COVID-19: a prevenção em crianças é diferente da de adultos?

Por Nathan Vieira | 24 de Março de 2020 às 14h20

Estamos uma época atípica, diante de uma pandemia de COVID-19, e isso nos obriga a mudar radicalmente nossas vidas. No Brasil, por exemplo, as escolas já suspenderam suas atividades, já que a recomendação principal do governo é ficar em casa. Diante do recesso escolar e de uma convivência mais intensa com familiares, a Dra. Fabianne Carlesse, infectologista pediátrica do GRAACC, que cuida de casos de alta complexidade em crianças e segue padrões rigorosos no controle de infecções, alerta que crianças podem ter a doença e nem saber. Isto é, podem ser assintomáticas e transmitir o vírus, principalmente para os idosos; transmissão pode ocorrer até mesmo antes de aparecerem os sintomas. E aí fica a pergunta: a prevenção em crianças é diferente da de adultos?

"Embora a incidência de casos desse tipo de vírus em crianças seja pequena, com muitas podendo, inclusive, ser assintomáticas, não devemos descartar a possibilidade de levarem o vírus aos idosos. Por isso a prevenção é muito importante", orienta Carlesse.

A infectologista pediátrica explica que a transmissão da COVID-19 é feita principalmente por microgotículas de saliva, aproximação e contato com superfícies contaminadas. Este novo cenário, com as crianças em período integral no ambiente doméstico, exige cuidados redobrados. Evitar abraços e beijos, higienizar constantemente as mãos, brinquedos e aparelhos como controle remoto, celular e tablet, auxiliam a frear o avanço do vírus.

"Ensinar as crianças a se prevenir, de maneira lúdica, pode ser uma maneira de entreter os pequenos em casa. Além disso, é importante orientar que evitem ficar colocando a mão nas mucosas — como nariz, boca e olhos", orienta Dr. Fabianne.

Prevenção para adultos e crianças: é a mesma?

Infectologista pediátrica dá dicas de como prevenir o Coronavírus em crianças

A infectologista pediátrica traz à tona algumas dicas de prevenção para a casa e para a escola. No entanto, é possível notar que a premissa é basicamente a mesma, tanto para o público infantil, quanto para o público adulto. No caso, a doutora enfatiza que crianças podem ser assintomáticas e, sem manifestar nenhum sinal de alerta, podem transmitir o vírus principalmente para os mais velhos. É indicado evitar esse contato, principalmente com os avós.

Olhos, nariz e boca são portas de entrada do vírus. Por isso é válido lembrar as crianças (e também os adultos) para não tocarem nestas partes do corpo. Faz parte de como ensinar a criança a se prevenir, com ênfase na higienização correta das mãos. Dá para ser carinhoso sem encostar no outro, desde que os pais ou responsáveis expliquem, de maneira lúdica e didática, que o vírus é inimigo e pode causar muito mal para pessoas que a criança ama ou considera muito.

Uma dica de ouro para usar entre os pequenos é evitar compartilhar brinquedos, objetos da casa, dispositivos móveis e outros utensílios como copos e talheres. Por fim, no caso tanto dos adultos quanto das crianças, vale evitar ambientes com aglomeração de pessoas e respeitar a máxima: ficar em casa.

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