Dá para usar o Samsung DeX como computador para trabalhar e estudar?

Dá para usar o Samsung DeX como computador para trabalhar e estudar?

Por Bruno Bertonzin | Editado por Léo Müller | 14 de Junho de 2022 às 15h54
Danilo Berti/Canaltech

Desde a linha Galaxy S8, a Samsung possui um recurso bem interessante que permite “transformar” os celulares da marca em uma plataforma desktop para, literalmente, usar o celular como se fosse um computador. Ele se chama Samsung DeX, e nós resolvemos testá-lo para descobrir se é possível usar isso para trabalhar ou estudar.

O modo DeX permite expandir a exibição de quase todos os aplicativos instalados no smartphone para uma tela maior, como de um monitor ou notebook, por exemplo. É muito fácil enxergar a conveniência dessa ferramenta, mas será que ela vale a pena? É realmente confortável e prático usar o modo DeX?

Modo DeX permite expandir a funcionalidade dos celulares da Samsung para uma tela maior (Danilo Berti/Canaltech)

Usei a plataforma da sul-coreana por um dia para trabalhar e mostro, aqui, a minha experiência, para te falar se realmente é possível utilizar o serviço profissionalmente ou para estudos.

Aparelhos compatíveis

É importante destacar que nem todos os celulares da Samsung são compatíveis com o DeX, por mais recente que seja. Isso porque a empresa limita a funcionalidade para seus topos de linha.

Dito isso, o DeX é compatível com qualquer smartphone lançado a partir das linhas Galaxy S8 e Galaxy Note 8, além dos dobráveis da linha Galaxy Z e Galaxy Fold. O serviço também funciona com alguns modelos de tablets lançados desde a linha Tab S4.

Montando o setup

Para conectar o celular ao monitor — ou uma TV, por exemplo — é preciso apenas um cabo com uma ponta HDMI e a outra USB-C.

Ainda assim, a Samsung recomenda alguns acessórios originais para facilitar essa comunicação: o DeX Pad e o DeX Station, que são suportes para manter o celular em pé e ligar acessórios USB ou HDMI neles. No entanto, nenhum deles está disponível oficialmente no Brasil — o que dificulta um pouco na hora de montar um setup original da marca.

Conjunto com mouse e teclado conectados ao celular já permite usar o modo DeX (Imagem: Bruno Bertonzin/Canaltech)

Aqui, eu usei os acessórios Ready For da Motorola, que servem para o mesmo propósito nos celulares da concorrente (aliás, já escrevi sobre a possibilidade de o Ready For também servir para trabalhar e estudar). Dessa forma, pude utilizar um Galaxy S21 Plus normalmente conectado à minha TV, para não precisar de um monitor específico.

Além disso, conectei um mouse e um teclado Bluetooth direto no smartphone, para facilitar na hora de digitar e navegar entre as opções na tela. Caso não tenha, é possível usar o teclado e um trackpad virtual do próprio celular, apesar de não ser nada prático.

Uso do celular e da bateria

Enquanto usava o celular para trabalhar, a bateria foi drenada de forma significativa durante o expediente. Mas isso é perfeitamente natural, afinal fiquei com aplicativos como Edge, Chrome, Telegram e Slack abertos praticamente o tempo todo, além de ter dois dispositivos Bluetooth conectados ao aparelho todo o período.

Durante o dia, fiz bastante pesquisas na internet, assisti a alguns vídeos no YouTube e, na maior parte do tempo, utilizei o Documentos do Google no navegador para escrever textos. Então o celular ficou muitas horas em funcionamento constante, mesmo que com sua própria tela apagada.

Um ponto positivo é que é possível carregar o aparelho sem precisar desconectá-lo do monitor ou TV. Isso graças ao adaptador HDMI do Ready For, que também tem uma entrada USB-C para o celular. Caso estivesse usando acessórios originais da Samsung, eu poderia fazer o mesmo com o DeX Station ou com o DeX Pad, já que eles também oferecem essas portas extra.

Falando em números exatos, o Galaxy S21 Plus — que tem uma bateria de 4.800 mAh, teve sua carga reduzida de 100% a 15% em aproximadamente 8 horas de trabalho.

Uso de aplicativos e programas populares

O DeX da Samsung permite expandir a exibição de praticamente qualquer aplicativo instalado no smartphone para o monitor. Isso quer dizer que você poderá usar qualquer rede social e a maioria das aplicações disponíveis na Play Store durante a conexão.

Durante o meu dia de trabalho, usei bastante os navegadores Edge e Chrome, além dos aplicativos do Slack, Telegram, Twitter e Instagram. Também testei aplicações populares, como o Documentos e Planilhas do Google e seus rivais da Microsoft, o Office e o Excel.

