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Exame de sangue: aprenda a interpretar seu hemograma

Por| Editado por Luciana Zaramela | 08 de Abril de 2022 às 14h51

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claudioventrella/envato
claudioventrella/envato

O exame de sangue — oficialmente conhecido como hemograma completo — é um dos exames mais solicitados por médicos e, muito provavelmente, você já o fez em um laboratório. Após a coleta, diferentes tipos de células do sangue são examinados, como a quantidade e a qualidade dos glóbulos vermelhos (hemácias) ou das plaquetas. Apesar de simples, pode indicar a existência de diferentes doenças.

Para compreender as etapas deste exame bastante comum e entender como ler um hemograma, o Canaltech conversou com o médico Cezar Gonçalves, hematologista e integrante do grupo de discrasias plasmocitárias do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), em São Paulo.

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O que o hemograma revela sobre a saúde?

Antes de seguirmos, é preciso entender o porquê dos hemogramas serem tão comuns. "O sangue é o principal elemento biológico utilizado para avaliar a saúde das pessoas, porque é facilmente coletado e a maioria das doenças pode ser detectada, seja por alteração nas células do sangue, presença de determinados anticorpos ou alteração quantitativa de inúmeras substâncias que podem ser dosadas por técnicas laboratoriais", explica Gonçalves.

Por exemplo, um exame de sangue pode indicar inúmeros diferentes distúrbios hematológicos, como:

  • Anemias;
  • Púrpuras;
  • Doenças mieloproliferativas (um grupo de doenças que afetam as células-tronco da medula óssea as quais crescem e se reproduzem de maneira anormal);
  • Leucemias e linfomas;
  • Infecções bacterianas, fúngicas ou virais;
  • Inflamações em geral.
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Alteração em um único ponto pode ser perigoso?

Assim que o resultado de um exame sai, é costume olhar o laudo antes de levar para a análise de um médico. Nesse momento, identificar um único fator alterado pode ser perigoso? Muito provavelmente, não. Afinal, "o hemograma avalia vários parâmetros das células sanguíneas e deve ser analisado globalmente", explica Gonçalves.

"Alterações isoladas geralmente são menos preocupantes que alterações que acometem mais de um tipo de célula sanguínea [hemácias, leucócitos e plaquetas]. Por questões práticas, algumas vezes solicita-se apenas a dosagem de hemoglobina e hematócrito para verificar se o paciente necessita de uma transfusão de concentrado de hemácias, por exemplo", completa o médico.

O que é avaliado no exame de sangue?

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De forma geral, o hemograma é dividido em três grandes séries: vermelha, branca e plaquetária. Cada uma vai se concentrar na análise de células específicas do sangue. É importante explicar que, além da questão quantitativa — como o número de plaquetas —, o hemograma também traz análises qualitativas. Neste ponto, são observados o tamanho, a forma e a coloração das células, por exemplo.

A seguir, confira o resultado de um exame de sangue e entenda o que significa cada série do hemograma:

Série Vermelha

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A série vermelha envolve a contagem e análise dos glóbulos vermelhos (hemácias ou eritrócitos). Além disso, o hemograma avalia uma proteína específica presente nesses glóbulos, a hemoglobina. Esta é responsável pela coloração vermelha do sangue e auxilia o transporte de oxigênio pelo organismo. Quando a concentração está baixa, pode indicar diferentes quadros, como a anemia.

Série branca

Enquanto isso, a série branca avalia os glóbulos brancos (leucócitos). De forma geral, estas células são responsáveis por defender o organismo contra agentes invasores, como vírus e bactérias. No entanto, o grupo é bastante vasto e a concentração de diferentes células deste tipo é verificada, como os neutrófilos, os eosinófilos, os basófilos, os linfócitos e os monócitos.

Para citar um único exemplo das possíveis leituras desta parte do hemograma, a elevada concentração dos basófilos no sangue pode ser um indicativo de que o paciente esteja em um estado alérgico ou com uma inflamação prolongada, como a asma.

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Plaquetas

Por fim, o exame de sangue também indica a situação das plaquetas. Estas células são produzidas na médula óssea e são fundamentais no processo de coagulação do organismo. Como regra, pacientes com baixa concentração dessas células podem apresentar dificuldades para que o sangue coagule e que ferimentos sejam estancados. Por isso, sangramentos podem ser mais intensos e, em alguns casos, é necessário recorrer à medicação para melhorar esse processo.

Interpretando os resultados

Basicamente, a partir do resultado do hemograma, é possível ter uma ideia do que realmente está acontecendo no seu organismo e, para isso, é possível comparar com a base nos valores de referência (VR). Estes são indicadores que os laboratórios fornecem, após muita pesquisa científica, como uma média do que é considerado normal no organismo. Abaixo, citamos alguns exemplos:

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Um exemplo disso é verificar a concentração de plaquetas. Em casos de suspeita de dengue, este valor se encontra muito abaixo do referenciado, o que pode ser um forte indicativo da doença. Em outras circunstâncias, pode ajudar a montar o diagnóstico de um quadro de lúpus.

Enquanto isso, pacientes com suspeita de anemia costumam apresentar baixa concentração de hemoglobinas no sangue. Por outro lado, um elevado número de linfócitos no sangue indica uma infecção, que o médico deve investigar de acordo com a sua especialidade e o histórico de saúde do paciente.

Apesar de indicar que algo pode estar destoante na saúde do paciente, o hemograma é uma ferramenta que orienta o médico a investigar o quadro mais a fundo. Conforme informou Gonçalves, o exame de sangue deve ser avaliado globalmente, junto a anamnese, exames clínicos e, dependendo do caso, com exames complementares, sejam de sangue, de imagem ou de cultura de células.

Exemplo prático

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O hemograma que trouxemos como exemplo no texto é de um homem, de 23 anos. A maioria dos indicadores está dentro dos valores de referência, o que indica boas condições de saúde. Apesar disso, a concentração de hemoglobina corpuscular média (CHCM) está levemente alterada. No exame, a CHGM está em 36,2, sendo que o limite aceitável é apenas 36.

Por estimar acima da média, este pode ser um indicativo de que o paciente apresenta consumo elevado de álcool ou que tem algum problema na glândula tireoide. Normalmente, a preocupação ocorre quando o valor é muito superior. Nestes caso, cabe ao médico interpretar e, em caso de dúvidas, sugerir uma nova coleta para tirar a dúvida.

Qualquer alteração no hemograma é preocupante?

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Vale lembrar que, segundo Gonçalves, "uma alteração no hemograma não necessariamente é preocupante, mas deve ser avaliada e interpretada pelo próprio médico que solicitou o exame. Ele verificará as características clínicas do paciente a partir do contexto no qual o exame foi solicitado".

Por causa disso, a principal recomendação é que, após pegar o resultado de um hemograma ou de um outro exame qualquer, ele seja analisado por um profissional da saúde. Em alguns casos, a consulta de retorno demora a acontecer, mas isso pode ter, às vezes, complicações graves para o paciente. Afinal, este resultado pode mudar a nossa vida e o tratamento precoce costuma ser sempre a melhor opção.

Alterações no hemograma NÃO SÃO determinantes para diagnóstico. O médico é quem deve orientar o paciente quanto ao diagnóstico e tratamento, sendo o exame de sangue uma ferramenta que norteia o profissional da saúde, já que traz informações valiosas sobre o funcionamento do organismo.