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Estudos: não há relação entre uso de telas e déficit de atenção em crianças

Por| Editado por Luciana Zaramela | 12 de Novembro de 2021 às 17h17

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AntonioGravante/Envato Elements
AntonioGravante/Envato Elements

Quem convive com crianças pequenas muito provavelmente já se perguntou se o excesso de telas — como a do tablet, da TV, do smartphone ou do computador — pode prejudicar o desenvolvimento daquele indivíduo. Inclusive, o senso comum tende a relacionar essa exposição com aumento de casos de hiperatividade e de déficit de atenção, mas dois estudos da Nova Zelândia não conseguiram estabelecer uma relação causal entre as telas e estas duas condições.

Ambas as pesquisas integram o projeto Growing Up in New Zealand (GUiNZ), um estudo longitudinal que acompanha mais de 6,8 mil crianças nascidas entre 2009 e 2010 no país. Os estudos foram liderados pela professora Maria Corkin, da Escola de Psicologia da Universidade de Auckland.

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A conclusão é que, por si só, o simples fato de crianças interagirem com telas não fará com que elas tenham qualquer alteração cognitiva durante o desenvolvimento. Por outro lado, situações associadas ao uso de telas podem trazer problemas de visão e prejudicar o desenvolvimento infantil saudável, a exemplo de crianças que fazem suas refeições com a TV ligada.

Certos comportamentos podem afetar o desenvolvimento das crianças

Publicado na revista Journal of Applied Developmental Psychology, um dos estudos investigou como o uso das telas, entre crianças com idade pré-escolar (entre 2 e 4 anos), pode afetar o desenvolvimento das funções executivas e desencadear sinais de desatenção ou de hiperatividade.

Vale explicar que funções executivas são consideradas habilidades cognitivas, como pensamento flexível, capacidade de controlar respostas impulsivas e memória. Para a pesquisadora Corkin, são as funções executivas que garantem o desenvolvimento de habilidades sociais nos anos pré-escolares e podem impactar na vida adulta.

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“Os anos pré-escolares são um período de aumento da neuroplasticidade em que as funções executivas se desenvolvem rapidamente", comenta. Entender mais sobre o uso de telas e os reflexos nas funções executivas pode, inclusive, ajudar no desenvolvimento das habilidades essenciais das crianças.

Após análises, o estudo observou apenas duas características do ambiente doméstico que foram associadas a uma menor desenvoltura das funções executivas: o fato da TV permanecer ligada, no mesmo cômodo em que está a criança, por longos períodos, independentemente de estarem assistindo ou não; e fazer refeições em frente à TV.

“Assistir à TV, muitas vezes, pode significar que as crianças não estão envolvidas em outras atividades. Por exemplo, se as famílias comem frequentemente em frente à TV, a oportunidade de conversas entre pais e filhos pode ser limitada. As conversas à mesa do jantar podem ajudar no desenvolvimento inicial da linguagem das crianças e no subsequente desenvolvimento das habilidades das funções executivas”, reflete Corkin.

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“Minimizar a TV no ambiente de uma criança e maximizar o envolvimento dos pais no uso da tela da criança, por meio de visualização conjunta, pode ajudar a manter o tempo de tela baixo e potencialmente ajudar no desenvolvimento das funções executivas durante os anos pré-escolares”, completa Corkin. No entanto, o estudo não conseguiu identificar se havia um tempo limite de tela para desencadear alguma relação negativa com desenvolvimento de funções executivas ou à atenção.

O que contribui para o maior tempo de exposição das crianças a uma tela?

Outra pesquisa da Nova Zelândia foi publicada na revista Journal of Child and Family Studies. Nesse estudo, os pesquisadores analisaram o tempo que as crianças passavam em frente a uma TV. Para isso, foram usadas informações compartilhadas pelos próprios pais, através de questionários. Para crianças na faixa etária de dois anos, o levantamento descobriu que a maioria das crianças (66%) passava apenas uma hora ou menos de tempo por dia.

Este período de exposição é muito próximo do que é recomendado pelo Ministério da Saúde local, que recomenda que estas crianças permaneçam menos de uma hora por dia em frente a uma TV. No entanto, cerca de 12% das crianças passam três ou mais horas por dia nas telas, o que pode ser motivo de preocupação.

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Para Corkin, quando o tempo "padrão" de telas é ultrapassado, vale observar os seguintes questionamentos: se a TV permanece ligada em momentos onde a criança não está assistindo; falta de regras do tempo de permanência; e exposição a conteúdos feitos para outras faixas etárias. De forma geral, as crianças que assistiam às telas com os pais tinham níveis gerais de tempo de tela mais baixos.

Para conferir o primeiro estudo, publicado na revista Journal of Applied Developmental Psychology, clique aqui. Para acessar o segundo artigo, publicado na revista Journal of Child and Family Studies, clique aqui.

Fonte: Growing Up