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Aquecimento global poderá tornar os fungos mais perigosos para o ser humano

Por| Editado por Luciana Zaramela | 01 de Fevereiro de 2023 às 19h40

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catolla/envato
catolla/envato

De todos os patógenos que afligem os seres humanos, os que têm ganhado cada vez mais espaço — embora talvez ainda não o suficiente, segundo cientistas — são os fungos. Embora nunca tenham causado uma pandemia, eles costumam atingir especialmente pessoas imunocomprometidas, a exemplo da Candida, do Aspergillus, do Cryptococcus e muitos outros. Para combatê-los, temos o calor corporal e o nosso sistema imune. Mas isso pode não durar para sempre.

Pesquisadores da Duke University School of Medicine estudaram os Cryptococcusneoformans (tipo de fungo do solo) para saber mais sobre suas habilidades de adaptação em condições extremas, evoluindo geneticamente para sobreviver no calor e então, potencialmente, infectar humanos mais facilmente. Climas mais quentes, segundo o estudo, fazem os transpósons, ou genes saltadores, agirem mais, mudando o uso e regulação genética do fungo.

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Como os fungos se adaptam

Os autores do estudo, publicado no periódico científico Proceedings of the National Academy of Sciences, acreditam que esses elementos genéticos móveis contribuam para uma adaptação ambiental, especialmente durante infecções. Como o estresse térmico aumenta a ação dos transpósons, eventos como o aquecimento global podem acabar fazendo com que os genes mutem mais, aumentando as chances de chegarem ao ponto de nos infectar facilmente bem mais rápido.

Se você se lembrou de The Last of Usao ler isso, pois saiba que a ideia é bem essa — menos a parte dos zumbis e da transmissão humana. Nós não passamos fungos uns para os outros, mas os esporos presentes no ar, sim. Respiramos esporos fúngicos o tempo todo, mas nosso sistema imune costuma ser eficiente o suficiente para afastar a ameaça, aliado à temperatura corporal.

No C. deneoformans, os pesquisadores notaram 3 transpósons especialmente ativos em aumentos de temperatura, mas há pelo menos outros 25 que podem acabar se tornando ativos eventualmente, caso uma evolução ocorra nessa direção. Novas tecnologias ajudaram os cientistas a encontrar essas partes escondidas no genoma do fungo.

Mais ativos no organismo

Em laboratório, foram acompanhadas 800 gerações dos patógenos, notando uma taxa de mutações de transpóson 5 vezes maior em fungos vivendo na nossa temperatura corporal, de 37 °C, em comparação com fungos a 30 °C. Essa mobilização de transpósons foi ainda maior em camundongos do que na cultura laboratorial, com os 3 elementos mais ativos agindo em até 10 dias de infecção dos roedores. É possível que os desafios de ter de enfrentar um sistema imune animal, além de outros estresses, acorde ainda mais os transpósons.

O resultado é mais um aviso de que o aquecimento global está afetando o planeta e seus habitantes, como os fungos, de maneiras inesperadas e potencialmente perigosas. O próximo passo é estudar patógenos em pacientes que tiveram relapso em infecções fúngicas, uma persistência que pode trazer os fungos de volta ao corpo do paciente com mudanças genéticas importantes de se conhecer. A ameaça posta pelos fungos nunca foi tão séria — e a tendência é piorar, caso façamos algo acerca do clima.

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Fonte: PNAS