Os aplicativos funcionam muito bem e de forma muito fluida. Mas é importante frisar um ponto: você não terá uma exibição de computador, mas apenas uma versão expandida do Android.

Plataforma permite usar praticamente qualquer app disponível no Android (Imagem: Bruno Bertonzin/Canaltech)

Na prática, isso deve confundir um pouco, mas nada muito grave. Por exemplo, no app do Documentos do Google você poderá ter um pouco de dificuldade para executar atalhos no teclado ou para selecionar um parágrafo todo com dois cliques no mouse nas versões.

Isso porque os apps para Android não reconhecem esses gestos como o Windows, então é como se eles não existissem, de fato. No navegador, porém, eles funcionam bem melhor.

Apesar de tudo isso, tive uma experiência muito satisfatória para usar o Edge — que é o navegador ao qual estou mais adaptado. Até notei uma velocidade muito maior para abrir sites e carregar páginas do que no meu próprio notebook, mas isso é devido ao chipset potente do Galaxy S21 Plus — em uma escala de dispositivos móveis, é claro.

Por fim, é importante deixar bem claro uma coisa: como o DeX é apenas uma interface Android adaptada para desktop, não é possível baixar qualquer programa que exista para PC, mas apenas o que tem na Play Store.

Portanto, se você usa algum software muito específico da sua empresa e ele não tem versão para celular, o DeX não irá te atender muito bem.

Videochamada

É possível utilizar o DeX para participar de videochamadas. Isso ajuda bastante em um cenário em que cada vez mais pessoas trabalham em casa e participam de conferências por vídeo.

Para entrar numa reunião por vídeo, basta abrir qualquer aplicação que ofereça essas funções, como o Google Meet, Google Duo ou o Microsoft Teams. Durante as conversas, o sistema usa a câmera do próprio aparelho, bem como o microfone para captação de áudio.

Só notei um problema durante o uso: eu não consegui alterar a saída de áudio para o monitor e só consegui ouvir o áudio das videochamadas pelo próprio celular ou por um fone de ouvido Bluetooth conectado direto ao Galaxy S21 Plus.

Possíveis problemas e dificuldades na adaptação

A plataforma DeX da Samsung pode ajudar a ter uma experiência desktop com um celular compatível, mas há alguns problemas que podem atrapalhar um pouco a usabilidade e outros que podem dificultar bastante a adaptação para um uso diário.

A limitação dos aplicativos para Android é o principal deles. Isso porque, se estamos acostumados com a interface e funcionalidade dos apps no Windows, pode ser um pouco difícil se adaptar quando usamos a versão mobile. E isso não fica melhor na expansão em desktop do modo DeX.

Um exemplo disso é no Documentos do Google. Tanto na versão para navegador quanto na do próprio app para Android, não é possível usar alguns atalhos do teclado para digitação.

Quem trabalha escrevendo, por exemplo, usa bastante o atalho Alt+0151 no Windows para digitar um travessão. Isso não funciona no DeX, o que atrapalha bastante a produtividade, já que é preciso usar teclados virtuais ou copiar e colar de outro lugar.

Usei esse atalho para exemplificar, mas é apenas um entre vários problemas de limitação dos aplicativos no Android que atrapalha a funcionalidade do modo DeX da Samsung, principalmente se tiver como base de comparação a experiência em um "computador de verdade".

Navegadores não permitem usar uma barra de favoritos como no Windows (Imagem: Bruno Bertonzin/Canaltech)

Além disso, os navegadores também “atrasam” um pouco nosso lado, principalmente para quem costuma acessar os mesmos sites todos os dias e usa a barra de favoritos. Isso porque os apps — seja o Chrome ou Edge — não permitem fixar os endereços favoritos embaixo da barra de endereços, como no desktop.

Dessa forma, quando quiser acessar um site favoritado, é preciso ir até as opções do navegador e procurá-lo por lá. Pode parecer pouco, mas no fim do dia é bastante tempo perdido com isso.

DeX ajuda bastante, mas para trabalhos ocasionais

Se você pensa em usar o modo DeX da Samsung para trabalhar diariamente, é bom já deixar um alerta: ele pode não ser muito útil. Afinal, você terá apenas uma experiência Android expandida. Se você usa aplicativos que não existem para celular, então, esquece!

Mas, se um dia você precisar ficar sem o computador e quiser usar a plataforma por pouco tempo, ela deve quebrar bem o galho, desde que você use apenas esses apps mais populares, que têm versões para Android.

Já se você pensa em usá-lo para estudos, o DeX deve atender bem melhor, afinal ele executa até bem os principais editores de textos, planilhas ou apps de apresentações, bem como aplicativos de e-mail ou redes sociais.

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