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DNA neandertal explica motivo de alguns gostarem de acordar cedo

Por| Editado por Luciana Zaramela | 14 de Dezembro de 2023 às 15h00

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Erich Ferdinand/CC BY 2.0
Erich Ferdinand/CC BY 2.0

Se você gosta de acordar cedo e já está de pé logo no começo da manhã, saiba que essas características matinais podem ter sido herdadas dos seus antepassados neandertais — sim, estes hominídeos cruzaram com humanos há milhares de anos, e alguns vestígios desta relação permanecem no DNA moderno.

Por causa desses cruzamentos, os humanos atuais podem carregar até 4% do DNA neandertal, o que inclui genes ligados com o cabelo, a pigmentação da pele, a gordura, a sensibilidade à dor e até a imunidade. Esta influência é mais forte, na maioria das vezes, entre os europeus e os latino-americanos.

Agora, cientistas da Universidade da Califórnia (UC), nos EUA, alegam que esta herança pode afetar também o ritmo circadiano ("relógio biológico") de algumas pessoas, favorecendo comportamentos matutinos. A teoria foi defendida em artigo publicado na revista Genome Biology and Evolution.

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Analisando o DNA neandertal

“Ao combinar DNA antigo, estudos genéticos em larga escala em humanos modernos e Inteligência Artificial, descobrimos diferenças genéticas substanciais nos ritmos circadianos dos neandertais e dos humanos modernos”, afirma John A. Capra, pesquisador da UC e um dos autores do estudo, em nota.

“Analisando os pedaços de DNA neandertal que permaneceram nos genomas humanos modernos, descobrimos uma tendência surpreendente”, acrescenta Capra. Para o cientista, muitos desses genes têm conexão com o ritmo circadiano nos humanos modernos. Na maioria dos casos, eles estão “aumentando a propensão da pessoa ser matinal”, completa.

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A vida dos neandertais

Para entender de onde vem a tendência dos neandertais “preferirem” acordar cedo, é preciso voltar alguns milhares de anos na história. Alguns hominídeos, como os neandertais e os denisovanos, já viviam na Eurásia há cerca de 400 mil anos e se diferenciavam dos humanos há mais de 700 mil anos. Foi tempo suficiente para evoluírem em condições ambientais diferentes.

O ponto é que os ambientes em que os neandertais viveram na Eurásia estavam localizados em latitudes mais altas, com horários de luz do dia mais variáveis ​​do que as paisagens onde os humanos modernos evoluíram nesse mesmo período.

De forma geral, o padrão e o nível de exposição à luz têm consequências biológicas e comportamentais que podem levar a adaptações evolutivas, ou seja, podem afetar o DNA, como se demonstra agora.

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Bem mais recentemente, há cerca de 70 mil anos, os humanos começaram a sair da África e a chegar até a Eurásia, onde passaram a viver em latitudes mais altas. Eis que, no momento em que os diferentes grupos cruzaram, as variantes genéticas já adaptadas ao novo cenário — aquelas que favoreciam o ser matinal — acabaram entrando no DNA humano moderno e se perpetuaram por serem vantajosas, o que não aconteceu com a maioria do DNA neandertal.

Fonte: Genome Biology and Evolution e Oxford University Press (EurekAlert)