Com precauções, recém-nascidos não pegam COVID-19 de suas mães, diz estudo

Por Nathan Vieira | 24 de Julho de 2020 às 15h00
fancycrave1/Pixabay

Em um momento tão conturbado quanto o que estamos vivendo atualmente graças à pandemia, a maternidade tem sido um assunto mais delicado do que nunca. No entanto, nesta sexta-feira (23), um estudo publicado na revista norte-americana The Lancet Child & Adolescent Health apontou que é improvável que mães infectadas pela COVID-19 passem o vírus para seus bebês recém-nascidos, se forem tomadas as devidas precauções.

O estudo, envolvendo 120 bebês nascidos de mães com infecção por COVID-19, não encontrou casos de transmissão do vírus durante o parto ou após duas semanas de amamentação e contato pele a pele. Os resultados sugerem que as mães com infecção por COVID-19 podem amamentar e permanecer no mesmo quarto do recém-nascido com segurança, se usarem máscara e seguirem os procedimentos de controle de infecção.

Segundo a principal responsável pelo estudo, Christine M. Salvatore, do hospital infantil em Nova York afiliado à Universidade de Cornell, os dados sobre o risco de transmissão de COVID-19 durante a gravidez ou durante a amamentação são limitados a um pequeno número de estudos de caso. Consequentemente, as diretrizes para mulheres grávidas ou que se tornaram mães recentemente variam, e as orientações atuais para novas mães infectadas com COVID-19 chegam a ser conflitantes.

Com precauções, recém-nascidos não pegam COVID-19 de suas mães, diz estudo (Imagem: Pexels)

A Academia Americana de Pediatria recomenda que mães e recém-nascidos sejam temporariamente separados ao nascer. Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde recomenda que as mães dividam o quarto com seus bebês e amamentem, com as devidas precauções, enfatizando que os benefícios da amamentação superam os riscos potenciais de transmissão da doença.

O estudo em questão observou resultados de 120 recém-nascidos de 3 hospitais na cidade de Nova York, entre 22 de março e 17 de maio de 2020. Todas as mães tiveram permissão de compartilhar um quarto com seus bebês e amamentar. Os bebês foram mantidos em berços fechados, com um metro e oitenta de distância, exceto durante a amamentação, e as mães foram obrigadas a usar máscaras e lavar as mãos com frequência.

Além disso, todos os bebês foram submetidos a um teste nas primeiras 24 horas após o nascimento e nenhum apontou positivo para COVID-19. 79 bebês foram testados para o vírus SARS-CoV-2 novamente após uma semana e 72 bebês receberam um teste adicional após duas semanas de vida. Nenhum dos resultados foi positivo e nenhum dos bebês apresentou sintomas de COVID-19.

Segundo os pesquisadores, o estudo é pequeno para tirar conclusões concretas, então estudos maiores podem ser necessários e, se os bebês tivessem sido infectados no útero, é possível que o vírus não estivesse presente nessas amostras. Os pesquisadores não foram capazes de rastrear a presença do vírus em amostras de sangue, urina ou fezes porque esses testes não foram validados no momento do estudo.

COVID-19 e gestação

Na pandemia, estudos já  observaram uma taxa alta de nascimentos prematuros e muitos bebês sendo admitidos na UTI neonatal (Imagem: Pexels)

De qualquer forma, ainda não está claro se uma mulher grávida pode passar o vírus para o bebê ainda durante a gestação. Na primeira quinzena de julho, um artigo publicado no The Pediatric Infectious Disease Journal relatou uma forte evidência, mesmo que inconclusiva, de uma bebê que testou positivo para a COVID-19 dois dias após o nascimento.

Além disso, durante um estudo publicado em junho no British Medical Journal, pesquisadores britânicos tiveram algumas conclusões preliminares sobre as consequências das doenças no bebê. Basicamente, observaram uma taxa alta de nascimentos prematuros e muitos bebês sendo admitidos na UTI neonatal.

Fonte: EurekAlert

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