Ginseng pode combater os efeitos do álcool no cérebro
Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela |

Conforme aponta um estudo publicado na edição de julho do periódico Journal of Ginseng Research, o ginseng — uma erva medicinal cultivada especialmente em países asiáticos como a China, o Japão e a Coreia do Sul — pode combater os efeitos do álcool no cérebro.
Anteriormente, a comunidade científica descobriu que o álcool contribui para o declínio cognitivo. Neste novo estudo, os cientistas conduziram experimentos em camundongos e acreditam ter encontrado na potente raiz uma maneira de combater esses efeitos nocivos.
No estudo, os camundongos receberam álcool e depois foram tratados com ginseng. Posteriormente, protagonizaram uma série de testes comportamentais. Os pesquisadores ainda mediram a atividade dos roedores em uma série de labirintos para ver como a memória espacial foi afetada.
Eles também buscaram entender a maneira como os camundongos lidavam com a abstinência de álcool com e sem o ginseng.
Com esses métodos, os cientistas notaram que os camundongos que receberam álcool e depois o ginseng retiveram mais de sua memória espacial e mostraram mais resistentes à abstinência quando o álcool foi removido.
Por que ginseng ajuda a sanar efeitos do álcool?
Para descobrir como o ginseng ajuda os camundongos a lidar com o álcool, a equipe retirou tecido da região do hipocampo do cérebro dos roedores, região ligada à memória e ao aprendizado.
Ao fazer isso, a equipe descobriu que a raiz pode suprimir a via de sinalização PKA-CREB, um sistema de comunicação entre os neurônios que normalmente é ativado quando o álcool é consumido. Além disso, dificultou a liberação de compostos inflamatórios conhecidos como citocinas no tecido. As citocinas estão implicadas na neuroinflamação.
"Em conclusão, o ginseng pode aliviar as deficiências da memória de trabalho espacial e as respostas viciantes, como os sintomas de abstinência induzidos pela exposição repetida ao álcool, por meio da atividade anti-neuroinflamação", aponta o estudo.
Malefícios do álcool ao cérebro
Diversos estudos trazem à tona uma preocupação em torno das consequências cerebrais das bebidas alcoólicas. Para se ter uma noção, já foi descoberto que simplesmente a ingestão de qualquer quantidade de álcool pode fazer mal ao cérebro.
Um estudo de 2022 publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences também reforça essa ideia ao afirmar que o cérebro pode ser permanentemente afetado após uma única dose de álcool.
Por sua vez, pesquisadores norte-americanos descobriram que o consumo diário de álcool pode afetar a estrutura e o tamanho do cérebro, mesmo em pequenas quantidades. Por exemplo, beber uma cerveja todos os dias pode acelerar o processo de envelhecimento do cérebro.
Como o álcool afeta o cérebro?
Ao ativar um neurotransmissor chamado Gaba (ácido gama-aminobutírico), a bebida ajuda a relaxar. Isso também pode ser acompanhado por uma sensação temporária de calor e queda na temperatura corporal.
À medida que uma pessoa bebe, a dopamina (que também faz parte dos neurotransmissores, a química produzida pelo cérebro) entra em ação. Esse hormônio recompensa com um pequeno pico de bem-estar. O álcool também libera endorfina, o opiáceo natural do nosso cérebro, o que desativa o senso de controle e faz com que se beba mais do que o planejado.
Fonte: Journal of Ginseng Research, EurekAlert!, The Guardian, Pnas