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Apneia do sono afeta DNA e acelera envelhecimento precoce

Por| Editado por Luciana Zaramela | 17 de Julho de 2023 às 13h28

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Amenic181/Envato
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A pessoa com apneia obstrutiva do sono (SAOS) costuma dormir mal, já que sofre com inúmeras pausas respiratórias, interrompendo o período de descanso, durante à noite. Agora, cientistas brasileiros descobriram que a condição crônica provoca também o encurtamento dos telômeros do DNA e, com isso, contribui para o envelhecimento celular precoce.

A vantagem é que existe um tratamento eficaz disponível, mesmo que não seja tão confortável e cômodo para o paciente com apneia do sono. É o uso noturno do aparelho de pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP, em inglês), conforme aponta o novo estudo liderado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e publicado na revista científica Sleep.

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A confirmação da eficácia do tratamento, usado há anos, é uma boa notícia, já que a incidência global da doença é bastante alta, segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). O quadro afeta aproximadamente 30% da população adulta mundial, sendo que a maior parte dos pacientes, entre 85% e 90%, não é diagnosticada.

Entendenda o que é apneia do sono

Antes de seguir, vale explicar que a apneia obstrutiva do sono consiste em múltiplos episódios de fechamento parcial ou completo das vias respiratórias superiores. É como se a respiração fosse “parada” inúmeras vezes ao longo da noite. Em alguns casos, o paciente acorda com a sensação de sufocamento.

Normalmente, essas pessoas roncam por causa da condição potencialmente grave. Só que nem todo ronco é característico da apneia, sendo necessária a investigação individual de cada caso. Para fechar o diagnóstico, o médico pode solicitar o exame de polissonografia, que monitora o sono através de equipamentos eletrônicos dentro do consultório.

De forma geral, sabe-se que o distúrbio não tratado pode impactar a saúde de inúmeras formas, como:

Como a apneia do sono causa envelhecimento precoce?

No atual estudo, os cientistas da Unifesp concentram os seus esforços em compreender como a apneia obstrutiva do sono impacta os telômeros. Estas são estruturas presentes nas extremidades dos cromossomos e que têm o papel de preservar o material genético existente no núcleo celular.

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Com o passar dos anos, os telômeros naturalmente são encurtados, conforme se dividem para regenerar novos tecidos e órgãos do corpo. Isso é natural em pessoas mais velhas. Só que a apneia não tratada acelera esse processo, reduzindo a capacidade de renovação celular de um indivíduo.

“O encurtamento dos telômeros é inevitável, porque está relacionado à inflamação e ao estresse oxidativo do envelhecimento, mas descobrimos que pessoas com apneia apresentam uma aceleração desse processo”, detalha Priscila Farias Tempaku, pesquisadora da Unifesp e autora do estudo, para a Agência Fapesp.

O porquê do encurtamento acelerado ainda não é totalmente conhecido, mas acredita-se estar relacionado com a baixa qualidade do sono. Afinal, uma boa noite de descanso é fundamental para a saúde do organismo.

Tratamento para apneia obstrutiva do sono

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Para reduzir o processo de encurtamento dos telômeros, os pesquisadores investigaram a eficácia do uso do aparelho de CPAP. Basicamente, é um aparelho acoplado a uma máscara que lança ar no nariz durante o sono, regularizando a respiração do indivíduo.

Buscando medir o impacto da terapia, o grupo recrutou 46 pacientes homens, com idades entre 50 e 60 anos, diagnosticados com apneia obstrutiva do sono de forma moderada ou grave. Os voluntários foram acompanhados por seis meses, sendo que uma parte do grupo utilizou um equipamento incapaz de gerar o efeito desejado (placebo).

Efeito do CPAP contra a apneia do sono

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Após comparar os resultados entre os pacientes que usaram o aparelho correto e o placebo, “observamos que, tanto aos três quanto aos seis meses, o uso do CPAP atenuava essa aceleração [de encurtamento dos telômeros]”, pontua a pesquisadora Tempaku.

“Os resultados deixam claro o papel do sono como fator protetor para o envelhecimento ou de risco para quem apresenta alguma alteração”, acrescenta Sergio Tufik, diretor do Instituto do Sono da Unifesp e coordenador do estudo. “Esse é um ótimo incentivo, já que a maioria das pessoas resiste a usar o CPAP”, completa.

Fonte: SleepAgência Fapesp e SBEM