"Bafômetro de COVID-19" pode indicar presença de coronavírus pelo hálito

Por Fidel Forato | 27 de Agosto de 2020 às 17h45
Ashleigh Jackson/KOMU News/Flickr

Um dos grandes desafios da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2) é o rastreamento de casos ativos da COVID-19 para o controle da taxa de contágio. Dessa forma, as autoridades de saúde pública precisam contornar o difícil acesso aos testes disponíveis e o tempo de espera para se obter os resultados. Agora, pesquisadores chineses desenvolveram um protótipo de bafômetro que testa por amostras do "bafo" do usuário quanto a presença (ou não) desse vírus — na hora.

Até hoje, o padrão-ouro dos testes da COVID-19 é o exame do tipo RT-PCR, onde o suspeito da infecção é submetido a um esfregaço nasofaríngeo — isso significa que um cotonete é usado para a coleta de uma amostra da parte de trás do nariz e da garganta — para teste de coronavírus. Inclusive, essa não é uma experiência agradável para uma parte significativa das pessoas.

Você toparia soprar um bafômetro para ver se tem coronavírus no sangue? (Foto: West Midlands Police/Flickr)

Além de ser desconfortável e invasivo, esse teste que busca amostras do coronavírus no sistema respiratório do paciente demanda um procedimento laboratorial relativamente demorado que pode chegar a até dias de espera para a obtenção de um resultado positivo ou negativo para a doença.

Já o outro tipo de teste para a COVID-19 é o que investiga se há no organismo anticorpos contra o coronavírus. No entanto, um paciente pode estar positivo para a doença, mas os resultados nesse tipo de exame darem negativo. Isso porque o sistema imunológico leva alguns dias (aproximadamente oito) para produzir anticorpos contra o agente infeccioso. Ou seja, o método é mais indicado para a confirmação de um caso posterior.

Por outro lado, os sistemas de saúde precisam de testes rápidos, baratos e fáceis de usar para reduzir, de forma efetiva, as taxas de transmissão e mortalidade do coronavírus. Pensando nisso, cientistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China desenvolveram um sensor baseado em nanomateriais que pode detectar a presença do vírus na respiração exalada, igual ao famoso teste do bafômetro, usado para medir a quantidade ingerida de álcool.

Como funciona o bafômetro da COVID-19?

O protótipo de bafômetro da COVID-19 foi desenvolvido a partir de uma série de estudos que demonstraram que vírus e as células que eles infectam emitem compostos orgânicos voláteis, chamados de VOCs, que podem ser exalados no ar, como através do hálito de uma pessoa doente, como indicadores do coronavírus, por exemplo.

Dessa forma, os pesquisadores chineses trabalharam nanopartículas de ouro de forma que se conectassem a determinadas moléculas sensíveis a específicos VOCs. A ideia é que quando os VOCs interagem com as moléculas de uma nanopartícula, a resistência elétrica do equipamento mude e um sinal seja emitido, atestando a infecção.

Então, o grupo de pesquisa programou um sensor para detectar especificamente os vírus da COVID-19, através de machine learning. Para isso, usaram como padrão os sinais de resistência elétrica obtidos da respiração de 49 pacientes já confirmados para a COVID-19, além de 58 resultados de pessoas saudáveis ​​e 33 pacientes com uma infecção pulmonar diferente da causada pelo coronavírus. Todos os voluntários eram da cidade de Wuhan, na China.

Com essa etapa de aprendizado, conseguiram identificar uma possível "assinatura" da COVID-19 e que foi testada, mais tarde, para verificar a precisão do dispositivo. Nas análises feitas até agora, o dispositivo mostrou 76% de precisão em distinguir casos da COVID-19 de pessoas saudáveis e 95% de acurácia em discriminar casos da COVID-19 de outras infecções pulmonares. Além disso, esse sensor pode distinguir, com precisão de 88%, a diferença entre pacientes com a COVID-19 e os casos recuperados.

Para entrar no mercado, o teste precisa ser validado em um número ainda maior de pacientes. "Embora mais estudos de validação sejam necessários, os resultados podem servir como uma base para a tecnologia que levaria a uma redução no número de testes confirmatórios desnecessários e diminuiria a carga sobre os hospitais, permitindo aos indivíduos uma solução de triagem", afirmam os cientistas responsáveis.

Para acessar o artigo sobre o bafômetro da COVID-19, publicado no periódico da American Chemical Society, clique aqui.

Fonte: ACS, Anvisa e EurekaAlert!      

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