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Pessoas pobres envelhecem mais rápido; desvantagem é moldada ainda na infância

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Lucia Macedo/Unsplash
Lucia Macedo/Unsplash

Em um estudo do Imperial College London, comparações entre famílias mais ricas e mais pobres mostraram que as crianças com menos condições financeiras podem sofrer com desvantagens até mesmo biológicas. Isso foi mostrado através de marcadores relacionados ao estresse e ao DNA, mas não implica em desvantagens hereditárias, segundo os cientistas, mas sim na influência das condições ambientais nos primeiros anos de vida.

A análise envolve 1.160 crianças europeias entre os seis e os onze anos de idade, avaliadas de acordo com uma escala internacional de riqueza familiar. Os fatores incluem o número de veículos que cada família possui e se a criança possui seu próprio quarto, por exemplo. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet.

Influência da pobreza na infância

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As crianças do estudo foram divididas em grupos de alta, média e baixa afluência (riqueza). Com exames de sangue, foi medido o comprimento dos telômeros nos glóbulos brancos, e, com exames de urina, as quantidades de cortisol, o hormônio do estresse. Telômeros são estruturas dos cromossomos que possuem um papel importante no envelhecimento celular e na integridade do DNA — sua degradação está ligada ao envelhecimento, e eles ficam menores à medida que ficamos mais velhos.

Pesquisas anteriores já notaram ligações entre o tamanho dos telômeros e doenças crônicas, bem como o efeito do estresse agudo e crônico na redução dessas estruturas. No estudo, crianças do grupo mais rico apresentaram telômeros 5% mais longos, em média, do que crianças do grupo mais pobre. Meninas apresentaram telômeros mais longos do que os dos meninos, em média 5,6%. Crianças dos grupos médio e alto mostraram níveis de cortisol entre 15,2% e 22,8% menores do que as do grupo de baixa riqueza.

Segundo os pesquisadores, os resultados não mostram uma ligação entre riqueza e qualidade de genes, mas sim o impacto do ambiente em marcadores conhecidos de idade e saúde a longo prazo. As condições econômicas de algumas pessoas as colocam em desvantagem biológica desde pequenas, com cerca de 10 anos de envelhecimento a nível celular nos grupos com maior desvantagem econômica.

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Fonte: The Lancet