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Tecnologia do Bem | Doação de sangue

Por| 28 de Maio de 2018 às 07h50

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Tecnologia do Bem | Doação de sangue
Tecnologia do Bem | Doação de sangue

Muitas vezes a tecnologia é apontada como vilã em diversos cenários, mas nós sabemos que o lado negro da Força está longe de ser o que domina o mundo tech. Para mostrar o outro lado da moeda, separamos um cantinho especial no Canaltech para falar sobre como a tecnologia pode ser usada para o bem.

Hoje, vamos falar um pouco sobre sangue, mais precisamente sobre como a doação pode ser otimizada com a ajuda de pesquisas e o avanço da tecnologia. O tema foi escolhido porque, na última quarta-feira (23), o Facebookanunciou um novo recurso para incentivar a doação de sangue no Brasil.

Em parceria com o Ministério da Saúde, a ferramenta ajuda a notificar doadores quando os bancos de sangue próximos a eles realizarem eventos de doação ou solicitações urgentes. Mas esta não é a primeira vez que a tecnologia é usada para otimizar o processo de doação de sangue.

Um pouco de história

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Os primeiros experimentos de transfusão com sangue animal aconteceram em meados de 1665 e, apesar de o registro de transfusão com sangue humano datar de 1818, apenas em 1990 a situação teve um grande turning point graças ao austríaco Karl Landsteiner, que descobriu a existência de diferentes tipos sanguíneos e suas incompatibilidades.

A descoberta e sua evolução foi considerada uma das mais importantes na área da saúde, e em meados de 1932 o primeiro banco de sangue foi criado. Nas duas décadas seguintes, os serviços de transfusão de sangue foram criados e a prática da doação de sangue institucionalizada.

Plataformas conectadas

Seguindo a linha de ajuda do Facebook citada acima, outros sites e aplicativos também ajudam a conectar doadores, hemocentros e pacientes. Confira alguns exemplos:

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  • Facebook: O doador usa a página fb.com/donateblood, clica no botão “Começar a ajudar agora” e, quando sua ajuda for necessária nas imediações, recebe uma notificação da rede social.
  • Hemotify: Site que promove a conexão entre o doador e os hemocentros da sua cidade. O contato pode acontecer via Facebook, email e SMS.
  • Blooder: Aplicativo para Android que, por enquanto, abrange somente a Grande São Paulo e Rio de Janeiro e conecta quem está precisando de sangue com quem pode doar por meio de um cadastro com sua conta do Facebook.
  • Hemoliga: Aplicativo para Android que ajuda o doador a se manter informado sobre campanhas e as doações que realiza ou pretende realizar.
  • Partiu Doar Sangue: Aplicativo para Android e iOS cadastra doadores e de solicitações de doação

Drones para carregar sangue

A tecnologia também chega pelo céu, com drones sendo utilizados para realizar o transporte deste material tão delicado que pode ajudar a salvar vidas. Desde 2016, uma parceria entre a Zipline, uma empresa de robótica do Vale do Silício, e o Ministério da Saúde de Ruanda, na África, entregam sangue e medicamentos para regiões mais remotas do país.

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Apenas em 2017, eles entregaram mais de 5.500 unidades de sangue no ano passado, tornando todo o processo mais rápido e eficientemente e ajudando a salvar vidas. O serviço já está sendo popularmente chamado de "Uber de sangue".

De acordo com o jornal britânico The Guardian, a iniciativa já está ajudando a reduzir o número de mortes relacionadas à anemia induzida pela malária e também mortes maternas, já que um quarto delas é resultado da perda de sangue durante o parto. Para se ter uma ideia, a tecnologia reduziu o tempo médio de entrega de quatro horas para menos de 45 minutos.

Outros países como Suíça e Austrália também possuem projetos para usar drones na entrega de sangue.

