MedTech | As 5 inovações cientificas mais interessantes do mês [04/21]

MedTech | As 5 inovações cientificas mais interessantes do mês [04/21]

Por Nathan Vieira | Editado por Luciana Zaramela | 28 de Abril de 2021 às 11h10
DragonImages/Envato

As relações entre a ciência e a tecnologia estão cada vez mais estreitas. A cada dia, surgem mais e mais inovações, voltadas a solucionar determinadas questões e trazer novas possibilidades para as nossas vidas. E é justamente com essa relação em mente que o Canaltech traz para você as cinco inovações cientificas mais interessantes de abril de 2021.

Vacina personalizada contra o câncer

Os pesquisadores de Harvard estimam que não deve demorar para que vacinas personalizadas contra melanoma sejam uma realidade (Imagem: Rawpixel)

O mês de abril começou com os pés na porta no que diz respeito a inovação, com avanços significativos no combate contra o câncer. Logo no primeiro dia do mês, um estudo de Harvard mostrou que vacinas projetadas para combater o melanoma (a forma mais letal de câncer de pele) mantêm seus efeitos no sistema imunológico anos após a injeção.

Trata-se, na verdade, de uma vacina personalizada, que possibilita chegar a novos antígenos para tumores específicos. Na prática, esse imunizante faz com que o sistema imunológico crie células T (um tipo importante de glóbulo branco que ajuda o sistema imunológico a desenvolver imunidades duradouras contra doenças inflamatórias e autoimunes) antitumorais que são específicas de acordo com cada tumor e paciente.

Os oito pacientes envolvidos nessa pesquisa de Harvard tiveram seu melanoma removido cirurgicamente e ficaram livres do tumor. Posteriormente, receberam as vacinas para evitar uma recorrência. Dois deles apresentaram resposta completa.

Tratamento devolve visão

Paciente tem a visão restaurada por meio de tratamento experimental nos EUA, integrando um verdadeiro marco para a medicina (Imagem: Harry Quan/Unsplash)

Ainda no dia 1º de abril, um estudo publicado na revista científica Nature Medicine relatou o caso de uma terapia experimental norte-americana que pôde simplesmente trazer de volta a visão de um paciente. O tratamento foi feito com uma droga chamada sepofarsen.

A ideia do tratamento, feito com uma injeção no globo ocular, é infiltrar as células da retina do paciente, revertendo a mutação causadora da amaurose congênita de Leber (ACL), responsável por provocar cegueira. Na prática, as moléculas injetadas alcançam o interior das células e conseguem se ligar ao seu material genético para reverter os genes responsáveis pelo desenvolvimento da doença. A descoberta de que o tratamento realmente funciona é um verdadeiro marco para os pacientes com cegueira ou deficiência visual.

Dispositivo detecta COVID-19 pela respiração

Dispositivo desenvolvido no Ames Research Center, no Vale do Silício, agora detecta COVID-19 pela respiração (Imagem: NASA/Ames Research Center/Dominic Hart)

Desde o início da pandemia, muitas empresas têm se dedicado a desenvolver novos métodos de detectar a COVID-19, como um meio alternativo aos testes tradicionais feitos com o famoso cotonete no nariz. Já no último dia 8, um dispositivo da a NASA criado inicialmente para ajudar a monitorar a qualidade do ar dentro das espaçonaves, chamado E-Nose, passou por algumas mudanças: o foco passou a ser a detecção do coronavírus por meio da respiração.

O dispositivo funciona da seguinte maneira: medindo compostos orgânicos voláteis (gases produzidos quando há a infecção por um vírus, como o SARS-CoV-2, durante a respiração da pessoa infectada). A ideia, agora, é que o E-Nose passe por um teste de campo para a COVID-19, antes que comecem os testes clínicos. Caso os resultados sejam satisfatórios, a NASA pretende que seu dispositivo seja usado em supermercados, fábricas, aeroportos e diversos tipos de empresa, rastreando as infecções rapidamente.

Adesivo rastreador de fibrose cística

A fibrose cística exige a coleta de suor, e o adesivo é uma alternativa ao diagnóstico, oferecendo mais rapidez (Imagem: Reprodução/Tyler Ray/University of Hawaiʻi at Mānoa)

No dia 9, uma equipe norte-americana desenvolveu um adesivo capaz de indicar casos de fibrose cística, uma doença genética que compromete o funcionamento das glândulas exócrinas que produzem muco, suor ou enzimas pancreáticas, capaz de comprometer os pulmões, por exemplo.

Para diagnosticar a fibrose cística, normalmente se mede dos níveis de cloreto no suor, mas o adesivo pode se apresentar como uma alternativa. O estudo publicado na revista científica Science Translational Medicine contou com a participação de 51 voluntários, com idades de dois meses até 51 anos. Os resultados indicam que o biossensor foi capaz de coletar 33% a mais de suor do que os equipamentos disponíveis no mercado.

A boa notícia é que não houve nenhum caso de coleta insuficiente, fora que o adesivo chegou a acumular quase o dobro da medida necessária de um paciente em apenas 18 minutos de uso, em comparação com a coleta média, que é de 30 minutos.

Sensor capaz de prever lesões cerebrais

Nossa lista de inovações científicas mais interessantes de abril se encerra com um sensor desenvolvido pelos cientistas da Universidade Heriot Watt, na Escócia, em parceria com a startup HIT, cuja proposta é prever e evitar futuros casos de concussão cerebral.

Na prática, esse sensor, que foi batizado como HIT Impact, monitora e identifica em tempo real vários tipos de impactos que o usuário sofre enquanto pratica algum esporte. Quando o nível de força aplicada à cabeça atinge um limite predeterminado, a equipe médica recebe um alerta e o jogador é retirado de campo. Com o rastreio desses impactos, o dispositivo envia informações para um banco de dados que vai auxiliar na pesquisa e no diagnóstico de lesões cerebrais traumáticas. Vale ressaltar que esse sensor pode ser colocado em qualquer capacete, e é usado em conjunto com um aplicativo.

Gostou dessa matéria?

Inscreva seu email no Canaltech para receber atualizações diárias com as últimas notícias do mundo da tecnologia.