É verdade que a China está distribuindo vacina contra a COVID-19 não aprovada?

Por Fidel Forato | 31 de Julho de 2020 às 17h45
Pixabay

A corrida por uma vacina contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) está movimentando aos maiores empresas farmacêuticas do planeta e centenas de pesquisadores. Até o momento, seis potenciais imunizantes contra a COVID-19 estão em fase final de testes, sendo que três (Sinopharm, CanSino e Sinovac Biotech) são chineses. No entanto, uma delas obteve uma licença especial de uso, por causa da pandemia.

Por enquanto, nenhuma vacina concluiu os ensaios de terceira fase, onde são estabelecidos a dosagem correta, a eficácia e a segurança dessas fórmulas contra a COVID-19, a partir de testes em milhares de pessoas. Toda essa é pesquisa também costuma ser detalhada em artigos científicos, para que outros pesquisadores possam avaliar e, eventualmente, discutir esses resultados.

Estatais chinesas ofereceram vacina contra a COVID-19 para funcionários, ainda em fase de testes (Imagem: reprodução/ Pixabay)

Mesmo com os ensaios clínicos em andamento, o China National Biotec Group (CNBG), uma subsidiária da farmacêutica Sinopharm, disse para empresas estatais do país que as vacinas estavam seguras e prontas para ser usadas pelos funcionários, segundo o Quartz.

Entenda a história

Em junho, uma subsidiária da China TravelSky Holding Co, que é uma empresa estatal de viagens, enviou um comunicado sobre seus funcionários de que duas vacinas contra COVID-19, desenvolvidas pela Sinopharm, eram seguras e eficazes. Inclusive, os medicamentos estavam disponíveis para funcionários de empresas estatais que trabalham em aeroportos e em viagens internacionais, ocupações que podem ser consideradas de risco. No entanto, o texto não reconhecia que as vacinas ainda passavam por ensaios clínicos.

Em paralelo, outro comunicado foi enviada para os funcionários da estatal PetroChina. No texto, se oferecia a oportunidade de estar entre os primeiros receberem uma vacina contra a COVID-19. Novamente, não se mencionava os possíveis riscos de se utilizar o produto.

A questão é que esses funcionários não estão recebendo vacinas como parte de ensaios clínicos, mas receberam vacinas contra o coronavírus em uma base de "uso de emergência". Caso participassem, formalmente, de um ensaio clínico, seriam acompanhados e teriam todos os sintomas analisados. É o que acontece com inúmeros profissionais de saúde no mundo.

Não há vacinas seguras

Vacinas não devem ser apresentadas como segura e eficaz, enquanto testes estiverem em andamento, defendem os cientistas. "Parece estranho que uma vacina seja caracterizada como 'segura' antes da conclusão dos ensaios da fase três em dezenas de milhares de receptores", argumenta Paul Offit, diretor do Centro de Educação de Vacinas do Hospital Infantil da Filadélfia, nos Estados Unidos.

"Eles [os testes] exigem centenas, senão milhares, de participantes por um longo período, porque precisamos detectar possíveis eventos adversos que podem não se manifestar, imediatamente, após a administração", explica Alex John London, diretor do Centro de Ética e Política da Universidade Carnegie Mellon, nos EUA.

“Mesmo que a vacina seja benigna, se as pessoas pensam que estão protegidas quando não estão, podem se expor a riscos que, de outra forma, evitariam e aumentam suas chances de adoecer”, pondera o diretor London.

Até o momento, estudos científicos publicados por empresas chinesas mostram resultados positivos para as vacinas, em desenvolvimento, contra a COVID-19. No entanto, é somente após a conclusão dos testes que sua eficácia é comprovada. Segundo o Quartz, o CNBG não se manifestou a respeito da história ainda.

Fonte: FuturismQuartz e The New York Times  

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