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ChatGPT fecha diagnóstico de doença rara após criança consultar 17 médicos

Por| Editado por Luciana Zaramela | 13 de Setembro de 2023 às 15h55

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Wavebreakmedia/Envato
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Até onde uma inteligência artificial generativa pode ir na área da saúde? Nos Estados Unidos, viraliza o relato de uma mãe que só conseguiu diagnosticar a doença rara de seu filho — um tipo de malformação congênita — com o apoio do ChatGPT e de um grupo no Facebook. Antes disso, o filho de Courtney passou por 17 médicos e outros profissionais de saúde, como dentistas, sem sucesso, ao longo de 3 anos.

A jornada de Alex para obter um diagnóstico para as suas dores começou aos 4 anos. Naquela época, o menino tomava diariamente ibuprofeno — remédio prescrito como anti-inflamatório e analgésico, vendido sem receita médica.

Ao longo dos anos, a criança apresentou dores de cabeça, cansaço constante, mudanças de personalidade, acessos de raiva e arrastava o pé esquerdo quando caminhava. Além disso, sofria com problemas de crescimento.

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Diagnósticos para a criança misteriosamente doente

Após as consultas com os especialistas, Alex recebeu diagnósticos dos mais variados tipos, como bruxismo e Malformação de Arnold-Chiari. Inclusive, um pediatra classificou as alterações relatadas com os efeitos psicossociais impostos pela pandemia da covid-19.

“Passamos por muitos médicos. Acabamos indo ao pronto-socorro em um determinado momento”, conta a mãe para o jornal Today. Quando chegou ao limite, ela recorreu ao chatbot com IA generativa. Lá, ela detalhou tudo o que sabia sobre o caso do filho e os seus sintomas.

Ajuda do ChatGPT na identificação de doença rara

Segundo Courtney, o ChatGPT sugeriu como diagnóstico a síndrome da medula presa, também conhecida como a síndrome da medula ancorada. O interessante é que a doença se intensifica conforme a criança cresce, o que explicava o fato dos sintomas do filho estarem piorando.

Vale apontar que esta “é uma condição neurológica rara em que a medula espinhal está ligada (amarrada) aos tecidos circundantes da coluna vertebral. Isso impede que a medula espinhal se mova para acompanhar o alongamento da coluna à medida que cresce”, explica artigo da Universidade Stanford.

Na maioria das vezes, as crianças relatam dores intensas, mas isso varia de acordo com o grau da condição. Além disso, o quadro está quase sempre associado com espinha bífida, ou seja, um defeito de nascimento da coluna vertebral — a coluna não se fecha por completo.

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Grupo de apoio no Facebook foi importante

Após o suposto diagnóstico do ChatGPT, a mãe buscou mais informações sobre a doença rara na internet e encontrou um grupo no Facebook composto por famílias que tinham crianças com essa mesma questão de saúde. Lendo as histórias postadas, Courtney descobriu que a maioria dos pacientes sofriam por não conseguir diagnósticos imediatos da condição.

Munida de novas informações, a criança passou por uma nova consulta com um neurocirurgião — este médico não estava na lista dos anteriormente consultados. Após examinar os exames de ressonância magnética, o médico apontou para o problema da espinha bífida e confirmou o diagnóstico de síndrome da medula ancorada.

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Talvez, o grande problema do paciente tenha sido o fato de que o seu caso era atípico, conhecido como espinha bífida oculta. De forma resumida, a espinha de Alex estava aberta, mas a medula espinhal não estava fora do posicionamento normalmente esperado. Por isso, ele não apresentava as marcas características da condição.

Passada essa longa jornada de muitos erros até descobrir o nome e o tratamento específico para a sua doença, o menino foi finalmente operado e se recupera bem do procedimento.

ChatGPT pode diagnosticar doenças?

Após ler sobre esse relato, é tentador afirmar que o ChatGPT pode substituir os médicos e ser usado rotineiramente para o diagnóstico de doenças. No entanto, a realidade não é exatamente essa. Esta função está longe de ser o uso ideal da ferramenta com IA. Por outro lado, pode fornecer valiosos insights, como ocorreu com Courtney, que devem ser confirmados clinicamente.

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Inclusive, o uso da IA generativa já é testado na medicina, com inúmeros projetos em fase de desenvolvimento ou de implantação. Por exemplo, no Brasil, uma startup está desenvolvendo um chatbot que irá ajudar médicos a reduzirem a prescrição excessiva de antibióticos.

No oposto, uma recente pesquisa descobriu que, quando solicitado a recomendar tratamentos contra o câncer, o ChatGPT ainda induz a muitos erros. Mais perigoso, a ferramenta pode gerar alucinações, ou seja, sugerir coisas que não existem, o que pode ser um grande problema na área médica.

O que é necessário para melhorar a tecnologia?

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Dentro do atual cenário, incluindo o relato da mãe à imprensa, Jesse M. Ehrenfeld, o presidente da Associação Médica Americana (AMA), afirma que é impossível descartar os potenciais usos dessa tecnologia na área médica. Só que ela ainda precisa ser aperfeiçoada antes de chegar aos consultórios médicos.

Por isso, Ehrenfeld defende: “Assim como exigimos provas de que os novos medicamentos e produtos biológicos são seguros e eficazes, também devemos exigir a obtenção de evidências clínicas sobre a segurança e a eficácia das novas aplicações de saúde baseadas na IA”, como os chatbots.

Fonte: Today e Universidade Stanford