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Covid longa: 3 a cada 5 pacientes apresentam danos em órgãos após um ano

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Fevereiro de 2023 às 10h40

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Twenty20photos/Envato Elements
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Em um pequeno estudo, cientistas britânicos identificaram que a covid longa provoca danos duradouros aos órgãos de três a cada cinco pacientes um ano após a infecção. A descoberta sobre o quão durador é o quadro acende um sinal vermelho para este lado ainda pouco conhecido da covid-19 e indica a necessidade de novos tratamentos e formas de triagem para a condição.

No Reino Unido, mais de 1,2 milhão de pessoas convivem com os sintomas e desdobramentos da covid longa por 12 meses ou mais, segundo o último levantamento do Instituto Nacional de Estatísticas Britânico. Nos Estados Unidos, pesquisadores relacionam a condição com inúmeros desafios para a economia e o mercado de trabalho, para além da saúde pública. No Brasil, não existem estatísticas oficias.

Impactos da covid longa nos órgãos dos pacientes

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Publicado na revista científica Journal of the Royal Society of Medicine, o estudo sobre os impactos duradouros nos órgãos de pacientes com a covid longa foi desenvolvido por pesquisadores da University College London (UCL). Durante a pesquisa, o grupo monitorou 536 indivíduos, com idade média de 45 anos, entre 2020 e 2021, quando as vacinas ainda não estavam amplamente disponíveis. Todos estavam com a condição há pelo menos seis meses e passaram por pelo menos uma ressonância magnética que avaliava a saúde dos órgãos afetados.

Entre os sintomas dos pacientes do estudo, os sintomas da covid longa mais comuns foram:

  • Dispneia (falta de ar);
  • Disfunção cognitiva;
  • Redução geral no nível de qualidade de vida.
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Um ponto importante é que o estudo não associou a covid longa com a hospitalização dos pacientes durante a fase aguda da doença, como o senso comum supõe. Em números, apenas 13% dos voluntários considerados na pesquisa foram internados.

Descobertas sobre a condição

Ao analisar os exames e os dados clínicos, os pesquisadores identificaram que 331 participantes (62%) apresentavam danos duradores em algum órgão. Este grupo específico continuou a ser acompanhado e, após seis meses, os voluntários passaram por uma segunda ressonância magnética. Dessa forma, os cientistas identificaram que 59% dos participantes continuavam a apresentar danos nos órgãos.

"Três em cada cinco pessoas com covid longa apresentam comprometimento em pelo menos um órgão, e uma em cada quatro apresenta comprometimento em dois ou mais órgãos, em alguns casos sem sintomas", afirmam os autores. "O impacto na qualidade de vida e nos afastamentos do trabalho, principalmente nos profissionais de saúde, é uma grande preocupação para indivíduos, sistemas de saúde e economias", complementam.

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Quais órgãos são mais afetados pela covid longa?

A seguir, confira os seis órgãos mais afetados em pacientes com covid longa há mais de um ano, segundo a pesquisa britânica:

  1. Fígado;
  2. Coração;
  3. Rim;
  4. Pâncreas;
  5. Pulmões;
  6. Baço.

Hoje, os pesquisadores ainda não sabem se os comprometimentos observados serão permanentes e nem se algum nível de melhora poderá ser captado no futuro. Neste ponto, os pacientes com a covid longa ainda devem ser monitorados, o que irá ajudar a dimensionar o novo desafio para a saúde pública. Também não se sabe como as vacinas e as novas variantes, como as descendentes da Ômicron, modificam essa relação de risco.

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Fonte: Journal of the Royal Society of Medicine e The Conversation