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Intestino irritável tem ligação genética com doenças psiquiátricas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Agosto de 2023 às 11h12

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LightFieldStudios/envato
LightFieldStudios/envato

Um problema no intestino pode ter ligação genética com doenças psiquiátricas. Essa é a descoberta de um estudo conduzido pela University of Bergen e publicado na revista científica Genome Medicine. Para chegar a isso, os pesquisadores investigaram as bases genéticas da síndrome do intestino irritável, distúrbio que causa dor na barriga, gases, diarreia e constipação.

Usando dados genéticos de 53.400 pessoas com síndrome do intestino irritável e 433.201 pessoas sem o distúrbio, os pesquisadores identificaram 116 novos locais dos genes no DNA que oferecem risco para a doença. Desses locais, 70 eram compartilhados entre pacientes com a síndrome e pessoas com diferentes transtornos psiquiátricos: ansiedade generalizada (7), depressão (35), transtorno bipolar (27) e esquizofrenia (15).

Através da investigação, esses cientistas descobriram mecanismos biológicos comuns à síndrome e aos transtornos psiquiátricos. Genes mapeados para esses locais genéticos trazem atenção principalmente para os sistemas nervoso e imunológico, mas a própria equipe reconhece que mais pesquisas são necessárias para determinar até que ponto esses mecanismos contribuem.

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“Isso expande nossa compreensão da genética da síndrome do intestino irritável e onde há relação entre doenças gastroenterológicas e psiquiátricas”, afirma o grupo de cientistas, em comunicado.

Conforme aponta a equipe, uma das teorias é que a inflamação nos intestinos pode levar à ruptura da barreira intestinal e ao vazamento de produtos bacterianos, o que pode reduzir a permeabilidade da barreira hematoencefálica (uma estrutura que tem a função de regular o transporte de substâncias entre o sangue e o sistema nervoso central), afetando o cérebro.

A ligação entre o intestino e o cérebro

Em 2021, cientistas já lançavam luz sobre um "segundo cérebro" localizado no intestino. Trata-se do sistema nervoso entérico (SNE), que funciona de forma parecida com as redes neurais do cérebro e da medula espinhal.

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Na ocasião, os cientistas descobriram que os milhares de neurônios do sistema nervoso entérico se comunicam para provocar contrações no trato gastrointestinal, induzindo o processo digestivo. Eles também encontraram grupos grandes de neurônios motores excitatórios e inibitórios que impulsionam o conteúdo do cólon mais para baixo do intestino.

Já em 2022, um estudo confirmou a ligação genética entre doenças intestinais e o mal de Alzheimer. Algumas das doenças gastrointestinais crônicas ligadas ao mal de Alzheimer são o refluxo gastroesofágico, úlcera gástrica, gastrite/duodenite, síndrome do intestino irritável e diverticulose; uma exceção é a doença inflamatória intestinal.

Além disso, o papel do colesterol na ligação entre essas condições foi investigado, sugerindo que níveis anormais do composto são fator de risco para ambos os problemas.

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Bactérias do intestino afetam o cérebro

Neste ano, um estudo revelou que as bactérias do intestino afetam o cérebro, mas também podem combater o Alzheimer. Na ocasião, os pesquisadores realizaram experimentos com roedores editados geneticamente, o que fez com que as cobaias tivessem maior propensão a desenvolver a doença.

O grupo percebeu que as bactérias intestinais afetam o comportamento das células imunológicas em todo o corpo, incluindo o cérebro, e podem danificar o tecido cerebral, acelerando a neurodegeneração em pacientes com tendência ao Alzheimer.

Fonte: Genome MedicineUniversity of Bergen