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Cientistas testam remédio inovador para ansiedade

Por| Editado por Luciana Zaramela | 23 de Junho de 2023 às 10h46

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microgen/envato
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Buscando melhores formas de tratar a ansiedade, depressão pós-parto e outras condições neurológicas, a empresa de biotecnologia PureTech trabalha no desenvolvimento de um novo remédio oral alopregnanolona ( LYT-300). O comprimido já está na Fase 2 dos testes clínicos, em parceria com a equipe da Monash University, na Austrália.

Hoje, a medicação alopregnanolona é usada de uma forma bastante específica nos Estados Unidos: terapia de infusão intravenosa, com duração total de 60 horas, para o tratamento da depressão pós-parto. No entanto, até o momento, não era possível condensar o medicamento em um comprimido, como propõe a PureTech com a plataforma Glyph, em fase de validação.

Por enquanto, os testes clínicos envolvem pessoas saudáveis, o que deve validar a medicação como um composto seguro e tolerável para o organismo. Esta etapa deve ser concluída até o final deste ano. Em paralelo, outras pesquisas com mulheres que foram recentemente mães e sofrem com a depressão deve ser iniciada nos próximos meses.

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Falta inovação nos remédios para ansiedade

Na perspectiva dos cientistas envolvidos no processo de desenvolvimento do novo tipo de remédio para ansiedade, falta inovação e novas propostas para pacientes que enfrentam as mais diversas condições neurológicas. Outro ponto é a praticidade dos tratamentos.

"Os transtornos de ansiedade são o tipo de transtorno mental mais comum, afetando quase 30% dos adultos em algum momento de suas vidas”, afirma Eric Elenko, diretor de inovação da PureTech. “Apesar disso, houve muito pouco desenvolvimento clínico nos últimos 20 anos”, pontua.

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"Acreditamos que nossa plataforma de tecnologia Glyph está posicionada para liberar o potencial terapêutico de uma variedade de moléculas, começando com a alopregnanolona, ​​e estamos ansiosos pelos resultados deste estudo, bem como pelo início de um estudo com LYT-300 na depressão pós-parto ainda este ano", complementa Elenko.

Pensando exclusivamente na ansiedade, é válido lembrar que as intervenções farmacológicas tendem a ser a última alternativa de tratamento. Antes disso, mudanças no estilo de vida, como a prática de exercícios, podem apresentar bons resultados no controle desse tipo de angústia. Outras alternativas envolvem a interrupção do uso de algumas substâncias que impactam a mente, como o álcool ou ainda o café.

Como funciona o novo remédio para ansiedade?

É possível transformar um remédio de aplicação na veia em um comprimido? Para os pesquisadores, a resposta é sim, mas isso exige o desenvolvimento de novas técnicas, como a plataforma Glyph.

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Após a ingestão do comprimido, o medicamento se conecta com uma molécula de gordura (lipídio), criando um novo pró-fármaco no organismo do próprio indivíduo. Com essa ligação inusitada, a medicação é redirecionada para a circulação sistêmica, contornando o fígado e indo do intestino para os vasos linfáticos que normalmente processam as gorduras. Em outras palavras, a técnica impede que o composto seja metabolizado antes da hora, permitindo a sua atuação correta.

Em tese, a mesma estratégia poderá ser usada para uma ampla gama de medicamentos orais, indo além da alopregnanolona. No futuro, a empresa já planeja testar a plataforma com outras medicações de aplicação exclusivamente intravenosa.

Fonte: Monash University e PureTech