Apneia de telas: os impactos da tecnologia na sua respiração
Por Nathan Vieira • Editado por Luciana Zaramela |

Você já ouviu falar da apneia de telas? O termo surgiu em 2007, com um estudo informal conduzido por uma ex-executiva da Microsoft chamada Linda Stone. À época, ela percebeu que as inspirações e expirações ficavam fquase imperceptíveis e superficiais nos momentos em que utilizada o computador. Desde então, a condição tem mostrado que os impactos da tecnologia em nossa saúde podem ser muito mais profundos do que imaginávamos.
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Essa condição pode ser definida como a interrupção da respiração durante uma tarefa feita à frente de uma tela. Em 2020, o termo tomou espaço no livro Breath: The New Science of a Lost Art, de James Nestor. Ao New York Times, o autor chegou a defender que a humanidade não evoluiu para ser "constantemente estimulada".
Ao mesmo veículo, o professor de psiquiatria Stephen Porges levantou teorias para essa condição: trata-se, segundo seu ponto de vista, de uma manifestação da reação à tensão do nosso corpo. O especialista entende que diante de um estímulo, o sistema nervoso procura sinais para decifrar se é ou não uma ameaça.
A teoria do professor é que o foco e a atenção exigem esforço mental e isso leva a alterações fisiológicas, como uma respiração mais superficial e a desaceleração da frequência cardíaca. Vale o alerta de que, quanto mais inesperado for o estímulo, maior a probabilidade de o corpo percebê-lo como uma ameaça.
De modo geral, esses reflexos não são prejudiciais, mas podem representar consequências negativas se ativados o dia todo, todos os dias. É que dessa forma, o sistema nervoso fica em um estado constante de alerta.
Quais são os sintomas da apneia de telas?
A apneia de telas pode resultar em exaustão após um dia de trabalho, justamente por conta das horas de respiração superficial. Ficar sentado diante da tela por muito tempo (ou seja, sem se movimentar de tempos em tempos) também pode contribuir para a condição.
A apneia da tela também pode ser mais comum entre os pacientes que trabalham em empregos de alto estresse durante muitas horas sem fazer muito exercício ou dormir.
Como as telas nos prejudicam
Já não é de hoje que os estudos se concentram nos malefícios que a exposição excessiva às telas pode desencadear na vida do ser humano.
As principais vítimas dessa exposição, na verdade, são as crianças: isso porque o vício em telas leva a atrasos no desenvolvimento. Segundo um artigo publicado na Journal of the American Medical Association (JAMA) of Pediatrics, o maior tempo de tela atrapalha a evolução da habilidade de comunicação e da capacidade de resolução de problemas.
Já um estudo publicado na revista científica BMC Psychology detalhou que algumas crianças analisadas passaram cerca de 13 horas por dia em frente às telas durante a pandemia, o que representa quase todos os minutos em que estavam acordadas.
O trabalho também descobriu que o maior uso de tempo de tela estava associado à ansiedade e à depressão nesse público. Em comunicado, a própria equipe reconhece que foi surpreendente ver uma associação tão forte.
Outro estudo da JAMA Pediatrics sugere que as telas podem tornar o público infantil mais impulsivo e sujeito a oscilações de humor.
Além da apneia de telas, a exposição aos dispositivos pode desencadear problemas de visão, por exemplo, o que só aumenta a preocupação dos especialistas.
Fonte: The New York Times, Psychologs, JAMA Pediatrics, BMC Psychology,