Segunda vacina chinesa contra COVID-19 tem uso emergencial aprovado no país

Por Fidel Forato | 28 de Agosto de 2020 às 16h40
Dimitri Houtteman/Unsplash

Comparado com a Guerra Fria e a corrida espacial, hoje, o mundo vive uma nova corrida — desta vez por uma vacina segura e eficaz contra a COVID-19. Dos sete potenciais imunizantes contra o novo coronavírus (SARS-CoV-2) em fase 3 em estudos clínicos, quatro deles são chineses. Inclusive, a China acaba de aprovar o segundo imunizante para uso emergencial, sendo que os dois já são estudados aqui no Brasil.

Aprovação do uso emergencial de duas vacinas chinesas não significa que os imunizantes sejam seguros e eficazes contra o coronavírus. Isso acontece porque, diante da pandemia e dos mais de 800 mil óbitos pelo vírus do mundo, as autoridades de saúde locais optaram por adiantar o início da vacinação em alguns grupos específicos da população. É o mesmo caso da vacina russa.

China acaba de provar segunda vacina contra a COVID-19 para uso emergencial no país (Imagem: Karolina Grabowska/Pexels)

Vacinas chinesas contra a COVID-19

Neste domingo (23), a China National Biotec Group (CNBG), parte da farmacêutica estatal China National Pharmaceutical Group (Sinopharm), afirmou que obteve a aprovação de uso emergencial para uma candidata a vacina contra a COVID-19, em post na rede social WeChat.

No Brasil, há um acordo entre o governo do Paraná e a Sinopharm para que os testes do imunizante sejam realizados na região e também para que, posteriormente, haja o compartilhamento da tecnologia, caso a eficácia seja comprovada. Inclusive, o estado divulgou, na quinta-feira (27), os testes com a vacina devem ser iniciados em até 45 dias e que serão contemplados cerca de 10 mil voluntários, depois da liberação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Entretanto, não há detalhes sobre qual imunizante teve autorização de uso emergencial na China e será testado em brasileiros. Isso porque a farmacêutica Sinopharm tem duas candidatas a vacina contra a COVID-19 na fase 3 dos ensaios clínicos, que é a última antes do registro final.

A vacina chinesa Coronavac já teve seu uso liberado, de forma emergencial, na China (Imagem: Divulgação/Governo de São paulo)

Além dessa vacina, já foi liberado o uso emergencial — ainda no mês de julho — da CoronaVac, desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac. No Brasil, o Instituto Butantan é quem coordena a fase três dos testes e essa testagem envolve a participação de nove mil voluntários, em seis estados.

Até agora, os resultados preliminares mostraram que cerca de 3% das pessoas apenas tiveram algum tipo de efeito colateral, após receberam a vacina. A expectativa é que o estudo seja concluído entre o final de outubro e o início de novembro.

Vacinação de grupos de risco

Através da aprovação do uso emergencial, a China está vacinando pessoas que pertencem a alguns grupos de alto risco desde julho. Inclusive, uma autoridade de saúde disse, em entrevista, que, agora, as autoridades avaliam expandir, de forma moderada, o programa de uso emergencial para se evitar surtos durante o inverno e o outono do Hemisfério Norte. Entretanto, as informações oficiais sobre esse programa de uso emergencial ainda são poucas e não se sabe quantas pessoas já receberam o imunizante.

É importante ressaltar que nenhuma vacina contra a COVID-19 completou todas as etapas, que atestam a segurança e a eficácia da fórmula, ou seja: as mais avançadas em desenvolvimento estão todas na fase 3 de estudos clínicos. Esse será um critério fundamental para que esses imunizantes sejam liberados para além de seus países de origem e cheguem ao mundo inteiro.

Fonte: G1 e Folha de S. Paulo   

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