Pfizer e Moderna começam a testar vacina contra COVID-19 em crianças

Pfizer e Moderna começam a testar vacina contra COVID-19 em crianças

Por Nathan Vieira | 12 de Fevereiro de 2021 às 22h30
Katja Fuhlert / Pixabay

Desde o início da pandemia, um grande mistério para a medicina tem sido a relação entre a COVID-19 e a população infantil. No entanto, um consenso é que os mais idosos se enquadravam no grupo de risco, portanto as crianças acabaram ficando de lado nos estudos relacionados a imunizantes. Pelo menos até o momento. Acontece que, agora que alguns países começaram a vacinação, algumas farmacêuticas já estão começando a investir no estudo de uma vacinação infantil.

A Pfizer e a Moderna estão buscando crianças a partir dos 12 anos para a realização de testes clínicos de suas vacinas. Dependendo do desempenho das vacinas nessa faixa etária, as empresas podem testá-las também em crianças mais novas. Além dessas duas, três outras empresas também têm em mente o estudo da vacina em crianças: Johnson & Johnson, Novavax e AstraZeneca.

Os ensaios clínicos da Pfizer e da Moderna em adultos envolveram, cada um, cerca de 50 mil participantes. Como é mais raro que crianças adoeçam gravemente com Covid-19, esse tipo de estudo em crianças não seria viável, porque exigiria muito mais participantes para mostrar um efeito. As empresas examinarão as crianças vacinadas em busca de sinais de uma forte resposta imunológica que as protegeria do coronavírus.

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Além da Pfizer e da Moderna, três outras empresas também visam o estudo da vacinação em crianças: Johnson & Johnson, Novavax e AstraZeneca (Imagem:  Thirdman / Pexels)

A vacina Pfizer-BioNTech foi autorizada em dezembro para qualquer pessoa com 16 anos ou mais. A empresa continuou seu teste com voluntários mais jovens, recrutando 2.259 adolescentes de 12 a 15 anos de idade, que têm aproximadamente o dobro de probabilidade de serem infectados pelo coronavírus do que as crianças mais novas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos.

Segundo a porta-voz da Pfizer, Keanna Ghazvini, os resultados desses testes devem vir à tona no fim do primeiro semestre ou início do segundo semestre de 2021. “Trabalhar com menores de 12 anos de idade exigirá um novo estudo e, potencialmente, uma formulação ou esquema de dosagem modificado”, disse Ghazvini em entrevista ao jornal norte-americano The New York Times. Os testes com menores de 12 provavelmente devem acontecer no final do ano, mas os planos serão melhor analisados depois que a empresa tiver dados de crianças mais velhas.

Enquanto isso, a vacina da Moderna, que também foi autorizada em dezembro nos EUA, segue um caminho semelhante para testes pediátricos. A empresa começou a testar adolescentes de 12 a 17 anos e planeja envolver 3 mil voluntários nessa faixa etária. Segundo Colleen Hussey, porta-voz da Moderna, a empresa também almeja trazer os resultados dos estudos na metade de 2021. E novamente: a depender dos resultados, a Moderna planeja avaliar a vacina ainda este ano em crianças mais novas.

Vale lembrar que bebês podem ter alguns anticorpos ao nascer de mães vacinadas ou infectadas, mas é improvável que essa proteção materna dure até o primeiro ano de idade. E com seu sistema imunológico relativamente fraco, os bebês podem ser particularmente suscetíveis à infecção se a transmissão na comunidade for alta. Em julho do ano passado, um estudo publicado na revista norte-americana The Lancet Child & Adolescent Health apontou que é improvável que mães infectadas pela COVID-19 passem o vírus para seus bebês recém-nascidos, se forem tomadas as devidas precauções. Falamos desse estudo aqui no Canaltech.

Pfizer e Moderna começam a testar vacina contra COVID-19 em crianças; Resultados dos estudos devem surgir na metade de 2021, segundo as empresas (Imagem: CDC/Pexels)

Os testes também avaliarão a segurança da vacina em crianças, e assim que uma vacina pediátrica estiver disponível, as escolas podem reintroduzir as atividades. Essa é outra questão que também abordamos no Canaltech, com direito a análises em torno do impacto da reabertura escolar. Sendo assim, ficamos no aguardo não só da vacina nos adultos, já que ainda estamos nos primeiros passos dessa longa jornada rumo à vacinação em massa. É como se uma nova corrida pelas vacinas tivesse início, dessa vez voltada aos pequenos.

Fonte: The New York Times

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