COVID-19: como manter seu filho e sua família seguros com a volta às aulas

COVID-19: como manter seu filho e sua família seguros com a volta às aulas

Por Nathan Vieira | 02 de Outubro de 2020 às 15h30
Julia M Cameron/Pexels

A relação entre as crianças e a COVID-19 ainda é alvo de muito estudo e de muitas dúvidas, e acaba sendo um dos fatores mais delicados desta pandemia. No entanto, lado a lado com essa questão vem a reabertura das escolas, e muitas delas já estão recorrendo à reabertura. Aqui no Canaltech, já fizemos uma análise sobre os possíveis impactos que essa reabertura em 2020 teria. Com essa volta às aulas em mente, listamos aqui algumas dicas para manter a segurança do seu filho e da sua família.

Em meados de agosto, pesquisadores do Massachusetts General Hospital (MGH), afiliado a Harvard, e do Mass General Hospital for Children (MGHfC) descobriram que as crianças desempenham um papel maior na difusão do coronavírus na comunidade do que se pensava anteriormente, uma vez que as infectadas mostraram ter um nível significativamente mais alto de vírus em suas vias aéreas do que adultos hospitalizados em UTIs para tratamento da doença.

Segundo o estudo norte-americano, embora as crianças mais novas tenham um número menor do receptor do vírus do que as crianças mais velhas e os adultos, isso não se correlaciona com uma carga viral reduzida, o que significa que são mais contagiosas. Ainda assim, crianças e COVID-19 ainda formam uma relação misteriosa a ser desvendada pela medicina. Além disso, um estudo de junho publicado na Nature Medicine descobriu que pessoas com menos de 20 anos têm metade da probabilidade de contrair a doença. O relatório indica que entre 0,2 e 8,8% dos casos infantis de COVID-19 nos EUA exigiram hospitalização, e a taxa mais alta de mortes pediátricas foi de 0,6%.

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De qualquer forma, frente à reabertura das escolas, alguns cuidados passam a ser essenciais principalmente em momentos de interação como na hora do lanche, em que a criança vai manusear alimentos e ter contato mais próximo aos demais colegas. A tarefa de ensinar os procedimentos desta nova realidade não é fácil e deve ser enxergada como um trabalho em conjunto da família e dos profissionais da escola. De acordo com a nutricionista Ryung Minami da empresa de refeições corporativas Sapore, as equipes dos colégios precisam estar treinadas para ajudar e orientar os alunos de forma adequada.

Dicas para manter seu filho seguro com a volta às aulas nessa pandemia (Imagem: Taylor Wilcox / Unsplash)

Não compartilhar o lanche

É claro que é importante ensinar a criança a dividir as suas coisas com os colegas. No entanto, num período como esse, a recomendação é que a criança não divida o lanche ou utensílios como copos e talheres, já que entram em contato direto com a boca e com as gotículas de saliva, o que poderia propagar o vírus. Assim, os pais precisam orientar que cada um deve ter e comer suas próprias coisas. Para ajudar, os pais podem colocar na mochila ou na lancheira copos, guardanapos e toalhas que sejam descartáveis.

Não compartilhar objetos

No entanto, a dica de não compartilhar o lanche serve também para materiais escolares ou mesmo quaisquer objetos. Sendo assim, a infectologista recomenda instruir o filho a não compartilhar objetos com outros alunos. "Principalmente de objetos que possam carreagar alguma partícula de secreção respiratória ou bucal", aponta Layla Almeida, infectologista e coordenadora médica da Plataforma de Telemedicina Conexa Saúde.

Lavar as mãos

Algo que os especialistas têm orientado desde o início da pandemia é o hábito de lavar as mãos com frequência. Crianças na escola também devem recorrer a esse hábito. Acontece que, ao ensinar seus filhos a lavar as mãos corretamente, especialmente depois de assoar o nariz, usar o banheiro e antes de comer, você pode ajudá-los a reduzir o risco de adoecer e infectar outras pessoas. "A gente tem que lavar as mãos sempre que for tocar em algum objeto e após o uso", orienta Layla. 

Pagamento sem contato

Em uma era em que tivemos a ascensão dos aplicativos, pagar sem ter contato se tornou algo bem comum, principalmente por causa da pandemia. Com isso, é recomendado evitar que as crianças peguem fila ou troquem dinheiro na lanchonete da escola. Aplicativos e outros produtos tecnológicos podem ajudar na antecipação do pedido do lanche pelos responsáveis. No dia basta a criança retirar e se alimentar. Portanto, verifique com a escola quais alternativas estão disponíveis. Isso impede que a criança toque em dinheiro, repasse, troque, toque na mão dos responsáveis pela cantina e coisas relacionadas a esse contato direto que é bom evitar.

Trocar a máscara

Usar máscara tem sido a principal forma de se proteger do vírus que assola a população nesse ano de 2020, então é imprescindível que o pai oriente o filho a usar máscara para ir à escola. No entanto, algo apontado pelos especialistas é a importância da troca de máscaras. Com isso, o indicado é colocar pelo menos três opções de máscara para que a criança faça as trocas de maneira adequada e segura. Além disso, é importante ensiná-las a guardar em uma sacolinha separada na bolsa. "O item crucial para se levar na mochila nesses dias é a máscara, sem dúvida nenhuma, e de preferência mais de uma, para caso a criança perca, ou caso aconteça alguma coisa, como a máscara ficar molhada, tenha uma reposição prontamente", reitera Layla.

A criança deve usar máscara, mas também trocá-la ao longo do dia, segundo os especialistas (Imagem: August de Richelieu / Pexels)

Orientações antes da volta às aulas

Para que essas informações sejam absorvidas, o recomendado é não deixar o aprendizado dessas ações de saúde para o primeiro dia de aula. Por isso, praticar todos esses procedimentos como se fosse um treinamento de "preparação para a escola" que começa ao sair de casa, lavando as mãos, verificando a temperatura, pode ser um passo para que as orientações sejam obedecidas sem estranhamento.

Contar tudo para os pais e professores

A infectologista orienta a deixar claro para as crianças como se manifesta o quadro de COVID-19 e instruir a contar sempre que houver qualquer sensação de desconforto. "Se a criança manifestar sintomas de febre, tosse, prostração, qualquer desconforto, como até mesmo diarreia, ou qualquer dinâmica de saúde diferente, ela deve prontamente informar aos pais e aos seus responsáveis dentro da escola", afirma a especialista. "Para se manter a proteção de alunos e professores, é necessário que todos tenham em mente que o trabalho de volta às aulas é cooperativo. Todos devem ter ciência do seu papel, ou seja: usar as máscaras, manter o distanciamento social e realmente notificar a escola e os pais em qualquer caso de manifestação de sintomas", Layla acrescenta.

Fonte: Com informações de Sapore, The Harvard GazetteScientific American

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