segundo o último relatório divulgado pela entidade, 180 vacinas estão em processo de desenvolvimento, sendo que 35 já estão em fases de testes com humanos.

Desse total, nove estão na terceira fase de testes, incluindo três imunizantes desenvolvidos por empresas e farmacêuticas chinesas. As potenciais vacinas são desenvolvidas pelas seguintes organizações: Sinovac Biotech; Sinopharm; e CanSino.  

Diante desse cenário, o Guizhen se declara “otimista” quanto à eficácia e à segurança das candidatas do país. “Nós esperamos que elas sejam eficazes de um a três anos, mas os resultados serão observados por mais tempo”, explica, sobre a expectativa de tempo de imunização contra a COVID-19 promovida pelas candidatas.

De acordo com o presidente chinês Xi Jinping, todas as vacinas que estão sendo desenvolvidas na China contra o novo coronavírus serão de benefício global e estão disponíveis para todas as nações. Inclusive, o Brasil tem um acordo de transferência de tecnologia para a produção nacional com uma das candidatas.

Vacinas da China contra a COVID-19

Sinovac Biotech

Em novembro, China deve apresentar uma vacina contra a COVID-19 (Imagem: Divulgação/Governo de São Paulo)

Entre as candidatas chineses contra a COVID-19, está a vacina desenvolvida pela farmacêutica Sinoavc Biotech e é conhecida pelo nome Coronac. No Brasil, nove mil voluntários participam da pesquisa de fase 3, divididos entre os estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Paraná, além de Brasília, com coordenação do Instituto Butantan. Inclusive, caso aprovada, o Brasil terá condições de produzir o imunizante nacionalmente. 

Esta vacina é inativada, ou seja, contém apenas fragmentos inativos do novo coronavírus. Com a aplicação de duas doses do imunizante, é esperado que o sistema imunológico de cada paciente comece a produzir anticorpos contra o vírus da COVID-19, promovendo proteção eficaz e segura. 

Sinopharm

Outra farmacêutica chinesa, a Sinopharm, também tem um imunizante na última etapa de testes. Semelhante ao modelo anterior, esta vacina tem como base o coronavírus inativado. No processo de pesquisa, a fase 3 de testes foi inciada em setembro nos Emirados Árabes Unidos e contempla cerca de 15 mil voluntários. De acordo com a própria empresa, o modelo estará disponível para o público já no final do ano.

Inclusive, a farmacêutica firmou um acordo para eventuais testes e produção nacional com o governo do Paraná. No entanto, a pesquisa ainda não foi inciada no Brasil, segundo o último informativo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre o tema. 

CanSino

Fabricada pela empresa de Pequim CanSino Biologics, esta foi a primeira vacina potencial contra a COVID-19 a ter patente aprovada na China. O imunizante usa o adenovírus de tipo 5 (Ad5), conhecido por desencadear um resfriado comum em humanos, para transportar material genético do novo coronavírus para o corpo. A técnica é chamada de vetor viral e é a mesma tecnologia usada pela farmacêutica norte-americana Pfizer com a empresa de biotecnologia alemã BioNTech.

Fonte: Anvisa Exame    

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