COVID-19 | Reino Unido interna 100 crianças por semana com síndrome inflamatória

Por Nathan Vieira | 08 de Fevereiro de 2021 às 16h40
Mladen Borisov/Unsplash

No último dia 2, um estudo concluiu que uma forma de COVID-19 de longa duração pode acometer crianças e trazer graves consequências. Na ocasião, também foi relatado que crianças com COVID-19, em casos raros, podem desenvolver Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica (SIM-P). Na última sexta-feira (5), uma informação preocupante a respeito dessa síndrome veio à tona: 100 crianças estão sendo internadas semanalmente por causa dela no Reino Unido.

As informações são do jornal britânico The Guardian, que aponta, ainda, outra preocupação dos pediatras: acontece que 75% das crianças mais afetadas pela Síndrome Inflamatória Multissistêmica Pediátrica eram negras, asiáticas ou de minoria étnica. De acordo com um estudo de casos que ainda não foi publicado, quatro em cada cinco crianças eram saudáveis antes.

Os dados vieram por meio da Dra. Hermione Lyall, especialista em doenças infecciosas em crianças e diretora clínica de serviços infantis no Imperial College Healthcare NHS Trust de Londres. Ela fez um relatório com base em 78 pacientes com a síndrome que acabaram em cuidados intensivos: 47% eram de origem afro-caribenha e 28% de Origem asiática — entre cinco e seis vezes maior do que os 14% da população do Reino Unido.

O conjunto de dados de Lyall também revelou que 78% dos pacientes não tinham doenças subjacentes e que os pediatras classificaram essa síndrome como “muito preocupante”; a idade média das crianças que são assoladas pela síndrome é 11, mas varia de oito a 14 anos; dois terços (67%) eram meninos; e um em cada quatro daqueles que acabam em uma UTI desenvolveram uma doença cardíaca potencialmente fatal.

Reino Unido interna 100 crianças por semana com síndrome inflamatória pós-COVID (Imagem: Manuel Darío Fuentes Hernández/Pixabay)

Outros dados apresentados por especialistas no webinar mostraram que um pequeno número de crianças com a síndrome tem o cérebro afetado e sofre confusão, letargia e desorientação, com direito a comportamentos incomuns e, em casos raros, até um derrame. Além disso, em um estudo com 75 crianças, oito sofreram problemas cardíacos.

A Dra. Liz Whittaker, porta-voz do PIMS do Royal College of Paediatrics and Child Health, disse ao The Guardian: “Estamos fazendo pesquisas para entender por que essa população é afetada. A genética pode ser uma razão, mas estamos preocupados que seja um reflexo de como esta é uma doença da pobreza, que afeta desproporcionalmente aqueles que não podem evitar a exposição devido à sua ocupação, famílias multigeracionais e moradias lotadas”.

Na primeira onda da pandemia no Reino Unido, a síndrome causou confusão e preocupação. Inicialmente, os especialistas confundiram com a doença de Kawasaki, uma condição rara que afeta principalmente bebês e crianças pequenas. Porém, com o passar do tempo, a SIM-P foi reconhecida como uma nova síndrome pós-COVID, acometendo até casos assintomáticos.

A síndrome em si possui amplo espectro de sintomas, como febre persistente acompanhada de um conjunto de sintomas que podem incluir afecções gastrointestinais, com dor abdominal, conjuntivite, exantema (rash cutâneo), erupções cutâneas, edema de extremidades e pressão baixa.

Embora os especialistas britânicos não acreditem que a frequência da doença tenha aumentado em relação aos casos na comunidade em geral, os números são maiores do que na primeira onda, com hospitais admitindo, como já mencionamos, 100 jovens por semana durante a segunda onda. Apenas a cargo de comparação, em abril esse número era de 30 por semana.

E no Brasil?

Crianças brasileiras também estão sofrendo com a síndrome; Ministério da Saúde trouxe dados em agosto de 2020 (Imagem:  Ketut Subiyanto / Pexels)

Como já citamos semana passada, no último mês de agosto o Ministério da Saúde começou a notificar casos da síndrome nos sistemas de monitoramento, entrando em contato ainda com secretarias de saúde de diversas localidades para orientação de atendimento e diagnóstico. O Ministério ainda lançou um boletim epidemiológico relatando a morte de 39 crianças e adolescentes de até 19 anos de idade no Brasil, com direito a 577 casos notificados. Dentre eles, 28% apresentaram algum tipo de comorbidade. Mais de 60% dos pacientes necessitaram de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Fonte: The Guardian

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