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Humanos modernos carregam DNA neandertal no genoma

Por| Editado por Luciana Zaramela | 12 de Junho de 2023 às 09h50

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iLexx/Envato
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Equipe internacional de cientistas descobriu que os genes neandertais representam entre 1% a 4% do genoma dos humanos modernos cujos ancestrais migraram da África. Mesmo que existissem diferenças entre os grupos, as interações foram relativamente comuns. Para chegar a esta conclusão, foram analisadas mais de 300 mil amostras de DNA, provenientes do Reino Unido.

“As variantes genéticas introduzidas nos ancestrais dos humanos modernos, a partir do cruzamento com os neandertais [Homo neanderthalensis], contribuem de forma inesperada para traços humanos complexos”, afirmam os autores, em artigo publicado na revista científica eLife. Entre os impactos dos genes neandertais, está o funcionamento do sistema imunológico, por exemplo.

No processo de pesquisa, os cientistas desenvolveram um novo conjunto de ferramentas genéticas computacionais, capazes de traçar os efeitos genéticos do cruzamento entre humanos de ascendência não africana e os neandertais, algo que teria ocorrido há cerca de 50 mil anos. Aqui, cabe destacar que os resultados se aplicam especialmente aos descendentes de europeus.

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Genes neandertais presentes no homem moderno

No total, foram descobertas mais de 235 mil variantes genéticas que, muito provavelmente, se originaram dos neandertais. No entanto, apenas 4,3 mil deles desempenham algum papel significativo nos humanos modernos hoje, sendo que influenciam 47 características genéticas distintas.

“Curiosamente, descobrimos que vários dos genes identificados envolvidos nos sistemas imunológico, metabólico e de desenvolvimento humano moderno podem ter influenciado a evolução humana após a migração dos ancestrais para fora da África”, afirma April (Xinzhu) Wei, da Universidade Cornell, nos Estados Unidos, em nota.

A seguir, confira alguns exemplos desses genes que acompanham os humanos há cerca de 50 mil anos:

  • Genes neandertais que afetam o sistema imunológico, como FCGR2A e o IKZF;
  • Genes que atuam em funções neurológicas durante o desenvolvimento, como o ANKRD11;
  • Genes que impactam a velocidade do metabolismo, como AKR1C4.

“De forma mais ampla, nossas descobertas também podem fornecer novos insights para biólogos evolutivos, observando como os ecos desses tipos de eventos [a interação entre os humanos e os neandertais] podem ter consequências benéficas e prejudiciais”, aponta Sriram Sankararaman, da Universidade da Califórnia, nos EUA.

Para além das questões apresentadas pelo atual estudo, pesquisas anteriores chegaram a sugerir que traços mais visíveis foram herdados dos neandertais, como os narizes grandes. Nesse caso, o alvo é o gene ATF3. A hipótese é de que esta adaptação corporal é responsável por aquecer e umidificar o ar seco dos climas mais gelados onde eles viviam, segundo afirmam pesquisadores do Museu de História Natural, na Inglaterra.

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Fonte: eLife e Universidade Cornell