Retrospectiva | Os 5 experimentos científicos mais bizarros de 2021

Retrospectiva | Os 5 experimentos científicos mais bizarros de 2021

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 31 de Dezembro de 2021 às 11h30
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A ciência nem sempre segue o que julgamos como convencional, e precisa recorrer a métodos criativos em prol dos avanços, o que às vezes pode até gerar discussões sobre ética. Ao longo da história, já houve diversos experimentos científicos bizarros, e 2021 não escapou de alguns estudos inusitados, por assim dizer. Confira os cinco mais excêntricos do ano.

Ratinhos gamers

O neurocientista Viktor Tóth treinou ratos para jogar Doom II. Para isso, criou uma plataforma de realidade virtual especialmente voltada aos roedores, com implantes de um dispositivo de decodificação e estimulação neural. Tóth desenvolveu um sistema em que o rato é colocado sobre uma bola e preso por um um braço mecânico instalado a uma roupinha especial, o que permite caminhar sem sair do lugar. Conforme rola, a bola "entende" que o roedor está se movimentando:

Transplante de rim de porco em humano

Uma equipe do NYU Langone Health conseguiu transplantar um rim de porco em um paciente humano, e o mais inusitado de tudo é que essa operação pra lá de excêntrica deu certo. Porcos têm sido o foco de pesquisa para lidar com a escassez de órgãos, mas suas células produzem um açúcar que é imediatamente rejeitado pelo corpo humano. Na operação, o rim utilizado veio de um animal editado geneticamente e projetado para eliminar esse açúcar.

No estudo, os pesquisadores anexaram o rim do porco a um par de vasos sanguíneos fora do corpo de uma pessoa que já morreu. Foi o primeiro passo de uma técnica que pode revolucionar o transplante na medicina, tanto é que alguns meses depois, cirurgiões conseguiram transplantar rim de porco em um humano pela segunda vez.

Transplante fecal

Na tentativa de reverter o envelhecimento cerebral, cientistas conduziram um experimento que consiste no transplante de micróbios intestinais. Na prática, eles transferiram as fezes de roedores jovens para idosos, através de um tubo. Com o passar de alguns meses, os microbiomas intestinais dos ratos idosos começaram a se parecer com os dos mais novos, e isso chegou a impactar o cérebro: o hipocampo (região cerebral de aprendizado e memória) dos ratos idosos passou a ficar semelhante ao dos mais novos.

Ratos machos "grávidos"

Pesquisadores da Universidade Médica Naval, em Xangai polemizaram ao conduzir um experimento em que machos ficaram grávidos depois de serem costurados em fêmeas, o que despertou inúmeras discussões éticas. O argumento dos pesquisadores foi que, ao costurar cotovelos, joelhos e peles dos casais de ratos, estariam fornecendo o suprimento de sangue necessário para o desenvolvimento dos fetos. Apesar de tudo, alguns especialistas chegaram a afirmar que a técnica pode ser o início de uma série de estudos para a gravidez de humanos de qualquer sexo.

Minicérebros com mini-olhos

Minicérebros criados em laboratório (Imagem: Gopalakrishnan et al, 2021, University Hospital Düsseldorf)

Cientistas da University Hospital Düsseldorf (Alemanha) criram minicérebros — organoides de origem humana cultivados em placas de laboratório a partir de células-tronco colhidas de humanos adultos — em que, por sua vez, surgiram pequeninas estruturas semelhantes aos olhos de embriões humanos. A ideia do experimento foi entender as interações entre cérebro e olho durante o desenvolvimento embrionário.

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