Incentivo

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Infelizmente, muita gente ainda precisa de um incentivo além do altruísmo para doar sangue. Alguns países optam por usar a tecnologia para tentar incentivar de forma criativa a doação, como a Inglaterra, que criou um outdoor de realidade aumentada para mostrar o poder das doações de sangue e demonstrar o processo todo quando alguém apontava o smartphone para o próprio braço.

Já a Microsoft possui uma campanha para incentivar a doação de sangue entre os gamers. Batizada de GamerBlood, a ação da Xbox Brasil é sazonal e recompensa a doação com prêmios como acesso VIP à Brasil Game Show, a maior feira de games da América Latina, camisetas exclusivas, entre outros brindes.

Outros exemplos de incentivo incluem o envio de SMS para agradecer aqueles que ajudam e também a oferta de descontos especiais da 99 para corridas realizadas por doadores.

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Segurança na transfusão 

Partindo para a área de pesquisas, existem alguns exemplos interessantes de como a tecnologia está ajudando a reduzir riscos durante as transfusões. No Brasil, por exemplo, o hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, usa um tecnologia para inativação de patógenos que impede a infecção do paciente por meio de uma transfusão de sangue.

Já pesquisadores de Harvard em conjunto com o Centro de Sangue de Nova York estão desenvolvendo um software capaz de detectar os diferentes tipos sanguíneos com mais de 99% de eficácia, reduzindo os riscos de incompatibilidade, algo que pode ser fatal.

Sangue artificial 

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Partindo para o lado científico da coisa, alguns projetos mais ambiciosos visam eliminar o doador e criar sangue artificial para salvar vidas de pacientes que precisam de transfusão.

No ano passado, o Hospital Pediátrico de Boston e a Universidade Harvard contaram com a participação do biólogo brasileiro Edroaldo da Rocha em sua equipe para produzir células-tronco sanguíneas. No entanto, a quantidade gerada não era suficiente para transfusões.

Uma startup médica japonesa chamada Megakaryon está usando uma tecnologia que reprograma células maduras para células-tronco, que conseguem se transformar em qualquer tipo de célula no corpo, para criar sangue. Em 2017, a Megakaryon anunciou que desenvolveu o primeiro método mundial de produção em massa de plaquetas baseado em células-tronco.

Já na Universidade de Bristol, na Inglaterra, pesquisadores tentam driblar o problema da quantidade e fabricar sangue em laboratório em larga escala, para suprir a demanda por doações. A ideia aqui é manter a célula produtora de sangue em um estágio imaturo, chamado eritroblasto, e manter essas primeiras linhas celulares imortalizadas para permitir a fabricação mais eficiente de glóbulos vermelhos indefinidamente. A mesma universidade também conseguiu usar tecnologia de edição genética para melhorar a compatibilidade de transfusão de sangue.

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Doação de sangue no Brasil 

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, são feitas cerca de 3,4 milhões de doações de sangue por ano. Dados de 2016 indicam que 1,6% da população brasileira — 16 a cada mil habitantes — doa sangue. Embora o MS confirme que o percentual fique dentro dos parâmetros da Organização Mundial de Saúde (OMS) — de pelo menos 1% da população — existe um esforço para aumentar a taxa.

Requisitos básicos para doação

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Caso você tenha interesse em doar sangue (e nós esperamos que sim), confira os requisitos básicos:

  • Estar em boas condições de saúde.
  • Ter entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos precisam fornecer documentos necessários e formulário de autorização).
  • Pesar no mínimo 50kg.
  • Estar descansado (ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas).
  • Estar alimentado (evitar alimentação gordurosa nas 4 horas que antecedem a doação).
  • Apresentar documento original com foto recente, que permita a identificação do candidato, emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Cartão de Identidade de Profissional Liberal, Carteira de Trabalho e Previdência Social).

No site da Fundação Pró Sangue você encontra também os impedimentos temporários — como ter feito tatuagem há menos de 12 meses — e definitivos, incluindo algumas doenças infecciosas transmissíveis.

Até a próxima semana!

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Fonte: Standford Blood Center; Ministério da Saúde