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O cérebro não consegue se reconfigurar, mas melhora as capacidades existentes

Por| Editado por Luciana Zaramela | 22 de Novembro de 2023 às 16h28

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Idimair/Envato
Idimair/Envato

O cérebro não tem a capacidade de se reconfigurar para compensar a perda de visão, uma amputação ou um acidente vascular cerebral (AVC). Embora possa se adaptar às mudanças, o órgão mais misterioso do corpo humano não cria funções inteiramente novas em áreas não relacionadas. É o que diz um estudo publicado na revista científica eLife na última terça-feira (21).

Os pesquisadores analisaram dez estudos dedicados a mostrar a capacidade de reorganização do cérebro e agora argumentam que, embora os trabalhos demonstrem realmente a capacidade do órgão para se adaptar às mudanças, o órgão não criar novas funções, mas sim utiliza aptidões que já estão presentes desde o nascimento.

Na ocasião, os autores não encontraram nenhuma evidência convincente de que o córtex visual de indivíduos que nasceram cegos ou o córtex ileso de sobreviventes de um acidente vascular cerebral tenham desenvolvido uma nova capacidade funcional que de outra forma não existiria.

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Os cientistas envolvidos não descartam as histórias de pessoas cegas que conseguem navegar puramente com base na audição, ou de indivíduos que sofreram um derrame e recuperaram suas funções motoras, mas afirmam que em vez de reaproveitar completamente as regiões para novas tarefas, o cérebro modifica a sua arquitetura pré-existente.

Neuroplasticidade

Você já ouviu da neuroplasticidade? É justamente a capacidade do sistema nervoso de se adaptar e reorganizar ao longo do tempo em resposta a experiências e mudanças no ambiente.

No estudo em questão, os autores reiteram que compreender a verdadeira natureza e os limites da neuroplasticidade é crucial, tanto para estabelecer expectativas realistas para os pacientes como para orientar os profissionais clínicos nas suas abordagens de reabilitação.

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"A ideia de desbloquear rapidamente potenciais cerebrais ocultos ou explorar vastas reservas não utilizadas é mais uma ilusão do que realidade. Reconhecer isto ajuda a apreciar o trabalho árduo por detrás de cada história de recuperação e a adaptar as nossas estratégias em conformidade", argumenta a equipe.

O que sabemos sobre o cérebro?

Ao longo dos anos, os estudos científicos permitiram chegar a diversas descobertas importantes sobre o cérebro. Sabemos, por exemplo, que o cérebro rotaciona as memórias para não serem substituídas por novas informações.

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Em 2022, durante um estudo publicado na revista Cell Reports, cientistas buscaram decifrar como o órgão funciona rápido o suficiente para controlar determinados movimentos e descobriram que o cérebro usa cálculo para controlar movimentos rápidos.

Fonte: eLife