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Crânios de humanos e neandertais revelam quando ambas as espécies se cruzaram

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Agosto de 2022 às 20h30

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John Gurche, Chip Clark/Domínio Público
John Gurche, Chip Clark/Domínio Público

Uma nova pesquisa, que analisa a estrutura facial de humanos ancestrais, descobriu que o genoma humano pode ter se misturado com DNA neandertal antes de migrarmos para a Ásia. Publicada na revista científica Biology, ela teve a participação de antropólogos evolutivos e nos trouxe diversas novidades sobre a evolução humana.

Segundo os cientistas, é comum pensar na evolução como se fosse uma árvore, onde cada galho dá origem a outros, diversificando cada vez mais as espécies. Esse entendimento, no entanto, vem sendo substituído por outra analogia possivelmente mais acurada — a de uma série de córregos que convergem e divergem em diversos pontos, sendo modificados várias vezes ao longo do caminho.

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Quando cruzamos com os neandertais?

Ao estudar a relação dos Homo sapiens ancestrais com os Homo neanderthalensis, foi possível entender melhor como essas correntes se encontraram, de acordo com os pesquisadores. Já se sabia que estas espécies cruzaram entre si, mas o fato de populações asiáticas modernas terem mais DNA neandertal do que europeus modernos confundia a ciência, já que a extinta espécie habitava a Europa.

Isso sugeria um cruzamento de raças logo que nossos ancestrais pré-históricos deixaram a África, mas antes de se dirigirem à Ásia. Buscando entender melhor essa dinâmica, foram analisadas as estruturas faciais tanto dos humanos da época quanto dos neandertais. Coletando dados morfológicos craniofaciais de 13 neandertais e 233 Homo sapiens pré-históricos da literatura científica, os cientistas os compararam com os dados de 83 humanos modernos.

As medidas coletadas foram usadas para determinar estruturas faciais chave das espécies em questão, tentando entender em que momento absorvemos características dos neandertais. Eles tinham faces grandes, mas isso não é o suficiente para determinar ligações genéticas, então a análise teve de ser mais robusta. Também foram eliminadas variáveis ambientais que possam ter mudado características faciais humanas.

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Mesmo que a evolução tenha deixado os rostos humanos menores, eles ainda guardam algumas características de seus parentes neandertais: os dados mostram que o local geográfico mais importante no cruzamento das espécies foi o Oriente Próximo, tanto geografica quanto evolutivamente.

Apesar de a amostragem ter sido relativamente pequena, os cientistas se surpreenderam com a solidez dos dados gerados pela pesquisa. Para dar seguimento ao estudo, a ideia é coletar medidas de mais populações humanas, como os natufianos, uma cultura do final do Paleolítico — ou seja, que viveu há cerca de 14.000 anos — na região mediterrânea do Levante, onde hoje ficam Síria, Jordânia, Israel, Palestina, Líbano e Chipre.

Fonte: Biology