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Bebês "viciados" em telas podem ter atrasos no desenvolvimento

Por| Editado por Luciana Zaramela | 25 de Agosto de 2023 às 14h45

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Jelleke Vanooteghem/Unsplash
Jelleke Vanooteghem/Unsplash

Durante os primeiros anos de vida, as crianças que têm o tempo de tela limitado se desenvolvem melhor. No lado oposto, um bebê que passa quatro horas ou mais na frente de um celular, tablet ou televisão deve apresentar atrasos no desenvolvimento, segundo pesquisadores da Universidade de Tohoku, no Japão.

Publicado na revista científica Journal of the American Medical Association (JAMA) of Pediatrics, o estudo analisou a taxa de desenvolvimento de 7 mil crianças japonesas do nascimento até os quatro anos, através de questionários online respondidos pelos pais.

Após as análises, os cientistas concluíram que "o maior tempo de tela para crianças de 1 ano foi associado a atrasos no desenvolvimento na comunicação e na capacidade de resolução de problemas aos 2 e 4 anos". Após este período, os atrasos parecem se dissipar.

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Qual é o tempo recomendado de telas para crianças?

Antes de seguir para os detalhes do estudo, é válido fazer algumas observações. Quando se fala no tempo de tela de quatro horas em um dia, não significa que a criança “gastou” esse tempo todo em um único período que esteve com um celular. Na verdade, as quatro horas representam o total de tempo gasto com celulares, tablets, TVs e outros tipos de aparelhos com telas.

No oposto desse uso considerado excessivo de telas, a Organização Mundial de Saúde (OMS) e a Academia Americana de Pediatria recomendam que o tempo limite de tela para crianças de até 5 anos seja de apenas uma hora por dia. Dentro desse modelo, os especialistas entendem que os pequenos têm tempo para se movimentarem e dormirem adequadamente.

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Efeitos do excesso de telas em bebês

Voltando para as análises dos pesquisadores, quando uma criança de um 1 ano passa mais de quatro horas por dia nas telas, ela muito possivelmente vai apresentar atrasos na comunicação e nas habilidades de resolução de problemas quando avaliadas até os 4 anos.

Aos 2 e 4 anos, o uso excessivo de telas implicou em atrasos nas seguintes áreas de formação das crianças:

  • Desenvolvimento na comunicação;
  • Habilidades de coordenação motora fina, como as necessárias para pegar objetos com a mão;
  • Habilidades de coordenação motora grossa, como as necessárias para mover o corpo (andar ou engatinhar);
  • Capacidade de resolução de problemas;
  • Habilidades pessoais e sociais.
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Vale mencionar que, no estudo, menos da metade das crianças passavam uma hora ou menos usando delas por dia. Isso equivale a 3,4 mil crianças, ou seja, 48,5% dos voluntários da pesquisa.

Para além do atraso no desenvolvimento, outras pesquisas já relacionaram o uso excessivo de telas com a maior probabilidade de problemas na visão, e com casos de ansiedade e depressão, quando as crianças estão maiores.

O que explica o atraso no desenvolvimento de bebês?

Em uma análise bastante rasa das conclusões, é fácil supor que as telas são vilãs e elas é que fazem mal para o desenvolvimento de uma criança. Embora o atual estudo não tenha buscado responder o porquê dos dispositivos eletrônicos impactarem a aquisição de novas habilidades pelos pequenos, alguns pesquisadores externos têm boas hipóteses.

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Para David J. Lewkowicz, psicólogo do Centro de Estudos Infantis de Yale, nos EUA, a resposta para o problema não está nas telas, mas na falta do contato entre pais, cuidadores e filhos. Isso porque, no modo acelerado de vida da maioria das famílias, o tempo de tela acaba inibindo o tempo de relação entre humanos para a criança — este é fundamental no processo de aprendizagem.

Por exemplo, as crianças aprendem expressões faciais, palavras e novas habilidades a partir da relação com os adultos e outras crianças, algo que não pode ser inteiramente substituído por desenhos animados ou jogos virtuais em um tablet. Essa troca tão rica “não acontece quando você está olhando para a tela”, reforça Lewkowicz, para o jornal NYT. Em outras palavras, receber estímulos é algo fundamental, e não pode ser completamente terceirizado por aparelhos eletrônicos.

Para ajudar os pais e familiares a reduzirem o tempo de tela de crianças pequenas, o Canaltech já publicou um especial com 8 dicas importantes, como a importância do exemplo dos pais e não deixar os aparelhos no campo de visão dos pequenos.

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Fonte: JAMA Pediatrics e NYT