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Estudo revela microplásticos em todas as placentas analisadas

Por| Editado por Luciana Zaramela | 22 de Fevereiro de 2024 às 09h37

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Microgen/Envato Elements
Microgen/Envato Elements

Sempre que microplásticos são encontrados em um novo lugar, é como se a humanidade desse mais um passo rumo a um cenário cada vez mais preocupante. E um novo capítulo dessa história se concretizou com um estudo publicado na revista Toxicological Sciences, já que esses materiais nocivos foram encontrados na placenta humana — não apenas em uma ou outra, mas simplesmente em 100% das amostras analisadas.

Não é exagero dizer que, a essa altura, essas partículas tóxicas podem ser encontradas em qualquer lugar. Microplásticos já foram vistos na água acumulada em plantas e até no coração humano, por exemplo. É um reflexo de como a interação entre as pessoas e o meio ambiente tem ficado mais hostil e descontrolada.

Para o novo estudo, uma equipe do UNM Health Sciences (EUA) analisou coletou e analisou 62 amostras de placenta doadas, e desconstruíram a gordura e as proteínas contidas em um processo conhecido como saponificação. Nesse procedimento, a substância resultante da reação entre um álcool e um ácido leva a um sal orgânico. Tipo um sabão.

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Essas amostras passaram também por um processo de "centrifugação", em um dispositivo que ajudou a separar todos os microplásticos. Para entender quais tipos de plástico estavam presentes, os pesquisadores aqueceram o material e analisaram os gases emitidos.

Microplásticos em todas as placentas

O artigo descreve a presença de microplástico em todas as 62 amostras, variando de 6,5 a 790 microgramas para cada 1 grama de tecido. O mais notável desses materiais foi o polietileno, que costuma ser utilizado na fabricação de sacolas plásticas e garrafas.

No entanto, o polietileno não foi o único tipo de plástico encontrado nas placentas. Os pesquisadores também mencionam no estudo materiais como PVC, náilon e até poliestireno (presente nos pentes, cabides, embalagens para pastas e margarinas, disjuntores, bandejas para alimentos, potes para guardar comidas e brinquedos).

“Se a dose continuar subindo, começamos a nos preocupar. Se observarmos efeitos nas placentas, então toda a vida dos mamíferos neste planeta poderá ser afetada. Isso não é bom”, alegam os cientistas.

Microplásticos nas placentas: o que significa?

Estudos já tinham visto o material em uma placenta humana antes, mas a descoberta de microplásticos em simplesmente todas as amostras analisadas leva essa questão a outro nível. 

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Exposição fetal

Um dos alertas que podemos extrair dessa nova análise é que os fetos provavelmente estão expostos a essas partículas durante o desenvolvimento no útero. Quais os possíveis efeitos desses materiais em desenvolvimento fetal? A longo prazo, o que isso representa para uma humanidade que já vai nascer sob as consequências do microplástico? São questões que cabem aos próximos estudos. 

Impactos na saúde

Também já não é segredo para os cientistas que os microplásticos podem aumentar risco para doenças ou até mesmo perturbar funcionamento de hormônios. Só que, por enquanto, o estudo dos efeitos dos microplásticos na saúde humana ainda está em estágios iniciais.

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Então a presença dos microplásticos na placenta — nesse nível nunca percebido antes — destaca a urgente necessidade de mais pesquisa sobre esses materiais em interação com a gestação, o desenvolvimento embrionário, etc. As descobertas vêm dia após dia, mas ainda há uma longa trajetória de análises pela frente, para entender a dimensão desses impactos.

Fonte:  Toxicological Sciences, UNM Health Sciences