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Exame de sangue aponta risco de apneia do sono

Por| Editado por Luciana Zaramela | 30 de Abril de 2024 às 09h09

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 seventyfourimages/Envato
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A apneia do sono é um problema de saúde potencialmente grave, mas pouco tratado — a maioria das pessoas não investiga as causas do ronco. Em busca de novas formas de diagnóstico, pesquisadores do Instituto do Sono e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) desenvolveram um novo exame de sangue que mede o risco da apneia obstrutiva do sono.

O exame de sangue é bastante simples, já que o foco do teste é avaliar as concentrações sanguíneas de um tipo de aminoácido conhecido como homocisteína. Isso porque um alto nível da homocisteína está relacionado com o risco aumentado de apneia obstrutiva do sono. Assim, médicos poderão usar os resultados para identificar possíveis casos e entender o risco de agravamento em pacientes com a forma leve ou moderada de apneia.

Fora da apneia do sono, a homocisteína é um parâmetro avaliado em outras áreas da saúde, especialmente por médicos cardiologistas. Por exemplo, altos níveis — acima de 15 micromol por litro de sangue (µmol/l) — aumentam o risco de trombose, doença coronariana, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

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Risco da apneia do sono

Para entender, a apneia obstrutiva do sono é definida por interrupções recorrentes da respiração durante à noite, causadas pelo relaxamento da musculatura da garganta.

Segundo dados do Episono 2007, 42% dos moradores da cidade de São Paulo roncam três vezes por semana ou mais e quase 33% têm apneia do sono, mas a maioria não trata a condição. Com um simples exame de sangue para auxiliar no diagnóstico, isso pode mudar.

Vale lembrar que, mais do que roncar, a apneia afeta o DNA e acelera o envelhecimento celular. A condição também aumenta o risco de outras doenças, como hipertensão (“pressão alta”), diabetes e insuficiência cardíaca.

Exame de sangue

Publicado na revista European Archives of Oto-Rhino-Laryngology, o novo estudo envolveu a participação de cerca de 850 voluntários. Estes indivíduos foram avaliados pelo Índice de Apneia e Hipopneia (IAH) — exame que mede o número de obstruções parciais ou totais da respiração durante o sono — e forneceram amostras de sangue para análise da homocisteína.

Após analisar os dados, os pesquisadores descobriram que os pacientes com valor alto de homocisteína também apresentavam um IAH mais elevado e, consequentemente, tinham maior risco para a apneia do sono. Em seguida, mais uma rodada de testes foi feita com cerca de 560 pessoas para validar os achados.

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O aumento unitário (1 µmol/l) nas concentrações de homocisteína representa, em média, um acréscimo de 0,98% no risco de diagnóstico. “É um risco baixo, mas existe. O fato é que apresentamos um fator novo, simples de medir e com aplicabilidade clínica e prática”, afirma Monica Levy Andersen, professora da Unifesp e coordenadora da pesquisa, para a Agência Fapesp.

Por que a homocisteína  aumenta no sangue?

“Ainda não sabemos se é a apneia que causa a elevação da homocisteína no sangue ou se é o nível aumentado desse aminoácido que agrava a apneia. Nossa hipótese é que seja uma correlação bidirecional”, pontua a pesquisadora Andersen. 

Hoje, “seria interessante que mais médicos, de todas as especialidades, pedissem esse exame no check-up de pacientes acima de 40 anos. É algo simples e que não onera o SUS. E os resultados poderiam, no mínimo, fornecer mais informações sobre essa correlação”, completa.

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Fonte: European Archives of Oto-Rhino-Laryngology e Agência Fapesp